Sábado, 19 de Agosto de 2017

CAMPO GRANDE

Para Ministério Público, caso de Wesner deve ser tratado como homicídio doloso

Procurador-geral de Justiça disse que envolvidos assumiram risco de matar

17 MAR 2017Por GABRIEL MAYMONE E VALQUÍRIA ORIQUI18h:19

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPE/MS) definiu que o caso de Wesner Moreira da Silva, de 17 anos, morto depois de ser violentado com mangueira de alta pressão em lava a jato de Campo Grande, será tratado como homícidio doloso – quando há intenção ou risco de causar a morte. “A decisão foi baseada nas provas do processo. Muito contundente de que não foi brincadeira, não se brinca com a vida humana”, disse o procurador-geral de Justiça, Paulo Passos.

Com a decisão, o processo ficará sob responsabilidade da promotora Lívia Bariani, da 18ª Promotoria de Justiça. “Minha decisão foi a de encaminhar o processo ao Tribunal do Júri, para que o promotor de Justiça [Lívia Bariani] ofereça denúncia para punir, acusar e qualificar a conduta como homicídio doloso para que seja julgado no Tribunal do Júri”, explicou Passos.

ENTENDA

Houve conflito no Tribunal de Justiça sobre a tipificação do crime. Juiz recebeu processo como lesão corporal, mas entendeu que se tratava de homicídio e o encaminhou para magistrado do Tribunal do Júri, que devolveu o processo, alegando não ser sua atribuição.

Mãe de Wesner pede Justiça (Foto: Valquíria Oriqui)

O próprio Tribunal do Júri negou recentemente pedido de prisão contra o patrão e colega de trabalho de Wesner, acusados de praticarem a violência.

INQUÉRITO

A investigação policial ainda não foi concluída. De acordo com o procurador-feral, faltam algumas diligências para a conclusão do caso e encaminhamento. Passos afirma que as provas coletadas pela polícia serão analisadas pela promotora, mas que não deve alterar a decisão de tratar o caso como homicídio doloso.

Na semana passada, o delegado que cuida do caso, Paulo Sérgio Lauretto, falou sobre Independente do que o TJ entender eu vou fazer o meu indiciamento conforme as provas técnicas”, pontuou o delegado.

DOR DA FAMÍLIA

 

Na quarta-feira (15), um mês após a morte do adolescente, familiares da vítima estiveram no cemitério Monte das Oliveiras e prestaram homenagem. O grupo também protestou pedindo justiça e prisão dos envolvidos.

Ontem fez um mês que ele morreu, hoje faz um mês que foi sepultado e até agora nada. Em quem vamos confiar com a justiça cega?”, questionou Elsom Ferreira da Silva, tio do rapaz.

Familiares de Wesner prestaram homenagem no cemitério onde jovem foi sepultado em Campo Grande (Foto: Arquivo Pessoal)

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CRIME

No dia 3 de fevereiro, mangueira de ar foi introduzida no ânus do rapaz pelo patrão e colega de trabalho em lava jato na Vila Morumbi. O local chegou a ser incendiado. Já em depoimento à polícia, os agressores alegaram que tudo se tratava de uma “brincadeira” e foram liberados logo em seguida.

Perfurações levaram a retirada do intestino grosso do adolescente, que teve quadro estabilizado cinco dias depois do crime. Era ele quem mantinha a família há um mês com o que ganhava lavando carro, pois a mãe não trabalha e o pai tem câncer.  

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