Cidades

CAMPO GRANDE

Ônibus passa por buraco, peça se solta
e atinge cabeça de passageira

Mulher reclamou das condições precárias em que veículos estão

MARIANE CHIANEZI

10/08/2016 - 16h43
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Valeska Aranda, de 22 anos, foi atingida por uma peça durante trajeto do transporte coletivo na manhã de hoje, na linha que passa pelo bairro Jardim das Hortências, em Campo Grande. O objeto se soltou do painel do ônibus quando o veículo passou por um buraco e atingiu a cabeça da jovem.

Situação, conforme ela, ocorreu por conta da condição deplorável do ônibus, considerado “velho” por muitos dos passageiros. “Eu estava ao lado do motorista, próxima à catraca, quando, de repente, a peça se soltou do painel e bateu com muita força na minha cabeça. Fiquei assustada, mas graças a Deus não aconteceu nada grave”, disse ao Portal Correio do Estado.

Indignação ocorre há algum tempo, pois segundo Valeska, a linha só recebe veículos como o do incidente e não reflete os R$ 3,25 da tarifa. “É uma vergonha, o passe caro do jeito que está e ainda temos que aguentar ônibus velho caindo sobre nossas cabeças”, relatou.

A Associação das Empresas de Transportes Coletivos Urbanos de Campo Grande (Assetur) foi contatada pela jovem e informou que haverá, em um prazo de 10 dias, um possível retorno. “A atendente parecia rir da minha situação e do meu relato, fiquei muito frustrada com tudo isso”, afirmou Valeska.

O motorista prestou socorro à jovem e se prontificou a realizar um relatório para entregar na empresa. “Ele me pediu desculpas pela situação constrangedora e se colocou a minha disposição. É difícil acordar pela manhã para ir trabalhar e passar por isso”, complementou. Para ela, o incidente poderia ser pior caso a peça tivesse se soltado sob alguma criança ou idoso.

POSICIONAMENTO

A assessoria de imprensa da Assetur disse à reportagem que não estava ciente do caso, mas que o posicionamento da empresa para Valeska virá no prazo estabelecido de 10 dias. Não foi detalhado qual será, de fato, o encaminhamento sobre o caso. Em relação às condições dos ônibus, o consórcio informou que estão novos, com 6 anos, sendo que prazo de uso dos veículos são de 10 anos.

Habitação Popular

Campo Grande anuncia 352 apartamentos e prevê sorteio no início de 2027

Com investimento previsto de R$ 72,2 milhões, novos conjuntos habitacionais serão construídos nos bairros Leblon e Tarumã; unidades terão dois quartos e serão destinadas a famílias de baixa renda

15/10/2026 18h28

Campo Grande terá 352 novos apartamentos populares nos bairros Leblon e Tarumã, com sorteio previsto para o início de 2027; imagem ilustrativa de conjunto habitacional em construção.

Campo Grande terá 352 novos apartamentos populares nos bairros Leblon e Tarumã, com sorteio previsto para o início de 2027; imagem ilustrativa de conjunto habitacional em construção. Foto: Prefeitura de Campo Grande.

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A Prefeitura de Campo Grande anunciou, nesta quinta-feira (15), a construção de 352 novos apartamentos populares em dois bairros da Capital, com investimentos previstos de R$ 72,2 milhões. Os imóveis serão destinados a famílias de baixa renda, e a previsão é de que o sorteio para selecionar os beneficiários aconteça no início de 2027.

A autorização para viabilizar os empreendimentos foi assinada pela prefeita Adriane Lopes (PP). A iniciativa envolve uma parceria entre os governos federal, estadual e municipal e busca ampliar o acesso à casa própria em Campo Grande, especialmente para famílias que ainda não possuem imóvel.

Os apartamentos serão distribuídos em dois conjuntos habitacionais: o Condomínio Residencial Leblon, com 192 unidades, e o Condomínio Residencial Zélia Gattai, com outras 160. Ambos terão imóveis com dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço.

Durante o anúncio, a prefeita confirmou que a seleção dos futuros moradores deverá ocorrer no próximo ano.

"Estamos assinando um contrato para a construção de mais 352 novos apartamentos. É moradia digna para a população da nossa cidade. Serão sorteados pela Agência de Habitação no início de 2027. A gente segue com muito trabalho", afirmou Adriane Lopes.

Somados, os empreendimentos representam um investimento de R$ 72,2 milhões. A maior parte dos recursos previstos será destinada ao Residencial Leblon, responsável por aproximadamente 55% do valor total anunciado.

A construção dos conjuntos habitacionais também poderá movimentar o setor da construção civil na Capital, principalmente pela demanda por trabalhadores, materiais de construção e serviços durante a execução das obras.

Além da atividade econômica, os projetos fazem parte das ações de enfrentamento ao déficit habitacional, situação que envolve famílias sem acesso a moradias adequadas ou que precisam comprometer uma parcela elevada da renda para conseguir um lugar onde morar.

