Cidades

CONFLITOS AGRÁRIOS

Justiça manda índios saírem
de fazenda invadida em MS

Desembargador negou pedido da Funai e manteve liminar que determina desocupação

MARESSA MENDONÇA

14/10/2015 - 14h57
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O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) negou o pedido da Fundação Nacional do Índio (Funai) e manteve a liminar da 1ª Vara de Ponta Porã (MS) que determina a desocupação de áreas invadidas por indígenas da etnia Guarani e Kaiwoá em Antônio João (MS), a 280 km de Campo Grande. A informação foi divulgada pela assessoria de imprensa do TRF3 nesta quarta-feira (14).

A reintegração de posse de quatro fazendas em Antônio João foi assinada pelo juiz Diogo Ricardo Goes de Oliveira da 1ª Vara de Ponta Porã, no mês de setembro, pouco tempo depois da morte de um indígena durante conflito naquela região. Essa determinação já havia sido anunciada em 2005, mas nunca foi cumprida.

“O juízo de primeiro grau determinou a reintegração de posse, por entender que os índios, ao ocuparem mais de 300 hectares da área rural, descumpriram acordo judicial feito em 2006, que previa a permanência da comunidade indígena em área de 30 hectares”.

Para recorrer da decisão, a Funai alegou que os índios não estavam dispostos a deixarem o local, com pretensão de resistir até a morte. Para o presidente do TRF, desembargador federal Fábio Prieto de Souza,

“O conflito que já era grave e de difícil solução tornou-se, então, refém de um mal ainda maior: o recurso sistemático ao discurso e à prática da violência. O Supremo Tribunal Federal interditou a tática. A discussão do grave conflito não pode ser feita com a ameaça retórica do recurso à violência, seja qual for o interesse contrariado e o seu titular”.

Outro argumento utilizado pela Funai é de que o presidente da república homologou, por meio de decreto, a demarcação da terra indígena em março de 2005, mas o presidente do TRF explicou que o STF concedeu liminar no mandado de segurança 25.463, para suspender este decreto.

“A questão da demarcação ainda está pendente de exame no Poder Judiciário. Este fato, contudo, não autoriza a ocupação de outras áreas, além daquelas já atribuídas aos indígenas, por meio de acordo, no limite de 30 hectares”, concluiu Prieto.

CASO

Há 10 anos, em 2005, o Governo Federal homologou parte das propriedades rurais da cidade como terra indígena. A partir daí, houve série de cobranças por parte dos índios para que a área fosse demarcada, no entanto, nada foi feito.

Em agosto, indígenas invadiram fazendas e fizeram famílias de produtores reféns. No dia 26, o clima ficou ainda mais tenso e produtores rurais bloquearam estradas que dão acesso à cidade em forma de protesto. As rodovias foram liberadas durante a noite. No dia seguinte, a situação era menos tensa na região, mas a invasão continuava e policiais do DOF fizeram a segurança para evitar confrontos entre indígenas e fazendeiros. No dia 29, o líder o líder Guarani Semion Vilhalva foi morto durante conflito com fazendeiros.

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) pediu ajuda ao Governo Federal para ajudar a diminuir a tensão em área de conflito fundiário do Estado foi atendido pela Presidência da República e as tropas do Exército começam operação no Estado no dia 1º de setembro.

Nomeação

Prefeitura volta com antigo diretor-presidente da Funesp após saída de Benites

Maicon Mommad assumiu a diretora da Funsep em 2023 até o fim de 2024, quando foi substituído por Sandro Benites, nomeado pela prefeita Adriane Lopes

09/03/2026 17h00

Maicon Luiz volta ao cargo após ser substituído por Benites

Maicon Luiz volta ao cargo após ser substituído por Benites Redes Sociais

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Após a exoneração de Sandro Benites do cargo de diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes (Funesp), a prefeitura de Campo Grande nomeou, após publicação no Diário Oficial Municipal (Diogrande) o diretor-executivo, Maicon Luiz Mommad, para o cargo mais alto da pasta. 

