Quinta, 08 de Dezembro de 2016

GESTÃO EQUIVOCADA

Vereadores confirmam sumiço de
14.504 doses de vacina na prefeitura

Comissão apontou que 207 pessoas fora do grupo de risco foram vacinadas

29 NOV 2016Por RODOLFO CÉSAR E TAINÁ JARA17h:22

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Vereadores formada para apurar o sumiço de vacinas contra a Influenza H1N1 identificou que 14.504 doses desapareceram da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).

Esse total é acrescentado por outras 7.847 doses, que se trata de margem prudencial prevista pelas autoridades. Isso significa que esse montante já estava previsto que poderia ser perdido por conta do transporte e imprevistos. Com isso, 22.351 vacinas acabaram não sendo aplicadas. A Sesau divulgou que foram enviadas para a Capital 199.230 ampolas da proteção.

O trabalho dos integrantes da CPI ainda concluiu que a Prefeitura de Campo Grande utilizou base de cálculo diferente da recomendada pelo Ministério da Saúde para prestação de contas. Com isso, a porcentagem de pessoas vacinadas foi de 78,78% e não 96,13%, conforme divulgado oficialmente.

A análise de documentos também encontrou outros problemas. Os registros sobre as vacinas tinham rasuras, falta de referência da unidade de saúde onde houve a vacinação e ausência de assinatura do responsável, folhas de registro com numeração de controle errada; folhas que confirmaram que 207 pessoas que não pertenciam ao grupo de risco foram vacinadas e cópias ilegíveis.

Esse resultado gerou, por parte da Câmara, apenas recomendações sobre as próximas campanhas e não foi determinado procedimento para penalizar a administração municipal. O resultado desse relatório também será enviado aos Ministérios Públicos Estadual e Federal e Conselho Municipal de Saúde, que podem definir por penalizações.

O relator da CPI foi o vereador Lívio Leite (PSDB), que conseguiu se reeleger para o próximo ano. Em tom mais técnico do que crítico, ele comentou que a Vigilância Sanitária demonstrou fazer relatórios falhos. "É um registro arcaico (feito pela Vigilância)", mencionou.

A comissão foi presidida por Marcos Alex (PT) e ainda foi composta por Chiquinho Telles (PSD), Vanderlei da Silva Matos, o Vanderlei Cabeludo (PMDB) e Edson Shimabukuro (PTB).

"A intenção da CPI nunca foi uma caça às bruxas, mas ir atrás da verdade. Faltou gestão do secretário de saúde (Ivandro Fonseca)", afirmou Chiquinho Telles.

Leia Também