Domingo, 25 de Setembro de 2016

INVESTIGAÇÃO

Familiares já dão como certo que corpo carbonizado é de Alceu Bueno

Pedaço de carteira e chip de ex-vereador são fortes indícios que confirmam identificação

21 SET 2016Por GABRIEL MAYMONE E VALQUÍRIA ORIQUI16h:31

Familiares de Alceu Bueno, 55 anos, já dão como certo que o corpo encontrado carbonizado, na manhã de hoje, é do ex-vereador. Vários indícios também levam a polícia a crer nesta hipótese. Exames de identificação oficial que podem confirmar a informação podem ficar prontos ainda nesta quarta-feira. 

Nesta tarde, uma pessoa ligada ao Alceu Bueno reconheceu um pedaço da carteira encontrada com o cadáver como sendo do ex-vereador. Outro forte indício é o chip de celular de Bueno que estava na cena do crime. Um pino de titânio que o empresário tinha no braço também foi constatado no corpo carbonizado.

Conforme a perícia, a identificação por outros meios está prejudicada por causa da situação do corpo. 

O carro modelo Land Rover, do empresário, ainda não foi localizado. A polícia não descarta a tese de latrocínio nem a hipótese de 'queima de arquivo', pelo fato de Bueno ter sido condenado em processo de exploração sexual infantil.

DESAPARECIMENTO

Há relatos de que os últimos contatos feitos pelo ex-vereador com conhecidos teria sido por volta das 21h de ontem, pouco antes de deixar sua empresa.  Familiares registraram boletim de ocorrência por desaparecimento hoje de manhã.

O corpo carbonizado de uma pessoa, com a língua de fora, foi encontrado por volta das 7h de hoje,  em área de matagal, na Rua Avanhandava, região do Parque dos Poderes, em Campo Grande. Há indícios de que a vítima foi assassinada por estrangulamento, segundo a polícia.

CONDENADO

Alceu Bueno renunciou ao cargo de vereador em abril do ano passado, depois de ser alvo de investigações policiais sobre envolvimento em esquema de exploração sexual de adolescentes. Em dezembro do ano passado saiu a condenação de Alceu e mais quatro pessoas pelo crime.

A sentença foi proferida pela 7ª Vara Criminal de Campo Grande, e envolve ainda o ex-vereador Robson Martins, Sérgio Assis, Fabiano Viana Otero e Luciano Pageu. A condenação de Otero foi de 11 anos e 11 meses de reclusão por extorsão, exploração sexual de vulnerável, corrupção de menores, associação para o crime e tráfico de menor para fins de exploração sexual. Se não tivesse sido beneficiado pela delação premiada, a pena dele seria de 23 anos e 10 meses.

Pageu foi condenado a 21 anos, sete meses e 20 dias de reclusão também em regime fechado. Ele é acusado de exploração sexual de vulnerável, corrupção de menores,  associação para o crime e por dois crimes de extorsão. Mas diferente de Otero, ele foi absolvido do crime de tráfico de menor por falta de provas.

Martins foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão em regime fechado e o pagamento de 93 dias-multa por extorsão. Somadas, as penas dos envolvidos nesse esquema de exploração sexual infantil são de 57 anos e 20 dias de reclusão e 93 dias-multa.

ACUSAÇÕES

Influenciadas por Fabiano Viana Otero, duas adolescentes, de 15 anos, usaram uma câmera escondida em um chaveiro para registrar quando uma delas mantinha relações sexuais com o ex-vereador Alceu Bueno.

Alceu teve dois encontros com as meninas e todos foram filmados pelas garotas. As gravações foram usadas por Fabiano e seu amigo, o empresário Luciano Pageu para extorsão. O esquema de extorsão envolveu ainda o ex-vereador Robson Martins.

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