Cidades

INVESTIGAÇÃO

Delegada não descarta legítima defesa
de policial que matou empresário

Adriano Correia foi morto com cinco tiros depois de briga de trânsito no último sábado

MARESSA MENDONÇA

03/01/2017 - 17h17
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A Polícia Civil não descarta a hipótese de legítima defesa no caso do policial rodoviário federal, Ricardo Hyun Su Moon, 47 anos, que matou o empresário Adriano Correia Nascimento, 32, no último dia 31 de dezembro. 

Delegada responsável pelo caso, Daniela Kades, também trabalha com a vertente de legítima defesa com excesso e homicídio simples. “a polícia está trabalhando com todas as vertentes possíveis”. Ela informou ainda ter solicitado os registros de chamadas recebidas pela Polícia Militar, Samu e Bombeiros para verificar quem acionou socorro e se há mais testemunhas sobre o caso. 

Na tarde de hoje, a  primeira testemunha da morte do empresário prestou depoimento na 1ª Delegacia de Polícia. 

Bruna Eduarda da Silva, 26,  que já foi funcionária de Adriano, trabalhava como caixa na casa noturna onde ele estava pouco antes de morrer. “Ele chegou com aquele jeito espontâneo", declarou. 

Outra testemunha, o proprietário do estabelecimento, Christian Queiroz disse ter sido procurado pela polícia para fornecer as comandas usadas por Adriano e pelos amigos dele, mas informou trabalhar com sistema de fichas. 

OUTRA INVESTIGAÇÃO

Daniela Kades explicou que o consumo de bebidas, especialmente por parte do adolescente, também é motivo de preocupação. “Questionaram a maioridade do rapaz porque ele estava com forte odor etílico. Vamos aguardar laudos e, se for verdade, tem que ser apurado pela DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) porque alguém forneceu bebida para esse menor”. 

TESTEMUNHAS 

A delegada disse ainda ter enviado ofícios para imprensa em busca do contato das pessoas que gravaram os vídeos. Isto porque alguns pontos no depoimento do policial e do amigo do empresário são contraditórios, especialmente no que diz respeito ao momento em que Moon sacou a arma. 

Conforme a delegada, a versão do adolescente foi semelhante a do policial de que a arma não foi apontada para a vítima em um primeiro momento. 

Já o amigo da vítima e outras testemunhas — que estavam em velório próximo ao local onde ocorreu o incidente —  informaram que o agente da PRF desceu do veículo em que estava com arma em punho. 

Questionada sobre a possibilidade de convocar uma reprodução simulada do crime, a delegada respondeu que “havendo pontos controvertidos, aí a polícia estuda a necessidade”, mas adiantou ser uma solicitação remota. 

CASO

O empresário Adriano Correia foi morto por um policial rodoviário federal após briga de trânsito no dia 31 de dezembro, no Centro de Campo Grande, atingido por cinco disparos, segundo a perícia. Ele sofreu duas perfurações no tórax, uma na costela e outra no braço direito. O crime aconteceu enquanto vítima e dois familiares retornavam de uma casa noturna onde foram comemorar aniversário.

Informações da Polícia Civil apontam que Ricardo Moon teria disparado pelo menos sete vezes. O caso ocorreu na Avenida Presidente Ernesto Geisel, entre a Rua 26 de Agosto e a Avenida Fernando Corrêa da Costa, quase em frente à Capela da Pax Mundial. No cruzamento da 26 com a Ernesto Geisel, peritos apreenderam sete cápsulas de pistola, e mais uma perto do veículo da vítima. 

Adriano era proprietário do Madalena Restaurante e de uma unidade do Sushi Express. Ele estava na casa noturna com dois homens da família antes de ser morto. De acordo com testemunhas, por volta das 5h50, ele e os acompanhantes seguiam em uma caminhonete Toyota Hilux pela Ernesto Geisel, quando perto do cruzamento com a Avenida Afonso Pena supostamente teriam fechado a Mitsubishi Pajero ocupada pelo PRF. Este, por sua vez, estaria indo para o trabalho e não gostou da situação. Por isso, perseguiu Adriano e os demais para tirar satisfações.

