Cidades

Matar não é solução

Justiça Federal proíbe eutanásia em cães com leishmaniose

Desembargador avalia que poder público deveria se preocupar mais com a prevenção

DANIELLE VALENTIM

05/06/2015 - 17h22
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Os órgãos públicos de Campo Grande (MS) estão impedidos de utilizar a eutanásia como meio de controle da leishmaniose visceral nos cães. A determinação é da 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), que aceitou um pedido da organização não governamental (ONG) Sociedade de Proteção e Bem Estar Animal - Abrigo dos Bichos. A prefeitura informou, via assessoria de imprensa, que irá acatar a decisão, mas que os detalhes de como será feita a mudança serão discutidas a partir de segunda-feira (8).

A decisão do TRF3 e de tribunais superiores, destaca que matar os animais com a doença é desacertado e desnecessário, já que vai contra ao direito de propriedade, vedação à violação do domicílio e à pratica de crueldade contra animais, provocando desconforto e a ira da comunidade.

Para os magistrados, ao invés de utilizar da prática da extinção dos animais, o poder público deveria adotar providências para acabar com os focos do transmissor que infecta humanos e animais. Deveria também promover pesquisas com medicamento já usado em outros países para a cura das vítimas da doença.

“Infelizmente, dos 88 países do mundo onde a doença é endêmica, o Brasil é o único que utiliza a morte dos cães como instrumento de saúde pública; ou seja, o Brasil ainda viceja numa espécie de "Idade Média" retardatária, onde a preocupação é eliminar ou afastar a vítima e não o causador da doença ("mosquito-palha", nome científico Lutzomyialongipalpis) que espalha o protozoário Leishmania chagasi”, salientou o desembargador federal Johonsom di Salvo, relator do processo no TRF3.

PEDIDO

A ONG protetora dos animais havia entrado com a ação civil pública em 2008, para impedir que a Prefeitura utilizasse a prática da eutanásia canina como meio de controle da leishmaniose visceral. A liminar foi concedida, porém, o juiz da 1ª Vara Federal de Campo Grande reconsiderou a decisão e a anulou em parte.

O recurso chegou ao TRF3 que manteve a suspensão da eutanásia. Na decisão da última quinta-feira (28), os desembargadores decidiram pela proibição da prática na capital sul-mato-grossense, acolhendo o pedido da ONG, “evitando-se a tomada de drásticas e irreversíveis medidas de controle, sem possibilidade de reparação para os cidadãos”.

CARÁTER HUMANITÁRIO

Para o desembargador federal e relator Johonsom di Salvo, a prática adotada para controlar a doença pelo poder público no município de Campo Grande ofende o artigo 225, parágrafo 1º, inciso VII, da Constituição Federal. 

“Não tem o menor sentido humanitário a má conduta do município em submeter a holocausto os cães acometidos de leishmaniose visceral (doença infecciosa não contagiosa), sem qualquer preocupação com a tentativa de tratar dos animais doentes e menos preocupação ainda com os laços afetivos que existem entre humanos e cães, pretendendo violar o domicílio dos cidadãos sem ordem judicial para, despoticamente, apreender os animais para matá-los”.

TRATAMENTO BARATO

A eficácia do extermínio de cachorros como forma de combater a leishmaniose adotado desde 1953, foi questionada pelo desembargador. Milhares de animais já foram exterminados e as estatísticas aumentam anualmente. Para ele, há outros métodos para se lidar com a enfermidade, no caso, o tratamento.

“A ação do Poder Público - incompetente para evitar a proliferação do lixo onde viceja o mosquito vetor da doença - não impede que o proprietário ou um terceiro tratem do animal, o que pode ser feito com medicação relativamente barata (Alopurinol, Cetoconazol, Levamizol, Vitamina A, Zinco, Aspartato de L-arginina e Prednisona), sem que se precise recorrer a uma medicação específica para os animais (Glucantime) que no Brasil é proibida, enquanto no mundo civilizado (Espanha, França, Itália e Alemanha) está à venda para o tratamento dos animais”, argumentou.

Por fim, a decisão recomenda que o poder público permita que o animal seja tratado sob a supervisão e responsabilidade de médico veterinário.

OPERAÇÃO FORNAX

Polícia Federal captura em Goiás traficante foragido de MS

No momento da prisão, criminoso ainda utilizou documentos falsos para tentar esconder sua verdadeira identidade

26/06/2026 15h45

Viatura e agente da PF

Viatura e agente da PF DIVULGAÇÃO/PF

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Um dos foragidos da Operação Fornax foi localizado, abordado e preso pela Polícia Federal (PF), nesta quarta-feira (24), em Caiapônia (GO).

No momento da prisão, ele utilizou documentos falsos para tentar esconder sua verdadeira identidade.

