Cidades

SEM RESOLUÇÃO

ONU entra na negociação para dirimir conflitos indígenas no Estado

Vice-governadora pediu à entidade apoio nas tratativas com a União

RODOLFO CÉSAR

14/03/2016 - 15h48
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A Organização das Nações Unidas (ONU) entrou na negociação feita com o governo federal para tentar dirimir o conflito indígena em Mato Grosso do Sul.

O que a entidade internacional terá de fazer fluir em Brasília é a priorização da União em pagar as indenizações de áreas onde hoje há disputa entre índios e fazendeiros.

Durante reunião na sexta-feira à noite (11), a vice-governadora e secretária de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (Sedhast), Rose Modesto, encontrou-se com a relatora especial da ONU, Victória Tauli-Corpuz, e reforçou com ela a necessidade de o governo federal intervir o quanto antes na questão.

No encontro ainda estavam a subsecretária da Sedhast, Silvana Albuquerque, e representantes da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul).

A filipina Victória Tauli-Corpuz é entendida da questão do conflito porque atuou como presidente do Fórum Permanente de Questões Indígenas da ONU entre 2005 e 2010, período marcado por mortes durante disputas por terra.

"Pedi à representante que leve nossas considerações sobre a questão indígena diretamente ao governo federal. Há empenho do governo do Estado para resolver a situação mas, sem a ação direta de Brasília, ficamos de mãos atadas", afirmou a vice-governadora.

DE QUEM É A CULPA

Para a Famasul, a letargia da União torna a situação insustentável. "A ausência do governo Federal está diretamente ligada ao aumento de conflitos de terras em Mato Grosso do Sul", afirmou a federação, por meio de nota da assessoria de imprensa do Estado.

Para pontuar a falta de compromisso, os presentes na audiência lembraram da visita do então ministro da Justiça e hoje chefe da Advocacia-Geral da União, Eduardo Cardozo, ao Estado. E reafirmaram à representante da ONU que promessas feitas naquela visita ainda não foram cumpridas.

“Viemos ao Mato Grosso do Sul porque as notícias que temos é que a região necessita de acompanhamento em razão de situações de conflitos e também a pobreza das famílias indígenas principalmente no sul do Estado" disse a relatora da ONU, via assessoria de imprensa.

TRABALHO EFETIVO

As conclusões de como está o conflito no Estado e a situação das famílias indígenas farão parte de relatório a ser entregue ao Conselho de Direitos Humanos em setembro deste ano. Uma sequência de recomendações também fará parte do estudo da ONU.

Para isso, a filipina visitou Dourados, 225 quilômetros de Campo Grande, na semana passada com o objetivo de recolher informações. Entre as situações identificadas estão a fome e as doenças que os Guarani-Kaiowá enfrentam no sul do Estado. A viagem fez paradas nas aldeias Bororo e Jaguapiru.

O governo do Estado também tem plano de ações de políticas indígenas e entregou relatório à relatora da ONU.

"Estamos atuando em várias frentes: na educação com Vale Universidade Indígena; na construção de um plano de políticas permanentes e ainda atuando diretamente com as comunidades rurais, em parceria com a Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural, com a distribuição de sementes para 12 mil famílias, além de combustível e tratores cedidos pelo Governo”, pontuou a subsecretária da Sedhast.

Homicídio

Polícia procura quinto envolvido em morte de homem na Cachoeira Inferninho

Há indícios de que o crime esteja relacionado à atuação de organização criminosa, já que parte dos indiciados possui vinculação com facção

14/07/2026 11h00

Cachoeira Inferninho, onde foi encontrado o corpo de Guilherme Carlos Canozi

Cachoeira Inferninho, onde foi encontrado o corpo de Guilherme Carlos Canozi Arquivo

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A Polícia Civil procura por Joaquim Barbosa de Lima, conhecido pelo vulgo de "Juninho", que está envolvido na morte de Guilherme Carlos Canozi, de 29 anos, encontrado na Cachoeira do Inferninho, em Campo Grande, no dia 22 de março deste ano.

Segundo apurado pelas autoridades, há indícios de que o crime esteja relacionado à atuação de organização criminosa, já que parte dos indiciados possui vinculação com facção que atua na região.

Cachoeira Inferninho, onde foi encontrado o corpo de Guilherme Carlos Canozi

O corpo do rapaz foi encontrado por praticantes de rapel que frequentavam o local. Na ocasião, o homem apresentava sinais de violência, não portava documentos de identificação e utilizava uma tornozeleira eletrônica. 

Durante as investigações, os policiais da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) conseguiram estabelecer a dinâmica dos últimos passos da vítima, o que permitiu identificar o veículo utilizado para crime, bem como o respectivo proprietário, além da residência em que ela havia sido mantida sob cárcere na noite anterior ao crime, e o morador do imóvel. 

Cachoeira Inferninho, onde foi encontrado o corpo de Guilherme Carlos Canozi
Polícia capturou um dos suspeitos no dia 5 de maio / Divulgação: Polícia Civil

Ao longo da apuração, a DHPP deflagrou duas fases de operação policial: a primeira, em 4 de maio, resultou na prisão temporária do proprietário do veículo e do dono da residência.

