Quinta, 23 de Novembro de 2017

Afogados em lagoa

Famílias esperam há 24h por
liberação de corpos de garotos

Garoto de 14 anos pulou em lagoa para salvar amigo de 11

13 NOV 2017Por LUANA RODRIGUES16h:04

Vinte e quatro horas depois, os corpos dos dois meninos que morreram afogados em uma lagoa para retenção de água pluvial,em Chapadão do Sul, ainda não foram liberados para velório. A tragédia ocorreu por volta das 15h de ontem.

Taylon Rodrigo Altieri Santana, 11 anos, e Gabriel Olympio R. dos Santos, 14 anos, foram resgatados pelo Corpo de Bombeiros e encaminhados para perícia - o mais novo no fim da tarde de ontem, e o outro hoje pela manhã, quando retomaram as buscas. 

Ocorre que, segundo a família de Taylon, o perito médico legista da Unidade Regional de Perícia e Identificação de Paranaíba, Pedro Eurico Salgueiro, afirmou que só vai examiná-los após às 18h.

"Isso é negligência, um absurdo. Meu filho foi resgatado ontem a noite, depois foi levado pra um quartinho. Passou a noite lá, sujo, jogado e agora querem que a gente vele ele por só uma hora. Estão tratando crianças como animais, já não basta a dor que estamo sentindo?", diz a mãe de Taylon, dona de casa Zilda Fatima, 31 anos.

A mesma informação foi confirmada pela proprietária da funerária responsável por preparar os corpos dos garotos para velório.

"Tivemos que esperar o resgate do outro corpo, por isso o do menino mais novo teve de passar a noite na funerária. Hoje de manhã encontraram o Gabriel, mas só fomos liberados pela delegacia perto do 12h. Levamos de Chapadão para Paranaíba, onde fica o médico legista e ele disse que estava no almoço, depois iria tirar plantão no hospital e só poderia atender depois das 18h", conta Elaine Cristina Zangerolami.

Segundo a responsável pela funerária, a Unidade Regional de Perícia e Identificação de Paranaíba não tem a mínima estrutura. "O local é apenas um quartinho, com uma única maca e uma mesa, sem refrigeração para conservação dos corpos", explica.

Devido as condições, o estágio de putrefação dos cadáveres está avançando rápido e provavelmente os dois meninos deverão ser velados com caixão fechado.

"Isso não é justo com a gente. Além de perder meu filho por falta de responsabilidade da prefeitura que deixou aquela vala aberta, sem nenhuma sinalização ou segurança, não vou poder me despedir dele", lamenta a mãe.

O Portal Correio do Estado entrou em contato com o médico Pedro Eurico Salgueiro, pelo teelfone disponível no site da Coordenadoria Geral de Perícias, mas as ligações não foram atendidas.

Como o pedido de exame necroscópico é feito pela Polícia Civil, a reportagem ligou para a delegacia regional de Paranaíba. O delegado Wallace Martins Borges afirmou que irá contactar o perito e pedir prioridade no caso que gerou comoção a todos.

AFOGAMENTO

De acordo com os bombeiros, as vítimas estavam com outras quatro crianças, todas de famílias vizinhas, brincando às margens da lagoa, que fica no final da Avenida Mato Grosso do Sul. Por razões ainda desconhecidas, o garoto de 11 anos caiu na água e começou a se afogar, pedindo ajuda. O de 14 anos tentou socorrê-lo, mas os dois acabaram se afogando.

À noite, o corpo do mais jovem foi retirado. O outro foi resgatado somente nesta manhã. O tenente Eduardo Rachid Teixeira, comandante do 7º Subgrupamento do Corpo de Bombeiros em Chapadão do Sul, alertou sobre o perigo de deixar crianças brincando sozinhas em áreas de risco.

"A presença de um adulto é importante. Também é preciso procurar locais adequados para a prática de lazer, como piscinas públicas e áreas regulamentadas".

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