Cidades

Fazenda Buriti

Tiro que matou índio saiu de
arma da PF, mas caso é arquivado

Procuradores pedem condenação de delegada que conduziu sindicância

ALINY MARY DIAS

19/10/2016 - 11h41
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O projétil que matou o índio terena Oziel Gabriel, de 35 anos, durante desocupação da Fazenda Buriti, em Sidrolândia, em maio de 2013, saiu de uma arma da Polícia Federal. Essa é a conclusão do Ministério Público Federal (MPF) que arquivou o processo, mas pede a condenação da delegada da PF responsável pela apuração interna da atuação dos agentes.

Oziel e outros indígenas resistiam a uma ação de reintegração de posse da fazenda, que pertence ao político Ricardo Bacha e foi ocupada cerca de 15 dias antes da ação da PF. Oziel chegou a ser socorrido, mas morreu caminho do hospital. Outras seis pessoas, quatro policiais e dois indígenas, também foram feridos.

Conforme a conclusão do MPF, Oziel estava armado com uma faca e um arco e flecha e foi atingido por um tiro de pistola 9 milímetros da marca CBC, de uso exclusivo da PF.

Apesar de ter chegado ao armamento de origem da munição, a investigação não localizou o projétil e, portanto, não há como identificar quem foi o autor do tiro. Com isso, o inquérito foi arquivado.

Mesmo tendo arquivado o caso, o MPF entrou com novo processo pedindo condenação da delegada federal Juliana Resende Silva de Lima, por improbidade administrativa. A delegada foi responsável pela sindicância interna da PF e é esposa de um dos comandantes da operação de desocupação da fazenda, Eduardo Jaworski Silva.

Na sindicância, a PF concluiu que não houve irregularidades durante a ação de reintegração de posse e o parecer foi acatado pela superintendência da corporação.

“O MPF ajuizou ação de improbidade administrativa contra a delegada, que tramita na Justiça Federal de Campo Grande. A pena prevista inclui ressarcimento integral do dano, se houver, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos, pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos”, afirmou o ministério em nota.

Ainda para os procuradores, houve erro no planejamento dos agentes federais porque dos 70 que participaram da ação, apenas 15 tinham sido treinados com armamento recentemente. Também houve participação de 82 policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar.

Segundo o MPF, entre 1,5 mil a 2 mil pessoas indígenas resistiram à reintegração e o tiro atingiu Oziel no intervalo em que os policiais aguardam reforço de agentes.

POLÍCIA

'Blindado' morre em confronto com Batalhão de Choque em MS

Sem contabilizar esse caso recente, até o início deste final de semana 56 pessoas foram mortas vítimas de intervenção de agente do Estado em 2026

27/06/2026 17h00

O Batalhão afirma que teria feito, por parte dos militares, um pronto atendimento inicial após o indivíduo receber os disparos. 

O Batalhão afirma que teria feito, por parte dos militares, um pronto atendimento inicial após o indivíduo receber os disparos.  Reprodução/BPChoque

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João Vitor de Souza Rolon, conhecido pelo apelido de "Blindado" e reconhecido no meio policial por supostos envolvimentos em homicídios em alguns municípios do Mato Grosso do Sul, foi morto no fim da manhã deste sábado (27) em confronto com equipes do Batalhão de Choque, ocorrência essa registrada no município de Rio Brilhante. 

Distante aproximadamente 161 quilômetros de Campo Grande, os agentes foram informados por denúncia anônima que um indivíduo havia acabado de receber uma arma de fogo. 

Conforme divulgado pelo setor de comunicação do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Mato Grosso do Sul, os agentes se deslocaram até o endereço para averiguar a denúncia e encontraram o suspeito junto ao portão de uma recidência. 

Na sequência da abordagem, diante da ordem legal para o rendimento, o BPChoque aponta que "Blindado" teria sacado uma arma e apontado na direção da equipe policial. 

"Configurando situação de injusta e iminente agressão contra os agentes de segurança pública. Diante da ameaça concreta e do risco imediato à integridade física dos policiais militares, foi necessário o emprego dos meios legalmente previstos para cessar a agressão", cita o Batalhão em nota. 

Indivíduo apontado pela polícia como possuindo mandados de prisão em aberto, João Vitor de Souza Rolon supostamente aparecia entre os investigados por envolvimentos em crimes de homicídio registrados pelo território sul-mato-grossense. 

Ele teria recebido, conforme denúncia, um armamento tipo revolver calibre .38, que, conforme imagens do Batalhão de Choque, estaria inclusive com a devida numeração identificadora raspada. 

Após a ação dos militares, no que eles chamam de "neutralização da ameaça", o local teria sido preservado para as devidas providências necessárias. 

O Batalhão afirma que teria feito, por parte dos militares, um pronto atendimento inicial após o indivíduo receber os disparos.

"Na sequência, o autor recebeu pronto atendimento por parte dos policiais militares, sendo conduzido ao hospital do município. Apesar dos esforços empregados, ele não resistiu aos ferimentos", conclui o Batalhão.

Morte por intervenção de agente do Estado

Sendo a base que compila dados sobre os mais variados tipos de ocorrência e vítimas, o painel estatístico da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostra que 2026, até então, já aparece na 6ª colocação dos índices anuais de morte por intervenção legal de agente do Estado. 