VERSÃO DO POLICIAL

A assessoria da PRF em Mato Grosso do Sul afirmou que, na versão do policial preso em flagrante, ele teria tentado abordar a caminhonete Toyota Hilux conduzida por Adriano Correia, que teria desobedecido e avançado com o veículo na direção do agente. Diante da ocorrência, o policial, que dirigia uma Mitsubishi Pajero, teria perseguido a vítima e efetuado os disparos em seguida.

VERSÃO DAS TESTEMUNHAS

Após passar pela Afonso Pena, os veículos pararam e todos desceram para discutir. Um mototaxista que teria flagrado a ação desde o início disse que a vítima pediu desculpas e falou que, caso fosse preciso, poderiam acionar a polícia de trânsito. O PRF, aparentemente alterado, não se identificou em momento algum como autoridade, sacou a arma e passou a ameaçá-los, razão pela qual todos voltaram para a caminhonete e fugiram. O autor foi atrás e atirou pelo menos sete vezes, perto do cruzamento da 26 com a Ernesto Geisel.

Adriano foi atingido, perdeu o controle da direção e, quase em frente à Capela da Pax, bateu violentamente em um poste. 

Testemunhas que acompanhavam velório na Capela afirmaram terem ouvido o som do disparo e, ao verificar o ocorrido, viram um homem caído fora da Hilux e o PRF chegando logo em seguida em sua Pajero, com a arma em punho. “As outras pessoas estavam gritando e ele desceu armado para atirar, ia matar todo mundo, mas daí ele viu esse monte de gente que saiu do velório, se assustou e guardou a arma”, afirmou uma mulher que presenciou o desfecho dos fatos, mas que preferiu não ser identificada.

Os dois homens, que seriam muito provavelmente parentes de Adriano, foram socorridos pelo Corpo de Bombeiros e levados para a Santa Casa. Um deles foi atingido na perna e o outro teria quebrado o braço em razão da batida. O corpo do motorista ficou no local até a chegada da perícia. Após os tiros, o PRF telefonou para colegas e advogado e foi embora, deixando a Pajero estacionada. Vídeo feito por testemunhas mostram o desespero de uma das vítimas gritando que o PRF matou “seu filho sem motivo” e também implorando para que policiais militares prendessem o autor.

Fiscalização

Amado Batista e BYD entram na 'lista suja do trabalho escravo' do Ministério do Trabalho

O cadastro reúne empregadores que teriam submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão

07/04/2026 20h06

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O cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD foram incluídos na “lista suja do trabalho escravo” do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), cuja nova versão foi divulgada na segunda-feira, 6. O cadastro reúne empregadores que teriam submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão.

Os casos são incluídos na lista após a conclusão de processos administrativos, com direito à ampla defesa. Os nomes permanecem publicados por dois anos.

A assessoria de imprensa de Batista afirmou, em nota, que “não houve resgate de nenhum trabalhador nas propriedades” e que “todos os funcionários continuam trabalhando normalmente” (leia mais abaixo).

Procurada, a assessoria de imprensa da BYD não enviou posicionamento ao Estadão até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Batista foi autuado em duas ações de fiscalização, em 2024, em Goianópolis (GO). A primeira envolveu 10 trabalhadores no Sítio Esperança, e a segunda, quatro funcionários do Sítio Recanto da Mata, ambos localizados na BR-060, na zona rural da cidade.

Segundo a equipe do cantor, uma fazenda “arrendada” por Batista para o plantio de milho foi alvo de fiscalização, que identificou irregularidades na contratação de quatro trabalhadores que eram funcionários de uma empresa terceirizada responsável pela abertura da área de plantio.

A assessoria afirmou que o cantor assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT), no qual “todas as obrigações dos colaboradores foram integralmente pagas e quitadas”. “Outrossim, já estão sendo tomadas todas as providências administrativas para o encerramento de todo e qualquer procedimento de autuação”, acrescentou.

