Após fevereiro de alívio, combustíveis pressionam transportes, encarecem alimentos e mudam cenário na Capital
Após registrar uma das menores inflações do País em fevereiro, Campo Grande teve aceleração no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em março, que fechou em 0,93%. O resultado representa alta de 0,75 ponto percentual em relação ao mês anterior, quando o índice havia sido de 0,18%.
Com isso, a Capital ficou levemente acima da média nacional, que foi de 0,88% no período.
O principal impacto veio do grupo Transportes, que avançou 2,15% e respondeu por 0,47 ponto percentual do índice geral. Entre os itens, o destaque foi o óleo diesel, que registrou aumento de 14,05%, além da gasolina (4,59%) e do ônibus interestadual (4,45%).
Mesmo com variação menor, a gasolina teve o maior peso individual no índice, devido à sua maior participação no consumo das famílias.
Diesel influencia custos e efeito chega aos alimentos
A alta do diesel ocorre em um contexto de aumento recente dos combustíveis, influenciado pelo cenário internacional do petróleo. Por ser essencial no transporte de mercadorias, o combustível tem impacto direto nos custos logísticos.
Esse efeito tende a se refletir no preço final de diversos produtos, especialmente alimentos, o que ajuda a explicar a pressão observada no grupo Alimentação e bebidas em março.
O grupo subiu 1,50% e contribuiu com 0,33 ponto percentual no índice. A alta foi puxada principalmente pela alimentação no domicílio, que avançou 1,72%.
Produtos básicos tiveram aumentos expressivos, como repolho (43,85%), cebola (33,68%), tomate (20,84%), feijão-carioca (18,81%) e ovo de galinha (12,53%), além das carnes (1,72%).
O resultado de março marca uma mudança em relação a fevereiro, quando a inflação mais baixa em Campo Grande foi influenciada pela queda nos preços de alimentos e energia elétrica.
Entre os demais grupos, também registraram alta Artigos de residência (1,08%), Vestuário (0,91%), Despesas pessoais (0,77%), Comunicação (0,22%) e Educação (0,15%).
Por outro lado, Habitação (-0,24%) e Saúde e cuidados pessoais (-0,07%) apresentaram recuo e ajudaram a conter uma inflação ainda maior no mês. A queda na habitação foi influenciada principalmente pela redução de 0,92% na energia elétrica residencial.
No acumulado do ano, o IPCA em Campo Grande soma 1,59%. Já nos últimos 12 meses, o índice está em 2,66%.
Já no cenário nacional, no Brasil, a inflação acumula alta de 1,92% no ano e de 4,14% em 12 meses.
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