Sem contabilizar esse caso recente, até o início deste final de semana 56 pessoas foram mortas vítimas de intervenção de agente do Estado, sendo pelo menos seis casos registrados somente neste mês. 

Em 9 de junho, A.D.S morreu em confronto com policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), em Sonora, município localizado a 362 quilômetros de Campo Grande.

Em 8 de junho, M. E. A., de 22 anos, apelidado como "perturbado", morreu em confronto com o Batalhão de Choque (BPMChoque), em Sidrolândia, município localizado a 70 quilômetros da Capital.

Em 6 de junho, M.O.M.S, de 19 anos, morreu em confronto com o Choque no jardim Tijuca, em Campo Grande.

Em 5 de junho, C.D.F.M., de 25 anos e A.C.C.R., de 28 anos, morreram em confronto com o Choque em Rio Verde, município situado a 203 quilômetros de Campo Grande.

Além desses, Matheus Gonçalves dos Santos, 32 anos, acusado pela morte da companheira Gleici Fátima Machado Ritter, 37, em Guarantã do Norte (MT) e de fugir com o filho do casal para o Paraguai em seguida, foi morto no último dia 25. 

Por ordem crescente, o pior ano de mortes por agente do Estado foi 2023, que segundo dados da Sejusp aparece com 131 vítimas no período de 12 meses. 

Depois, os anos de 2024 e 25 ocupam a segunda e terceira colocação neste "ranking", com 86 e 73 vítimas respectivamente. 

Com 2019 sendo o quarto pior período deste registro, quando 70 pessoas morreram, 2026 está a cerca de nove óbitos de ultrapassar a quinta maior marca de mortes por intervenção de agentes do Estado. 

 
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MATO GROSSO DO SUL

Governo de MS confirma ampliação e voos até SP durante todo o final de semana

Aeronaves com rota entre Bonito e o aeroporto de Guarulhos operam às quartas e sábados e devem ganhar dia extra de voo dentro de quatro meses

27/06/2026 16h00

Iniciativa deve fortalecer as operações da companhia LATAM Airlines, passando a valer a partir do dia 25 de outubro

Iniciativa deve fortalecer as operações da companhia LATAM Airlines, passando a valer a partir do dia 25 de outubro Reprodução/Gov.MatoGrossoDoSul

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Após o anúncio por parte da Prefeitura de Bonito, através da Fundação de Turismo do Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS), o Governo do Estado confirmou a ampliação de voos até São Paulo para atender todo o final de semana, medida essa que deve passar a valer dentro de até quatro meses. 

Ainda nesta semana o Executivo Municipal, distante aproximadamente 297 quilômetros da Capital do Mato Grosso do Sul, indicou ampliação dos voos entre a cidade de Bonito e o Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU) que atualmente acontecem às quartas-feiras e sábado. 

Conforme divulgado pela Fundtur, a iniciativa deve fortalecer as operações da companhia LATAM Airlines, passando a valer a partir do dia 25 de outubro, quando os voos aos domingos devem começar a acontecer. 

Cabe destacar que no ano passado o Aeroporto Regional de Bonito (BYO) registrou um crescimento de 35% na movimentação de passageiros, o que por sua vez reforça o papel estratégico do município no cenário turístico brasileiro.

Dados da Administração Aeroportuária indicam que 68.539 passageiros passaram pelo terminal do Aeroporto Regional de Bonito no ano passado. Esse índice superou o total de 50.932 que haviam sido registrados nos 12 meses imediatamente anteriores, em 2024. 

Nova etapa

Para o diretor-presidente da Fundtur, Bruno Wendling, a ampliação e o maior fluxo de voos representa diretamente um avanço na estratégia de fortalecer a malha aérea sul-mato-grossense, indicando que a medida mostra que o mercado responde de forma positiva aos investimentos para promover o turismo local. 

"O bom desempenho da taxa de ocupação dos voos comprova o protagonismo de Bonito e a confiança da companhia em ampliar sua oferta. Além de facilitar o acesso ao principal destino de ecoturismo do Brasil, essa nova frequência amplia as possibilidades de conexão com diversos destinos nacionais e internacionais via Guarulhos, tornando Mato Grosso do Sul ainda mais competitivo no mercado turístico", cita o presidente da Fundtur em nota. 

Ao ajustar a malha para operar em três dias distintos, os voos deverão obedecer os seguintes horários: 

  • às 09h30 saída de Guarulhos (GRU) , com chegada em Bonito (BYO) às 10h30, 
  • às 11h10 acontece o retorno, pousando em São Paulo às 14h05.

No último ano, a Azul Linhas Aéreas registrou aumento de 47% no número de passageiros. Quando passou a operar exclusivamente voos diretos entre Campinas (VCP) e Bonito (BYO), a companhia saltou de 21.529 para 31.618 passageiros anualmente.

Entre setembro e dezembro de 2025, a LATAM Airlines movimentou 8.234 passageiros, refletindo de forma significativa para o desempenho positivo do aeroporto.

Já sobre as demais operações, houve uma leve variação na rota entre Congonhas (CGH) e Bonito (BYO), operada pela Gol Linhas Aéreas. O número de passageiros saiu de 29.403 em 2024 para 28.687 em 2025.

 

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