Domingo, 19 de Novembro de 2017

interpretação

Exposição polêmica no Marco
teve idade mínima alterada

14 SET 2017Por Izabela Jornada16h:46

Coordenadora do Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul (MARCO), Lúcia Monte Serat Alves Bueno, diz que deputados estaduais se equivocaram na hora de interpretar o conteúdo da exposição de quadros da artista plástica de Minas Gerais, Alessandra Cunha Ropre, que se encontra no museu desde junho deste ano, mas mudou a idade mínima do público.

“Ela não faz apologia a pedofilia, pelo contrário, a artista é contra violência. Antes de criticar é preciso saber do que se trata a exposição”, defendeu a coordenadora. 

Mesmo indignada com a acusação vinda dos parlamentares, Lúcia aceitou o pedido deles e mudou a idade mínima do público, de 12 anos, passou para 18 anos.

Ela declarou que “é um absurdo as pessoas não entenderem o contexto da exposição”. “A artista critica agressão à mulher, mostrando as cicatrizes e todo o processo de violência que as mesmas sofrem”, disse.

A exposição está no Marco desde junho deste ano e termina no dia 20 de setembro. “É uma mostra delicada e ao mesmo tempo agressiva. É algo para ser refletido. Arte não é apenas para ser apreciada. Tem arte que é para ser discutida e é o caso dessa exposição”, ratificou Lúcia.

Alguns parlamentares, durante sessão na Assembleia Legislativa de hoje, se sentiram desconfortáveis com a exposição da artista mineira. “Tem que mandar arrancar aquilo de lá. Prezamos a defesa dos bons costumes”, disse o deputado estadual Lídio Lopes (PEN), que também critica a recomendação da mostra, sensurando as imagens a crianças menores de 12 anos. 

A coordenadora do museu explicou que a idade de 12 anos foi escolhida pela autora da exposição estrategicamente. “Os quadros ficam dentro de sala fechada e quando recebemos as crianças, explicamos o conteúdo das imagens, conscientizando-as sobre a pedofilia e a violência contra a mulher”, explicou Lúcia.

Mesmo sendo criticada, a exposição, de acordo com a coordenadora, tem o objetivo de alertar as crianças sobre os prejuízos que a pedofilia e a agressão contra a mulher ocasionam. “Os debates são tão positivos. Tem adolescentes que acabam dizendo sobre agressões que sofrem em casa”, disse ela. 

BOLETIM DE OCORRÊNCIA

Os deputados estaduais Coronel David (PSC), Paulo Siufi (PMDB) e Herculano Borges (SD) foram até a Delegacia Especializada de Proteção a Criança e ao Adolescente (DEPCA), na tarde de hoje, e registrram boletim de ocorrência cobrando providências das autoridades considerando a exposição de caráter sexual desrespeitoso, ofensivo e impróprio, além de ferir a moral e os bons costumes.

CURADORIA

Lúcia Mon Serat disse também que a escolha da exposição fica sob responsabilidade de 4 integrantes da curadoria do museu. “Abrimos edital todo ano. A curadoria seleciona os trabahos. Tratamos tudo com muita seriedade e carinho. Acredito que essa polêmica toda surgiu de modismo”, disse a coordenadora ao se referir a exposição do Santander Cultural, em Porto Alegre - RS, que acabou cancelada sob a acusação de fazer promoção de pedofilia, zoofilia e blasfêmia.

A artista plástica, Alessandra, nem sabe ainda da polêmica em cima de sua mostra de quadros. “Vou avisa-la agora à tarde”, finalizou Lúcia. 

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