Sábado, 10 de Dezembro de 2016

MANIFESTAÇÃO

MS tem escola de 1,6 mil alunos ocupada
contra proposta de teto de gastos

Estudantes disseram que ocupação acontece por tempo indeterminado

18 OUT 2016Por RODOLFO CÉSAR19h:30

A primeira escola de Mato Grosso do Sul a participar do movimento estudantil de ocupação de unidades de ensino contra a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que cria teto para os gastos públicos fica no distrito de Itamarati, município de Ponta Porã.

Em torno de 120 alunos fecharam a escola por volta das 6h de hoje e o movimento segue por tempo indeterminado. Os estudantes conseguiram apoio do Movimento dos Sem Terra (MST) e de comerciantes locais para receberem verduras e outros alimentos enquanto ocuparem o local. Agora à noite, pelo menos 30 adolescentes permanecerão na unidade.

A organização foi feita por jovens do 3º ano do ensino médio e houve comunicado ao grêmio estudantil sobre o protesto. "É a primeira vez que isso acontece aqui no assentamento. Achávamos que não teríamos apoio, mas foi o contrário", comentou Alana Penteado, 16 anos, que faz parte da ocupação.

Alunos receberam doação de alimentos de comerciantes e do MST. Foto: Divulgação

Para tentar dar amplitude ao protesto, o próprio grupo encaminhou o ato para um ranking que vem sendo feito das escolas que foram ocupadas. Em vários estados, estudantes realizaram o mesmo protesto hoje. Há registros em Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Alagoas, em um total de 603 escolas.

"Estamos também buscando contatos para informar essa ocupação. Agora esperamos a repercussão", comentou Alana.

A Escola Estadual Nova Itamarati tem em torno de 1,6 mil estudantes, está entre as maiores do Estado e segundo os organizadores que a ocupam trata-se da maior unidade em assentamento do Brasil.

PEC 241

A Proposta de Emenda Constitucional 241 trata sobre teto de gastos do poder público federal pelos próximos 20 anos, respeitando o índice de inflação do ano anterior. Uma das críticas ao projeto montado pelo governo do presidente Michel Temer é que saúde e educação podem sofrer cortes severos.

A Câmara dos Deputados aprovou em primeira votação a PEC. Estava prevista nova análise para hoje, contudo a sessão da Câmara foi cancelada e haverá uma extraordinária para as 11h (de Brasília) de amanhã.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) deu parecer contrário à proposta do novo regime fiscal.

"A PEC 241 institui o Novo Regime Fiscal pelos próximos 20 anos, prazo longo o suficiente para limitar, prejudicar, enfraquecer o desempenho do Poder Judiciário e demais instituições do Sistema de Justiça e, nesse alcance, diminuir a atuação estatal no combate às demandas de que necessita a sociedade, entre as quais o combate à corrupção, o combate ao crime, a atuação na tutela coletiva, a defesa do interesse público", informou nota técnica.

A reforma do Ensino Médio, apresentada pelo governo federal neste segundo semestre, também é alvo dos protestos dos estudantes pelo país.

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