A segunda, no dia 15 do mesmo mês, resultou na prisão de outros dois suspeitos, apontados como responsáveis pelo transporte da vítima até o local do crime.

Todos foram indiciados pela prática de homicídio pelo recurso que dificultou a defesa da vítima.

MATO GROSSO DO SUL

Homem é preso em flagrante em MS com material de abuso sexual infantil no celular

Operação Sentinela é ação permanente e há anos atua para identificar e desarticular as redes criminosas responsáveis pela produção, armazenamento e distribuição deste tipo de material

14/07/2026 10h46

Neste telefone haveriam diversos arquivos que continham os chamados materiais de abuso sexual infantil, resultando na prisão em flagrante deste homem de 49 anos em Cassilândia

Neste telefone haveriam diversos arquivos que continham os chamados materiais de abuso sexual infantil, resultando na prisão em flagrante deste homem de 49 anos em Cassilândia Reprodução/PCMS

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Distante aproximadamente 432 quilômetros de Campo Grande, em Cassilândia, um indivíduo de 49 anos foi preso em flagrante na manhã desta terça-feira (14) durante a Operação Sentinela, deflagrada pela Polícia Civil do Mato Grosso do Sul (PCMS) através da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca). 

Conforme repassado pela PCMS, essa trata-se de mais uma fase da operação que há anos atua no combate a crimes de exploração sexual de crianças e adolescentes em ambiente virtual. A ação recente aconteceu em conjunto com as delegacias de polícia dos municípios de Cassilândia e Inocência. 

Após investigações conduzidas pela Depca, um indivíduo de 49 anos morador de Cassilândia foi apontado como suspeito de armazenamento e também compartilhamento dos chamados materiais de abuso sexual infantil (tradução do termo em inglês Child Sexual Abuse Material, “CSAM”, tido como classificação internacional). 

Como bem esclarece a Polícia Civil em nota, essa designação substitui a antiga expressão “pornografia infantil”, representando com o termo “abuso sexual infantil” de forma mais precisa a realidade desses arquivos, que tratam-se de crimes de violência e práticas abusivas praticados contra crianças e adolescentes.

Evidência no celular

Ainda conforme a PCMS em nota, os agentes foram a campo para o cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa desse investigado, que ainda não teve a identidade divulgada pelas autoridades. Durante análise preliminar dos equipamentos encontrados, esses policiais localizaram o aparelho celular que seria de uso pessoal do suspeito. 

Justamente neste telefone haveriam uma série de diversos arquivos contendo os chamados materiais de abuso sexual infantil, resultando na prisão em flagrante deste homem de 49 anos em Cassilândia, pelo crime estabelecido no artigo 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 

Conforme texto legal previsto no artigo 241-B do ECA: adquirir, possuir ou armazenar material que contenha qualquer forma de registro de sexo ou pornografia envolvendo crianças ou adolescentes é considerado crime. 

“A Polícia Civil destaca que o armazenamento, o compartilhamento e a comercialização de CSAM alimentam uma cadeia criminosa de violência sexual contra crianças e adolescentes. Cada arquivo representa uma vítima real, submetida a abusos que continuam sendo revitimizados a cada novo acesso, compartilhamento ou reprodução do conteúdo”, complementa a PCMS em nota.

Operação Sentinela

Sendo uma ação permanente, essa Operação Sentinela há anos atua com foco em identificar e desarticular as redes criminosas responsáveis pelas mais diversas cadeias de delitos que envolvem o abuso sexual infantil, que vão desde a produção desse tipo de conteúdo até o armazenamento e a distribuição deste tipo de material. 

Isso porque a operação atua em diferentes camadas da internet, o que segundo a Polícia Civil inclui ambientes com mecanismos avançados de anonimização e criptografia. Através das investigações há o intuito interromper toda essa cadeia criminosa, responsabilizando tanto os produtores como também aqueles que seguem mantendo viva a circulação desse material.

Já em 2022, por exemplo, como bem acompanha o Correio do Estado, uma mulher de 26 anos foi presa no âmbito da Operação Sentinela com quase dez mil arquivos de material de abuso sexual infantil, criminosa que enviava as fotos das vítimas para seus “clientes”, por aplicativos de mensagens e de relacionamento.

Menos de dois anos depois, em 2024 a 18ª fase da Operação Sentinela chegou a prender três indivíduos e apreender 15 mil arquvios de abuso sexual infantil na cidade de Três Lagoas. Identificados por suposto envolvimento no armazenamento de vídeos e fotos com cenas pornográficas de sexo explícito envolvendo crianças e adolescentes, sendo que a polícia pôde encontrar provas nos aparelhos de cada um dos alvos, o que levaram às prisões em flagrante. 

“O enfrentamento aos crimes de exploração sexual infantil exige atuação permanente e altamente especializada. A Polícia Civil reforça que denúncias relacionadas à exploração sexual de crianças e adolescentes podem ser realizadas de forma anônima por meio do Disque 100, em qualquer unidade policial ou pelos canais oficiais da instituição. O combate a esses crimes depende da atuação integrada das forças de segurança e da participação da sociedade na proteção da infância”, conclui a PCMS. 

 

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