Sexta, 17 de Novembro de 2017

300 cartuchos

Polícia Federal encontrou arsenal
com fazendeiros presos em operação

Eles são acusados de participar de conflito que terminou com índio morto

22 AGO 2016Por ALINY MARY DIAS10h:35

Presos na quinta-feira (18) em operação da Polícia Federal, os quatro produtores rurais e o funcionário de uma fazenda continuam detidos em Dourados. Eles são acusados de envolvimento no confronto que terminou com índio morto em Caarapó, em junho deste ano. Autor da ação contra os fazendeiros, o Ministério Público Federal (MPF) divulgou hoje que 11 armas e 310 cartuchos foram apreendidos com os produtores.

Conforme o órgão, além das armas e dos cartuchos, carregadores de pistola também foram apreendidos.

Entre as armas estão dois revólveres, um rifle calibre .38, uma pistola calibre. 380 e sete espingardas de diversos calibres. A maioria dos cartuchos é de calibres .22, .380 e .38.

Outras armas que estão registradas em nome dos fazendeiros não foram achadas pelos policiais. Ainda segundo o MPF, perícia feita no local do ataque aos índios encontrou projéteis compatíveis com os apreendidos na quinta-feira.

PRISÃO

Na sexta-feira, juiz adiou decisão de liberdade e manteve prisão preventiva de cinco produtores rurais. Audiência de custódia foi realizada no prédio da Justiça Federal em Dourados.

Advogado que representa três dos cinco presos, Felipe Azuma, disse ao Portal Correio do Estado que durante a audiência, juiz decidiu esperar parecer do MPF sobre pedido de revogação da prisão de seus clientes Jesus Camacho, Virgílio Mattifogo e Eduardo Yashio Tominaga.

OPERAÇÃO E CONFRONTO

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o pedido de prisão preventiva foi autorizado pela Justiça Federal de Dourados e os policiais cumpriram os mandados ontem de manhã em Caarapó, Campo Grande, Dourados e Laguna Caarapã. O MPF ainda não divulgou quem são e quantos produtores já foram detidos.

Nas apurações, o MPF constatou que os fazendeiros tiveram envolvimento direto com o ataque e “podem incorrer nos crimes de formação de milícia privada, homicídio, lesão corporal, constrangimento ilegal e dano qualificado”.

Os pedidos de prisão foram feitos para evitar novos casos de violência nas regiões de conflito. O MPF lembra, ainda, que os pedidos foram expedidos pela Justiça no dia 5 de julho, no entanto, a Polícia Federal demorou mais de 40 dias para cumpri-los.

O CONFRONTO

No dia 12 de junho, índios da comunidade Tey Kuê, da etnia Guarani-Kaiowá, ocuparam a Fazenda Yvu. No dia seguinte, agentes da Polícia Federal foram notificados da ocupação por fazendeiros que os levaram até o local.

Os policiais não encontraram reféns e foram informados pelos indígenas de que o proprietário poderia, em 24h, retirar o gado e seus pertences do local. Sem mandado de reintegração de posse, os PFs retornaram a Dourados.

Os proprietários rurais que foram presos hoje e mais 200 ou 300 pessoas ainda não identificadas, munidas de armas de fogo e rojões, se organizaram para expulsar os índios do local em 14 de junho. De acordo com testemunhas, foram mais de 40 caminhonetes que cercaram os índios, com auxílio de uma pá carregadeira, e começaram a disparar em direção à comunidade.

De um grupo de 40 a 50 índios, oito ficaram feridos e Clodiode Aquileu Rodrigues morreu. Dos indígenas feridos, um deles continua internado.

A audiência ocorrerá no prédio da Justiça Federal em Dourados. Os outros dois presos pela Polícia Federal, Nelson Buainain Filho e Dionei Guedes também passarão pela audiência.

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