Segunda, 25 de Setembro de 2017

Um milhão de litros de água

Incêndio destruiu 4,5 mil hectares
e causou prejuízo milionário

Vegetação destruída precisará ser recuperada

14 SET 2017Por RODOLFO CÉSAR E LUCIA MOREL18h:28

A Defesa Civil de Ribas do Rio Pardo identificou que foram queimados na região um total de 4,5 mil hectares de área. O incêndio começou por volta das 11h de ontem (13) e só terminou perto das 16h30 de hoje. Contudo, antes um pouco das 20h30 de quarta-feira o fogo tinha sido controlado.

Desse total que foi destruído, 2,5 mil hectares são de pastagem, reserva legal e áreas de preservação permanente, enquanto que 2 mil hectares tinham floresta de eucalipto. As fazendas atingidas foram a Eucalipto Brasil, antiga Boi Preto, e Andorfato, que ficam a cerca de 12 quilômetros de Ribas do Rio Pardo. O prejuízo financeiro ainda é calculado, mas ultrapassa a casa dos milhões de reais.

Como comparativo, os 4,5 mil hectares devastados equivalem a cerca de 4,5 mil campos de futebol com medida de 90 x 120 metros.

Para conseguir extinguir as chamas, o que aconteceu só hoje, foi necessário 1 milhão de litros de água. Na operação estavam oito caminhões pipa, com capacidade para 16 mil litros cada, além de máquinas pá-carregadeiras, tratores e outros veículos. A Prefeitura de Ribas e empresas da região cederam os equipamentos.

"Não há um laudo definido ainda, mas os Bombeiros identificaram que o fogo começou perto da rodovia (BR-262) e não nas proximidades da linha férrea (como era cogitado ontem). Essa constatação aconteceu porque o fogo estava mais forte perto da pista e foi diminuindo vegetação adentro", informou nota da Defesa Civil.

O trabalho de rescaldo dos Bombeiros, que saíram de Campo Grande para fazer o atendimento, vai durar 48 horas.

O tenente coronel Waldemir Moreira Junior, chefe do Centro de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros, informou que duas viaturas foram com militares para o local orientar os brigadistas.

"Mais de 30 pessoas ligadas às fazendas próximas atuaram no combate às chamas e acompanham o rescaldo, com máquinas agrícolas e caminhões pipa. A estiagem e a baixa umidade relativa do ar contribuem para que as chamas se alastrem com facilidade, por isso, serão 48 horas de vigia da área para evitar novos focos", explicou nota da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro).

O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) fez vistoria na região e confirmou que os proprietários da área precisarão apresentar plano de recuperação de vegetação. "As causas do incêndio ainda não são conhecidas, mas o Imasul explica que o proprietário terá que fazer a recuperação da vegetação nativa atingida e, caso seja criminoso, ele também será notificado e poderá sofrer multas."

FAZENDA

A fazenda Boi Preto, que tem mais de 60 mil hectares e hoje tem o nome de Eucalipto Brasil, foi alvo de operação da Polícia Federal em 8 de março. A investigação apura fraude em fundos de pensão com envolvimento dos donos do Grupo J&F Investimentos, os irmãos Wesley e Joesley Batista. O grupo controlava a Eldorado Celulose, vendida recentemente, além do frigorífico JBS e outros empreendimentos.

O proprietário de parte da plantação de eucalipto é o empresário de Andradina (SP) Mário Celso Lopes, ex-sócio da Eldorado. Ele chegou a ser preso em março deste ano e levado para a Delegacia da PF em Três Lagoas.

De acordo com as investigações da Polícia Federal, Mário Celso é suspeito de fechar um contrato de R$ 190 milhões para mascarar o suborno a um empresário. O objetivo era impedir que esse empresário revelasse informações de interesse da investigação da polícia.

A propriedade rural ainda tem arrendatários que sofreram prejuízo com o incêndio, que ainda não teve definido qual foi sua origem.

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