A BYD também foi autuada em uma ação de fiscalização em 2024, em Camaçari (BA), onde construiu a maior fábrica de veículos elétricos da América Latina, inaugurada em 2025.

De acordo com o MTE, foram realizadas diversas diligências fiscais entre dezembro de 2024 e maio de 2025 na construção do empreendimento. Em uma dessas ações, foram identificados 471 trabalhadores chineses trazidos de forma irregular ao Brasil, dos quais 163 foram resgatados em condições análogas à escravidão.

A pasta afirmou que os funcionários “estavam submetidos a condições de vida e trabalho extremamente precárias”, sendo obrigados a dormir em camas sem colchões e guardar seus pertences junto com ferramentas de trabalho e alimentos. “Em um dos alojamentos, havia apenas um banheiro disponível para cada 31 pessoas, o que os obrigava a acordar às 4h da manhã para conseguirem se preparar para a jornada”, escreveu o MTE em comunicado divulgado na época.

Ainda segundo a pasta, os auditores-fiscais também identificaram indícios de que a BYD teria cometido fraude contra as autoridades migratórias brasileiras, com o objetivo de viabilizar a entrada dos trabalhadores estrangeiros no país sem o devido registro e em desacordo com a legislação vigente.

Ao todo, 169 novos nomes foram incluídos na atualização de segunda-feira. Criada em 2003, a “lista suja” é publicada semestralmente para divulgar os resultados das ações fiscais de combate ao trabalho escravo, que envolvem a atuação do MPT, da Auditoria Fiscal do Trabalho (AFT), da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal (MPF), da Defensoria Pública da União (DPU) e, eventualmente, de outras forças policiais.
 

Relações Internacionais

EUA ampliam diálogo com MS e avaliam cooperação em projetos estratégicos

Encontro discutiu Rota Bioceânica, segurança, educação e possíveis projetos conjuntos entre Mato Grosso do Sul e os Estados Unidos

07/04/2026 19h52

Cônsul dos Estados Unidos, Kevin Murakami, e governador Eduardo Riedel

Cônsul dos Estados Unidos, Kevin Murakami, e governador Eduardo Riedel Divulgação/Álvaro Rezende

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O governador Eduardo Riedel recebeu, na manhã desta terça-feira (7), o cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami, em visita oficial a Mato Grosso do Sul. Foi a primeira agenda do diplomata no Estado, que integra o distrito consular norte-americano ao lado de Paraná e São Paulo. O encontro teve como foco a ampliação de parcerias e a discussão de temas considerados estratégicos para o desenvolvimento regional.

Segundo o secretário da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Artur Falcette, a reunião abriu espaço para cooperação em diferentes áreas. Entre os assuntos abordados estiveram a Rota Bioceânica, o crescimento econômico do Estado, além de iniciativas em educação e segurança pública.

De acordo com o secretário, há possibilidade de projetos conjuntos entre Mato Grosso do Sul e os Estados Unidos, dependendo do avanço das tratativas.

Também participaram do encontro a procuradora-geral do Estado, Ana Ali, o vice-cônsul político, Cornelius Sanford, e a especialista política do consulado, Arlete Salvador. A presença das autoridades reforça o interesse em estreitar relações institucionais e ampliar o intercâmbio entre o governo estadual e representantes norte-americanos.

Durante a passagem por Mato Grosso do Sul, o cônsul-geral ainda cumpre agenda com autoridades da área de segurança pública e representantes do setor empresarial.

A programação inclui visita ao Bioparque Pantanal e encontros com integrantes da comunidade japonesa local, além de outras atividades voltadas ao fortalecimento das relações econômicas e culturais.

Os Estados Unidos mantêm uma parceria consolidada com Mato Grosso do Sul, envolvendo governo, iniciativa privada e sociedade civil. A cooperação já ocorre em áreas como comércio, educação, saúde e cultura. No campo ambiental, há colaboração na preservação do bioma Pantanal, com ações voltadas ao monitoramento e combate a incêndios florestais.

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