Maicon já exerceu o cargo de diretor-presidente da Fundação em setembro de 2023 e ficou até o final de 2024. Em 2025, no início da gestão de Adriane Lopes (PP) como Prefeita de Campo Grande, Sandro Benites assumiu o cargo em seu lugar. 

Mommad é licenciado e bacharel em Educação Física, pela Universidade Católica Dom Bosco, em 2004 e pós-graduado em Reabilitação Cardíaca e Grupos Especiais, pela Universidade Gama Filho, em 2011. É casado e pai de uma filha. 

Ele atua na Fundação há 17 anos, quando assumiu como Coordenador de Núcleo do Projeto Segundo Tempo (PST) no ano de 2009. Na época, realizava o atendimento a 30 núcleos, abrangendo 3 mil crianças, sendo envolvidos 30 professores de educação física e 30 acadêmicos do mesmo curso.

Maicon assumiu nesta segunda-feira (9) o cargo e já assinou a prestação de contas sobre o Auxílio-Atleta no Diário Oficial. 

Mais um

A troca de diretores acontece após o pedido de exoneração do antigo responsável pela Pasta, Sandro Trindade Benites, após polêmica no último final de semana. 

Esta é a segunda vez em 10 dias que um secretário do alto escalão de Adriane Lopes se afasta do cargo para "esclarecimento de fatos pessoais". 

No dia 03 de março, o secretário executivo da Juventude de Campo Grande, Paulo Cesar Lands Filho, nomeado em janeiro, foi afastado do cargo após ser denunciado por assédio sexual e estupro. O caso é investigado pela Polícia Civil.

Segundo a denúncia registrada por um servidor que trabalhava no setor de Infraestrutura e Inovação, a vítima sofria abusos de Lands desde julho de 2025, quando o secretário começou a oferecer caronas após o expediente. 

Em um dos trajetos, o chefe teria tocado as partes íntimas da vítima, que não reagiu por medo, já que havia relação de subordinação no trabalho. 

Após uma confraternização no final do ano, houve consumo de álcool, deixando a vítima em estado de fragilidade. Segundo o relato, Lands ofereceu carona novamente, mas seguiu em relação à própria casa com a vítima, onde houve ato sexual não consentido. 

Dias após o ocorrido, o servidor foi demitido. 

Com a repercussão do caso, o secretário-executivo pediu a exoneração do cargo para prestar esclarecimentos. 

Seis dias depois, o diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes, Paulo Trindade Benites, também pediu exoneração após uma ex-companheira pedir medida protetiva contra ele por violência psicológica. 

Segundo fontes, Benites e a mulher mantinham um relacionamento há seis anos marcados por manipulações e assédios psicológicos. 

Antes da viagem de Paulo à Europa, ele teria dito à companheira que se tratava de uma viagem a passeio com amigos do grupo Legendários, o qual faz parte. No entanto, ao chegar no aeroporto, ela flagrou o companheiro com a atual esposa e o filho, com quem alegava possuir um casamento de fachada. 

O flagra foi o suficiente para que a vítima enviasse uma mensagem terminando o relacionamento entre os dois. Cinco dias depois, ela foi demitida de seu cargo de Assessora na Câmara Municipal, onde trabalhava. 

Após retorno de Dubai, onde ficou retido por causa dos bombardeios da guerra entre Irã e EUA, Paulo teria ido até a casa da vítima, invadido enquanto ela dormia e iniciado uma discussão com xingamentos e humilhações. 

Ao chegar, a acordou e iniciou uma discussão, sendo ridicularizada por não conseguir “segurar o emprego”, por suas dificuldades financeiras e até mesmo, suas relações familiares. Ele também teria tentado apagar as conversas entre os dois no celular da vítima. 

De acordo com relatos, ele ficou aproximadamente duas horas na casa da mulher, proferindo xingamentos e ridicularizações como “você não tem nada”, “você não é nada”, “eu quero acabar com você”. 