Como será o sorteio dos apartamentos?

A previsão é de que o sorteio dos imóveis seja realizado no início de 2027 pela Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha). Conforme anunciado pela prefeita Adriane Lopes (PP).

Até o momento, a Prefeitura não divulgou as datas de inscrição nem os critérios que serão utilizados para selecionar as famílias beneficiadas. Também não foi informado se os interessados precisarão realizar um novo cadastro ou se serão considerados os registros já existentes.

Os empreendimentos ainda não possuem cronograma de obras e previsão de entrega divulgados. A seleção dos beneficiários ocorrerá antes da disponibilização dos imóveis, que serão destinados a famílias de baixa renda.

Novos imóveis buscam reduzir déficit habitacional

A ampliação da oferta de moradias populares ocorre em um cenário de demanda por habitação em Campo Grande, especialmente entre famílias que enfrentam dificuldades para adquirir um imóvel no mercado imobiliário.

Para essa parcela da população, programas habitacionais representam uma alternativa de acesso à moradia, embora a participação e a contemplação dependam das regras estabelecidas para cada empreendimento.

No caso dos residenciais Leblon e Zélia Gattai, a proposta anunciada é disponibilizar apartamentos com espaços básicos para atender às necessidades das famílias contempladas.

A Prefeitura apresenta a iniciativa como parte das ações destinadas à redução do déficit habitacional e à expansão da oferta de moradias de interesse social na cidade.

A próxima etapa será o detalhamento das condições de participação e do cronograma dos empreendimentos, informações que deverão esclarecer quando os interessados poderão concorrer aos apartamentos e qual será a previsão de entrega das unidades.

 

 

 

 

 

 

 

 

Saúde Infantil

Saneamento avança em MS e acompanha queda de até 97% nas internações infantis

Estudo aponta redução de doenças na infância com a expansão da rede de esgoto; cobertura chega a 95% em Campo Grande e avança em municípios do interior do Estado.

15/10/2026 18h09

A ampliação do saneamento básico em MS acompanha a redução de doenças e internações entre crianças.

A ampliação do saneamento básico em MS acompanha a redução de doenças e internações entre crianças. Foto: Divulgação/Aegea MS

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O avanço do saneamento básico em Mato Grosso do Sul tem acompanhado uma redução expressiva nos indicadores de doenças que atingem principalmente as crianças. Em Campo Grande, um estudo elaborado por Guilherme Victor Daniel Ladislau Bezerra, vinculado à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), e Fernando Gallina, técnico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), identificou queda de 97% nas internações de crianças menores de quatro anos relacionadas às doenças analisadas.

No mesmo período, entre 2003 e 2021, a cobertura de esgotamento sanitário na Capital passou de 19% para 89,32%, evidenciando o avanço da infraestrutura de saneamento e sua relação com a melhoria dos indicadores de saúde pública.

No mesmo período, os registros de doenças diarreicas agudas (DDA) apresentaram redução de 91%, conforme o estudo Análise dos Indicadores de Saúde Pública e Esgotamento Sanitário em Campo Grande.

Os resultados apontam uma associação entre a expansão da infraestrutura de saneamento e a melhoria das condições de saúde da população, especialmente na primeira infância.

A relação também aparece em pesquisas realizadas no interior do Estado e em levantamentos sobre os impactos do acesso à coleta e ao tratamento de esgoto na saúde e na educação.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), crianças menores de cinco anos estão entre os grupos mais vulneráveis às doenças relacionadas à falta de saneamento básico, especialmente as diarreicas, que podem provocar desidratação e outras complicações.

Embora a redução das doenças também seja influenciada por fatores como atendimento médico, vacinação, higiene e condições de vida, os estudos reforçam a importância do acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário na prevenção de problemas de saúde.

Campo Grande amplia cobertura e registra queda nas internações

Na Capital, a expansão da rede de esgoto ocorreu de maneira significativa nas últimas duas décadas. Entre 2003 e 2021, o percentual da população atendida passou de 19% para 89,32%, com a ampliação do acesso ao serviço para 665.032 pessoas.

Durante esse intervalo, o levantamento identificou redução de 91% nos registros de doenças diarreicas agudas e de 97% nas internações entre crianças menores de quatro anos.

Os números mostram que o crescimento da infraestrutura sanitária ocorreu paralelamente à melhoria dos indicadores de saúde pública, embora não seja possível atribuir toda a redução das internações exclusivamente à ampliação do esgotamento sanitário.

A ampliação do saneamento básico em MS acompanha a redução de doenças e internações entre crianças.Expansão da rede de esgoto contribui para ampliar o atendimento e reduzir riscos à saúde da população. Foto: Divulgação/Aegea MS.

