Domingo, 24 de Setembro de 2017

INVESTIGAÇÃO

PMs podem ser punidos por remover carro envolvido em acidente com morte

Alteração do local do crime pode resultar na prática de fraude processual

14 SET 2017Por EDUARDO MIRANDA E NATALIA YAHN09h:00

A delegada Célia Maria Bezerra investigará os motivos que levaram um sargento da Polícia Militar que trabalha na Procuradoria-Geral de Justiça ter removido o veículo de Cirlene Alves Lelis Robalinho, 48 anos, antes da chegada da Perícia Criminal, durante atendimento a acidente na Avenida José Nogueira Vieira, Bairro Tiradentes.

No acidente, a aposentada Verônica Ricalde, 91 anos, foi atropelada e morta pelo carro conduzido por Cirlene. 

Testemunhas informaram ontem que o carro de Cirlene atingiu Verônica no espaço público reservado à calçada da via. A vítima havia saído de casa para ir ao supermercado comprar ingredientes para fazer pamonha. 

Conforme Célia Maria Bezerra, titular da 4ª Delegacia de Campo Grande, a alteração do local do crime pode resultar na prática de fraude processual. “As circunstâncias serão investigadas”, disse. 

A OCORRÊNCIA

Enquanto os policiais atendiam a ocorrência e os familiares da vítima procuravam explicações para o acidente, Cirlene, que é esposa do procurador de Justiça Gilberto Robalinho da Silva, ficou dentro de uma farmácia nas proximidades do local do atropelamento.

O marido dela foi ao local dar assistência à esposa juntamente com outros três homens, alguns aparentavam estar armados. Um major da Polícia Militar, que também não tinha envolvimento direto com a ocorrência, também atuou no local do possível crime de homicídio. 

A delegada ainda vai decidir se tratará o caso como culposo, em que a autora não tem intenção, ou doloso, quando ela assume o risco. Há informações de que Cirlene estaria ao celular durante o ocorrido. 

No momento que era colocada na ambulância, o major Claudemir - da Polícia Militar - ameaçou jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas que acompanhavam o caso.

O policial disse ter recebido ordens do procurador para que Cirlene não fosse filmada ou fotograda, com risco de apreensão dos equipamentos e prisão de quem desobedesse.

O coronel Renato Tolentino, comandante metropolitano da PM, informou que o oficial não era responsável pela ocorrência e que apenas passava no local quando viu o acidente a parou para auxiliar.

*Editada às 17h55 para correção de informação.

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