Após o episódio, a vítima procurou a Delegacia de Atendimento à Mulher para registrar boletim de ocorrência por violência psicológica, como orientada por seu advogado.  

Este não teria sido o primeiro episódio de ameaça e violência psicológica. Em outra discussão, quando a mulher teria ido questioná-lo sobre um caso que ele estaria tendo, Benites teria dito “você não vai fazer escândalo, porque se fizer, eu vou dar um tiro na sua cabeça”. 

A medida protetiva foi expedida neste sábado (7), na véspera do Dia Internacional da Mulher.

 

 

INVESTIGAÇÃO

Defesa de Sérgio Assis nega prisão por fraude milionária

Segundo o advogado do ex-deputado, seu comparecimento à delegacia foi em razão do "achado fortuito de algumas munições de uso permitido em sua residência"

09/03/2026 16h45

Ex-deputado estadual, Sérgio Assis

Ex-deputado estadual, Sérgio Assis

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Por meio de nota, a defesa do ex-deputado estadual Sérgio Assis esclareu os fatos noticiados sobre a "Operação AgroFantasma", realizada na última quarta-feira (4), a qual investigava um grupo suspeito de fraudes milionárias envolvendo compra e revenda de grãos no Mato Grosso (MT).

De acordo com o advogado João Paulo Zampieri Salomão, "Sérgio Pereira Assis não possui qualquer relação jurídica, societária ou comercial com a empresa Imaculada Agronegócios Ltda". Ele nega a narrativa do mandado de prisão por envolvimento em supostos golpes ou estelionato ligados à empresa.

Ainda segundo o advogado, Sérgio Assis esteve na delegacia em razão do achado de algumas munições de "uso permitido em sua residência". O ex-deputado foi imediatamente liberado após o pagamento de fiança. Confira a nota abaixo.

Nota de esclarecimento 

A defesa técnica do Sr. Sérgio Pereira Assis, por meio de seus advogados legalmente constituídos, vem a público e, em especial, aos parceiros comerciais e fornecedores vinculados a seus negócios, prestar os devidos esclarecimentos acerca dos fatos noticiados na denominada "Operação AgroFantasma".

Com o escopo de restabelecer a verdade e evitar prejuízos reputacionais infundados, esclarecemos que:

1. Da Absoluta Inexistência de Vínculo com a Empresa Imaculada Agronegócios Ltda. O ordenamento jurídico brasileiro estabelece a clara separação e autonomia entre a pessoa jurídica e terceiros (art. 49-A do Código Civil). O Sr. Sérgio Pereira Assis não possui qualquer relação jurídica, societária ou comercial
com a empresa Imaculada Agronegócios Ltda.

2. Da Inexistência de Mandado de Prisão por Fraude ou Estelionato

É falsa a narrativa de que o Sr. Sérgio estaria sob mandado de prisão por envolvimento em supostos golpes ou estelionato. Não há contra ele nenhuma ordem de segregação cautelar ligada às operações comerciais da Imaculada Agronegócios, evidenciando a sua total desvinculação dos fatos investigados
no âmbito empresarial.

3. Do Motivo Estritamente Pessoal da Condução à Autoridade Policial

O comparecimento do Sr. Sérgio à delegacia deu-se, única e exclusivamente, em razão do achado fortuito de algumas munições de uso permitido em sua residência. Trata-se de uma intercorrência de natureza estritamente pessoal, já resolvida com o pronto recolhimento da fiança legal. O Sr. Sérgio foi imediatamente liberado e encontra-se em sua residência, em pleno gozo de sua liberdade. Este fato isolado não possui absolutamente nenhuma relação com a atividade empresarial de terceiros.

O Sr. Sérgio repudia a tentativa de vinculação de seu nome a litígios comerciais dos quais não faz parte e reitera que está à inteira disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários. A defesa tomará as medidas judiciais cabíveis contra quem propagar desinformação que atente contra a honra e a imagem do Sr. Sérgio.

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