Atualmente, segundo a concessionária Águas Guariroba, responsável pelos serviços de água e esgoto de Campo Grande, a cobertura de esgotamento sanitário alcança 95% da população, resultado dos investimentos realizados na expansão das redes de coleta e tratamento.

A ampliação do serviço contribui para diminuir o contato da população com ambientes contaminados e reduzir os riscos de transmissão de doenças relacionadas à água e ao descarte inadequado de esgoto.

Interior de MS também registra avanço do saneamento

O crescimento da cobertura de esgoto não se restringe a Campo Grande. Nos 68 municípios do interior atendidos pela Ambiental MS Pantanal, em parceria com a Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul), o percentual de atendimento passou de aproximadamente 46% em 2021 para 81% em 2026.

Nesse período, 36 municípios alcançaram cobertura superior a 90%, ampliando o acesso da população à infraestrutura de esgotamento sanitário.

A ampliação do saneamento básico em MS acompanha a redução de doenças e internações entre crianças.Estrutura de tratamento de esgoto integra os investimentos para ampliar a cobertura de saneamento em Mato Grosso do Sul. Foto: Divulgação/Aegea MS.

Os avanços também são acompanhados por estudos que procuram identificar os efeitos da expansão desses serviços sobre as condições de saúde dos moradores.

Uma dissertação de mestrado defendida na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) pelo diretor-executivo da Ambiental MS Pantanal, Clayton Bezerra, analisou dados de Bonito, entre 2003 e 2024, e identificou a maior vulnerabilidade das crianças às doenças associadas às condições sanitárias.

Conforme a pesquisa, crianças de zero a nove anos representaram mais da metade das internações relacionadas às doenças analisadas durante o período.

“Os dados colocam esse grupo como o principal responsável pela demanda hospitalar relacionada às doenças de veiculação hídrica. E, apesar das oscilações anuais no número de internações, as crianças de zero a nove anos sempre lideraram os registros”, explica Clayton Bezerra.

Segundo o pesquisador, a melhoria dos indicadores de saúde não acontece necessariamente no mesmo ritmo da expansão das redes de esgoto.

Isso porque a instalação da infraestrutura precisa ser acompanhada da ligação dos imóveis ao sistema e da utilização contínua dos serviços, para que a população passe a ter menor exposição aos riscos sanitários.

“Os períodos de maior crescimento na cobertura costumam anteceder quedas mais consistentes nas internações, indicando que os possíveis efeitos da ampliação podem demorar a aparecer, já que dependem de fatores como implantação das redes, adesão dos domicílios, uso contínuo do serviço e diminuição da exposição a riscos ambientais”, destaca.

Falta de saneamento também afeta a educação

Além das consequências para a saúde, a ausência de coleta e tratamento de esgoto também está associada a dificuldades no desenvolvimento educacional de crianças e adolescentes.

O estudo Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento no Mato Grosso do Sul, elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a Ex Ante Consultoria Econômica, identificou uma associação entre a falta de acesso à coleta de esgoto e maiores índices de atraso escolar.

A relação reforça que os impactos da ausência de saneamento vão além dos problemas de saúde, podendo comprometer as condições de aprendizagem e a permanência dos estudantes na escola.

A exposição a doenças relacionadas à água contaminada pode prejudicar o bem-estar das crianças e interferir na frequência às aulas, especialmente em comunidades que ainda não contam com infraestrutura sanitária adequada.

Nesse contexto, a ampliação dos serviços de saneamento é considerada uma medida importante não apenas para a prevenção de doenças, mas também para a criação de condições mais favoráveis ao desenvolvimento infantil.

Investimentos buscam ampliar atendimento em MS

Em Mato Grosso do Sul, a expansão dos serviços de saneamento ocorre por meio de investimentos realizados na Capital e nos municípios do interior.

Em Campo Grande, a Águas Guariroba é responsável pelo abastecimento de água e pelos serviços de esgotamento sanitário. Já a Ambiental MS Pantanal atua na coleta e no tratamento de esgoto em 68 municípios do interior, por meio de uma parceria público-privada (PPP) com a Sanesul.

As duas empresas integram o grupo Aegea, que participa da ampliação da infraestrutura de saneamento no Estado.

Além de aumentar o número de moradores atendidos, os investimentos têm como objetivo reduzir a exposição da população a riscos sanitários, proteger os recursos hídricos e melhorar as condições de vida das famílias.

Os estudos realizados em Campo Grande e Bonito, juntamente com os levantamentos sobre os impactos econômicos e sociais do saneamento, demonstram a importância de manter a expansão dos serviços e acompanhar seus resultados ao longo dos anos.

Mais do que ampliar tubulações e estações de tratamento, o avanço do saneamento representa uma oportunidade de prevenir doenças, reduzir a pressão sobre os serviços de saúde e proporcionar condições mais saudáveis para o desenvolvimento das próximas gerações.

 

 

 

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