Sábado, 10 de Dezembro de 2016

Segurança

Suspeito de matar policial e pistoleiro
de Beira-Mar é transferido da Capital

Ele foi preso em Caracol no início do mês e agora está em Jardim

14 OUT 2016Por RENAN NUCCI09h:34

Foi enviado para o presídio de Jardim, por questões de segurança, Oscar Ferreira Leite Neto, de 30 anos, conhecido como “Oscarzinho”, investigado pela execução do pistoleiro Alberto Aparecido Roberto Nogueira, 55, o Betão, e do policial civil Anderson Celin Gonçalves da Silva, de 36 anos. Desde que passou a ser um dos suspeitos do duplo homicídio, o estudante de medicina e filho do vereador Eyde Jesus Rodrigues Leite (PSL) e a família têm sido alvos de ameaças, todos vivem em Caracol. Oscarzinho preso em flagrante no dia 1º de outubro por porte ilegal de arma de fogo, às vésperas das eleições, na cidade de Caracol.

De acordo com a advogada Luciana Abou Ghattas, Oscarzinho se manteve no direito de falar apenas em juízo e não prestou esclarecimentos quando foi interrogado pela primeira vez pelo delegado Márcio Shiro Obara, da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes de Homicídio (DEH), na semana passada, em Campo Grande. Além disso, Luciana informou que já entrou com pedido de habeas corpus para que ele possa responder pelo crime de porte de arma de fogo em liberdade. “Esperamos que na semana que vem o juiz informe a decisão”, disse.

O suspeito não estava em cela exclusiva na Capital, mas foi encaminhado pela Polícia Civil para Jardim porque lá o volume de presos é menor, assim como a probabilidade de que alguém tente matá-lo, diferente se estivesse em unidades prisionais maiores, como em Campo Grande ou Dourados, por exemplo. “Ele teme morrer tanto dentro quanto fora da cadeia”, observa.

A advogada explica, ainda, que,embora tenha sido formalmente indiciado pelas mortes de Betão e Anderson, Oscarzinho não está preso porque, logo que o caso veio à tona, havia sido pedido habeas corpus dele e outros dois investigados, entre eles Guilherme Gonçavels Barcelos, de 31 anos, encontrado morto por enforcamento, supostamente suicídio, no dia 25 de maio, em uma das celas da Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras).

“Oscar sempre esteve à disposição da polícia. É fato que ficou tempo escondido em razão das ameaças, mas nunca chegou a ser ouvido”, apontou a defensora.

Ela alega inocência do cliente e diz que só é suspeito porque foi uma das últimas pessoas a serem vistas com as vítimas, antes do achado dos corpos carbonizados no dia 21 de abril, próximo ao lixão na cidade de Bela Vista. “Ele e a família estão preocupados, pois têm sido ameaçados com frequência, principalmente porque entre as vítmas estavam um pistoleiro bastante conhecido e um policial civil. São várias pessoas que podem tentar contra a vida dele”.

O CASO

Os dois corpos carbonizados no dia 21 de abril na carroceria de uma caminhonete Hilux eram do policial civil Anderson Celin e Betão, envolvido em vários crimes com repercussão nacional e que também atuou como pistoleiro de Fernandinho Beira-Mar, um dos maiores traficantes da América Latina. A caminhonete foi encontrada perto de um lixão de Bela Vista, cidade distante 342 quilômetros da Capital.

As circunstâncias das mortes dos dois ainda não foram descobertas. A Hilux estava em nome de Betão, Anderson Celin era policial civil lotado em Campo Grande e morava na cidade. Em 2013, ele foi promovido para investigador da 3ª classe por tempo de serviço.

Betão, como era conhecido, tem ficha criminal extensa e antes de envolver no crime, era servidor estadual, no cargo de agente fazendário. Em 2003, Betão foi acusado de matar policial militar Hudson Ortiz e de tentar matar o irmão dele, o também militar Hudman Ortiz, que ficou paraplégico. Betão acabou se transformando em vítima neste caso e foi absolvido porque o júri entendeu que ele agiu em legítima defesa.

Betão também foi réu, na Justiça de São Paulo, por envolvimento na morte do empresário Antônio Ribeiro Filho e do geólogo Nicolau Ladislau Haraly. Razão pela qual ficou preso entre 26 de junho de 2008, quando foi flagrado pela PF em Pedro Juan Caballero com um arsenal, e 16 de fevereiro, sendo solto por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O ex-servidor também era conhecido por ter atuado como pistoleiro do chefe do tráfico e de facção carioca, Fernandinho Beira-Mar.

Leia Também