Quarta, 28 de Setembro de 2016

ELEIÇÕES 2016

“Não será um governo para todos e, sim, para a classe trabalhadora”, diz Suél

Candidato do PSTU defende programa socialista

21 SET 2016Por CORREIO DO ESTADO08h:00

O Correio do Estado continua hoje com a série de entrevistas com os 15 candidatos à Prefeitura de Campo Grande, conforme ordem definida em sorteio. Hoje, serão divulgadas as propostas do candidato Suél Ferranti, do PSTU, que defende programa socialista e revolucionário de gestão, com formação de conselhos populares para discussão das prioridades administrativas.

CORREIO PERGUNTA –
Quais são os setores prioritários do seu projeto de gestão?

SUÉL FERRANTI – Primeiramente há que se ressaltar que o PSTU não trata como “Projeto de Gestão” e sim um PROGRAMA SOCIALISTA E REVOLUCIONÁRIO para a classe trabalhadora, os desempregados e o povo pobre de Campo Grande. Especificamente quanto à pergunta, a prioridade será a suspensão do pagamento das dividas interna e externa, para que se possam aplicar índices maiores dos que hoje são destinados à saúde, à educação, à moradia e ao transporte público, setores, portanto, que terão prioridade em um primeiro momento. E essas mesmas prioridades serão discutidas após a formação de conselhos populares para que deliberem os respectivos percentuais e as medidas emergenciais que serão tomadas até para outros setores.

Especificamente sobre saúde, qual plano para melhorar o sistema da cidade?
O PSTU defende o fim da privatização continuada desse setor e o fim de toda gestão privada por meio das OSs ou de Fundações Privadas. Para tanto, defendemos a ESTATIZAÇÃO da saúde e o seu controle por meio dos Conselhos Populares. Nessa mesma vertente, esses mesmos conselhos populares implementarão a valorização dos profissionais da saúde, discutindo e formulando propostas junto àqueles que convivem com os problemas diários do setor (atendentes, enfermeiros, médicos, agentes de saúde) e a população e terão poder de decisão na elaboração, construção e na execução de um planejamento para o setor.

Como pretende impulsionar o desenvolvimento econômico da cidade?
Emergencialmente, com a criação de um Plano Permanente de Obras Públicas para geração de emprego com o fim de ZERAR o deficit habitacional, na construção de creches, hospitais, escolas e etc. Além disso, o PSTU impulsionará um grande mutirão em todas as áreas para o início de um processo de transição de uma gestão capitalista para um governo socialista dos trabalhadores e que essa mesma classe tenha acesso a todos os bens produzidos pelo estado. Entendemos que o atual modelo desenvolvido pelo agronegócio no estado e em Campo Grande não atende as necessidades da classe trabalhadora. Defendemos a expropriação dos grandes latifúndios e a estatização do agronegócio, a imediata retomada e demarcação das terras indígenas e a titulação das comunidades quilombolas, além de fazer a reforma agrária com amplo processo de liberação de terras aos trabalhadores para produzir alimentos.

Como colocar em prática esses projetos em tempo de crise financeira e baixo crescimento da arrecadação?
Primeiro, é preciso frisar que quem está pagando pela crise é a classe trabalhadora e o povo pobre. As elites continuam se beneficiando com o atual modelo econômico. Então, a classe trabalhadora, por meio dos conselhos populares, saberá exatamente como colocar em pratica o programa de governo do PSTU. Não será um governo para todos e, sim, para a classe trabalhadora e o povo pobre de Campo Grande. Como já mencionado acima, a primeira medida será a suspensão dos pagamentos das dívidas e a defesa e luta pelas expropriações e as estatizações. 

A cidade passou por um turbulento período político. Como avalia as consequências para a Capital? 
Na verdade, as maiores consequências caíram nas costas dos trabalhadores da cidade e, principalmente, do povo pobre. As elites sempre se beneficiaram e sempre se beneficiarão de momentos políticos ditos “turbulentos”, pois elas sempre estarão envolvidas em escândalos com o setor público, até porque financiam os candidatos que são eleitos para gerir essa sociedade capitalista. Dessa forma, o PSTU avalia que se as referências da classe trabalhadora (sindicatos, movimentos sociais, partidos políticos que se dizem “defensores” dessa classe) a incentivassem a tomar o controle de Campo Grande por meio do chamamento de uma greve geral e da formação de conselhos populares para administrar a cidade, as consequências, com certeza, seriam extremamente benéficas para a classe. Infelizmente, apesar de o PSTU sempre ter lutado por essa política alternativa e classista, essas mesmas organizações se adequaram ao sistema e optaram pela conciliação com a burguesia. Foi perdida uma grande oportunidade visando à construção de uma “Campo Grande paras as trabalhadoras, os trabalhadores e o povo pobre”.

Qual seu diferencial para se tornar prefeita de Campo Grande?
Esta é uma campanha do PSTU e eu sou apenas o militante que representa esse programa. Então, o diferencial de minha candidatura está em ser uma alternativa socialista, classista e revolucionária aos outros candidatos que se apresentam. É a única candidatura que tem em seu programa a estatização da saúde, da educação, do transporte público, do agronegócio. É uma candidatura financiada pela classe trabalhadora e não pelas elites. Nosso programa tem os temas de luta contra o machismo, o racismo, a homofobia e a xenofobia transversalizados... É o único partido que afirma que a cidade deve ser controlada por conselhos populares organizados nos bairros, na periferia, nos locais de trabalho, na educação, na saúde. Que afirma que a Câmara Municipal deve se submeter a esses Conselhos e que todo político deve ter mandato revogável, e nenhum político deve poder ganhar mais do que um operário ou uma professora. 

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