Alunos da escola "Tumune Kalivono" apresentam danças típicas, como o "Kîpa'e" (bate-pau) e a Siputrña na 27.ª edição da Feira Indígena Cultural
Tradição de quase três décadas em respeito e homenagem ao "abril indígena", mês em que é celebrado do Dia dos Povos Originários, a Escola Municipal Sulivan Silvestre Oliveira "abre as portas" da Aldeia Urbana Marçal de Souza, em Campo Grande, para a comunidade nesta sexta-feira (17) através da 27ª edição da Feira Cultural.
Com a chamada “Feira Indígena Cultural” (FIC) chegando na vigésima sétima edição, a escola que é batizada de “Criança do Futuro” (em tradução do termo “Tumune Kalivono” na língua Terena) busca valorizar a cultura e identidade desses povos originários presentes no Mato Grosso do Sul.
Cabe destacar que essa instituição na Capital não necessariamente carrega a classificação de “escola indígena”, porém, por estar inserida em território de forte presença Terena, traz práticas pedagógicas que se voltam à valorização da cultura e da identidade desses povos, promovendo assim um diálogo que caminha entre a educação escolar e os saberes tradicionais da comunidade.
Em outras palavras, a escola emprega na matriz curricular componentes voltados para essa valorização, como o ensino da língua Terena e arte e cultura indígena. Conforme o corpo docente, tudo isso contribui para a valorização dos conhecimentos tradicionais no ambiente escolar.
Em sua 27ª edição, a FIC da Escola Sulivan Silvestre Oliveira - Tumune Kalivono traz o tema: “as vivências e os desafios da EM Sulivan para o cultivo da língua Terena na comunidade urbana". Nesse sentido, a língua materna no contexto urbano representa um diálogo intercultural no espaço já comum à aprendizagem.
27.ª FIC
Na programação desta sexta-feira (17) são apresentados os trabalhos pedagógicos desenvolvidos pelos próprios alunos, com exposições culturais, apresentações artísticas e atividades que evidenciam a importância da língua Terena no cotidiano escolar e na formação das novas gerações.
“A 27ª FIC_2026 - Feira Indígena Cultural reafirma o compromisso da escola com a valorização da cultura, com o fortalecimento da língua Terena e com a construção de uma educação que respeita e dialoga com as identidades culturais presentes na comunidade”, complementa a unidade.
A celebração acontece dois dias antes do chamado "Dia dos Povos Indígenas" (19 de abril), termo esse que inclusive precisou passar por revisão justamente para valorizar a diversidade de cada uma das etnias desses povos originários.
O dia 19 em si, anteriormente chamado "Dia do Índio" e alterada em julho de 2022 para evitar a generalização, foi criado através de um decreto que data de 1943, época em que Getúlio Vargas presidiu o Brasil.
Mais do que festa e valorização da cultura, o Dia dos Povos Indígenas reconhece a luta por direitos que passa inclusive pela necessidade de demarcação de territórios.
Na data de hoje os alunos da escola "Tumune Kalivono" apresentam danças típicas, como o "Kîpa'e" (bate-pau) pelos meninos e a Siputrña pelas meninas. O evento segue aberto para a comunidade até às 17h.
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