Na ação, a PF contou com o apoio da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) do 14º Comando Regional da Polícia Militar de Goiás, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE-GO), da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO-GO) e de outras forças de segurança.

OPERAÇÃO FORNAX

A Operação Fornax foi deflagrada pela Polícia Federal, em 12 de maio de 2026, na fronteira Brasil/Paraguai, em Ponta Porã (MS), município localizado a 313 quilômetros de Campo Grande.

O objetivo é desarticular organização criminosa envolvida com tráfico internacional de drogas e outros crimes.

Na ocasião, foram cumpridos 60 mandados (13 de prisão preventiva, 9 de prisão temporária e 47 de busca e apreensão) e 12 ordens de bloqueio financeiro das contas bancárias dos criminosos envolvidos.

A operação surgiu a partir da apreensão de duas toneladas de maconha, em 2023, em Ponta Porã, realizada pela PF.

Além dessa apreensão que originou a investigação, foram realizadas outras sete apreensões, que totalizaram cerca de 16 toneladas de drogas.

Academias, padarias, açougue e oficinas mecânicas eram os estabelecimentos comerciais que o grupo utilizava para ocultar e disfarçar a movimentação financeira.

EDUCAÇÃO

Abandono escolar público cai para 0,9% em MS

Estado reduziu taxas de evasão, reprovação e atraso escolar entre 2022 e 2025

26/06/2026 15h00

Estudantes da rede pública de Mato Grosso do Sul apresentaram redução nas taxas de abandono e reprovação do ensino médio, segundo dados

Estudantes da rede pública de Mato Grosso do Sul apresentaram redução nas taxas de abandono e reprovação do ensino médio, segundo dados Divulgação

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Mato Grosso do Sul registrou melhora nos principais indicadores de rendimento e permanência dos estudantes do ensino médio da rede pública entre 2022 e 2025, mostram queda significativa nas taxas de abandono, reprovação e distorção idade-série no Estado.

O índice de abandono escolar caiu de 5,1% para 0,9% no período, enquanto a taxa de reprovação recuou de 12,1% para 3,9%. Já a distorção idade-série, indicador que mede o percentual de estudantes com atraso em relação à idade adequada para a série cursada, passou de 27,7% para 20,8%.

Os resultados acompanham a tendência nacional de melhora no ensino médio público. Em todo o país, a reprovação diminuiu 62% entre 2022 e 2025, o abandono escolar caiu 61% e a distorção idade-série foi reduzida em 28%. No mesmo período, a taxa de aprovação aumentou 11%.

Segundo o MEC, os avanços observados desde 2023 refletem a ampliação de políticas públicas voltadas à permanência dos estudantes e à melhoria da aprendizagem, entre elas o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, o Programa Escola em Tempo Integral, a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas e mudanças implementadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Outro programa apontada pelo ministério como responsável pela melhora dos indicadores é o Pé-de Meia, criado em 2024 para incentivar a permanência de estudantes do ensino médio. Em Mato Grosso do Sul, 83.455 alunos são beneficiados pela iniciativa sendo 52,5% do sexo feminino e 47,5% do sexo masculino.

Para o ministro da Educação Leonardo Barchini, os números mostram que as políticas de permanência escolar começam a produzir resultados concretos.

“Os resultados demonstram que mais estudantes estão conseguindo permanecer na escola, avançar de série e concluir seus estudos no tempo adequado. O cenário reflete uma combinação de políticas públicas voltadas à permanência, à aprendizagem e ao aprimoramento das condições de oferta da educação básica”, afirmou.

Jovens na escola

Outro indicador apresentado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostra que menos estudantes estão deixando de retornar às salas de aula após um ano letivo. 

De acordo com o presidente do Inep, Manuel Palácios, a taxa de não retorno ao ensino médio caiu 28% entre 2022 e 2025. Segundo ele, caso o indicador tivesse permanecido no mesmo patamar de 2022, o Brasil teria cerca de 250 mil estudantes a menos matriculados no ensino médio  neste ano. 

O desempenho também é acompanhado por um aumento na participação dos alunos da rede pública no Enem. Entre 2022 e 2025, as inscrições realizadas por concluintes dessas escolas cresceram 46%.

Dados do IBGE

Os resultados do Censo Escolar são corroborados por dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação 2025, divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa mostra que a taxa ajustada de frequência escolar líquida entre jovens de 15 a 17 anos passou de 76,8% em 2024 para 80,6% em 2025, o maior índice registrado desde o início da série histórica, em 2016.

Como consequência, a proporção de adolescentes dessa faixa etária fora do ensino médio caiu de 23,2% para 19,4% em apenas um ano, redução de 16,3%. O resultado supera o ritmo de queda observado entre 2019 e 2022, quando o indicador passou de 28,6% para 24,7%.

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