Domingo, 23 de Julho de 2017

CASO ENERGISA

Dez meses depois, polícia ainda não concluiu inquérito sobre fraude de energia

Cerca de 100 pessoas devem ser indiciadas por envolvimento em rombo

14 MAR 2017Por VALQUIRIA ORIQUI15h:48

Dez meses depois da prisão de leiturista terceirizado da Energisa, concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica em 74 municípios de Mato Grosso do Sul, a Polícia Civil ainda não concluiu inquérito sobre rombo milionário que envolve cerca de 100 pessoas.

O funcionário falsificava a leitura do relógio e tinha clientes mensalistas que chegavam a pagar entre R$ 50 e R$ 1 mil para que a quantidade de energia consumida fosse alterada.

Responsável pelo caso, João Reis Belo, da 5ª Delegacia de Polícia Civil, afirmou ao Portal Correio do Estado que solicitou prorrogação do prazo ao Ministério Público Estadual (MPE) e o procedimento está previsto para ser encerrado em 60 dias.

“O inquérito é muito volumoso, mas acredito que dentro de 60 dias seja concluído. Algumas pessoas já foram indiciadas. Ainda há diligências a serem feitas, porque os responsáveis pelos imóveis não foram localizados e muitos mudaram de residência”, explicou o delegado.

Ainda conforme Reis Belo, em alguns casos, o leiturista preso na ocasião, Daniel Ramires, de 34 anos, está sendo chamado para apontar o responsável. Não posso imputar um crime a quem não tem responsabilidade, tenho que ver quem pagava o leiturista para praticar o crime”, destacou.

Após a repercussão do caso, nenhuma outra denúncia foi recebida. “A ação teve efeito positivo, porque depois disso não recebemos mais denúncias”, pontuou o delegado.

PRISÃO

No dia 13 de maio do ano passado, a perícia técnica da polícia juntamente com o apoio da equipe da Energisa visitaram os locais indicados nas 41 contas de energia encontradas na residência do leiturista e constataram que as diferenças entre consumo real e o falso variava entre 20 mil e 60 mil kilowats.

De acordo com a polícia, os 41 “clientes” de Daniel eram mensalistas e chegavam a pagar entre R$ 50 e R$ 1 mil para que a quantidade de energia consumida fosse alterada. O leiturista admitiu que as contas guardadas na residência eram para controle próprio.

À polícia, Daniel afirmou que agia sozinho. Os clientes do funcionário estão distribuídos por bairros como Vila Carvalho, Vila Jacy, Planalto, Aero Rancho, Tijuca, Piratinga, dentre outros comércio e residências espalhados pela região.

João Reis contou que Daniel estudava o consumidor e abordava os que apresentavam potencial a cliente. Pelo crime de corrupção ativa o condenado pode pegar de dois a 12 anos de prisão.

 

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