Sábado, 25 de Novembro de 2017

Fazendeiros

Defesa de fazendeiros diz que prisão é desnecessária e irá pedir revogação

Mandados de prisão foram cumpridos em razão de confronto com indígenas

18 AGO 2016Por GLAUCEA VACCARI18h:15

Proprietários rurais presos em cumprimento de mandados de prisão na área de conflitos com indígenas foram identificados como Jesus Camacho, Virgilio Mettifogo, Eduardo Yoshio Tominaga, Nelson Buainain Filho e Dionei Guedes.

Mandados de busca e apreensão e prisão foram expedidos pela Justiça Federal de Dourados e estão relacionados com confronto entre produtores e indígenas que aconteceu em junho, em Caarapó. Determinações foram cumpridas pela Polícia Federal. 

Advogado que representa Camacho, Mettifogo e Tominaga, Felipe Cazuo Azuma, disse ao Portal Correio do Estado que está providenciando pedido de revogação da prisão preventiva e, em último caso, deve tentar um habeas corpus para os clientes.

Ele assumiu o caso hoje e informou que ainda não conhece o processo na íntegra e está se inteirando dos fatos.

“De antemão eu posso dizer que é uma prisão desnecessária, porque todas as vezes que eles foram chamados a prestar depoimento, eles foram de livre e espontânea vontade, sem condução coercitiva”, disse o advogado.

Ainda segundo Azuma, todos já prestaram depoimento e estão em cela da Polícia Federal de Dourados.

CONFRONTO

No dia 12 de junho, índios da comunidade Tey Kuê, da etnia Guarani-Kaiowá, ocuparam a Fazenda Yvu. No dia seguinte, agentes da Polícia Federal foram notificados da ocupação por fazendeiros que os levaram até o local. Os policiais não encontraram reféns e foram informados pelos indígenas de que o proprietário poderia, em 24h, retirar o gado e seus pertences do local. Sem mandado de reintegração de posse, os PFs retornaram a Dourados.

Os proprietários rurais que foram presos hoje e mais 200 ou 300 pessoas ainda não identificadas, munidas de armas de fogo e rojões, se organizaram para expulsar os índios do local em 14 de junho. De acordo com testemunhas, foram mais de 40 caminhonetes que cercaram os índios, com auxílio de uma pá carregadeira, e começaram a disparar em direção à comunidade.

De um grupo de 40 a 50 índios, oito ficaram feridos e Clodioude Aquileu Rodrigues morreu. Dos indígenas feridos, um deles continua internado.

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