Cidades

FORÇA-TAREFA

Em operação, segurança pública desafia criminosos que agem em presídios da Capital

Série de ações para apreender celulares e outros ilícitos foram feitas desde o dia 3

LAURA HOLSBACK

05/02/2016 - 11h00
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Criminosos que mesmo atrás das grades continuam agindo com auxílio de comparsas do lado de fora de presídios de Campo Grande foram desafiados pela segurança pública que, há três dias, deflagra operação surpresa em dois estabelecimentos penais.

Em série de pentes-finos que começaram na quarta-feira (3), mais de 100 aparelhos celulares – principal ferramenta de comunicação dos presidiários, foram apreendidos. Além disso, em celas, foram encontradas mais de mil porções de maconha e outras de cocaína. Até balanças foram achadas, comprovando que, além de planejar e ordenar crimes de trás das grades, presos também comercializam drogas entre eles.

Os estabelecimentos prisionais alvos da força-tarefa foram: o Ptran (Presídio de Trânsito) e Presídio de Segurança Máxima, localizados no Bairro Noroeste. No dia 3, no Ptran, agentes penitenciários, amparados por policiais militares do Batalhão de Choque, apreenderam 14 aparelhos celulares e algumas porções de maconha. Ontem (4), foi a vez da revista acontecer na Máxima. Apenas em um ponto, feito de esconderijo em local restrito a presos, no pátio, foram encontrados pouco mais de 80 telefones.

Ao todo, foram apreendidos 119 celulares. Mais de mil papelotes de maconha e 452 de cocaína também foram interceptados. Foram apreendidos, ainda, 230 litros de bebida alcoólica artesanal. A última ação da série ocorreu na manhã de hoje e o resultado ainda não foi divulgado.

''SURPRESA''

Os números foram divulgados pelo diretor-presidente da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), Ailton Stropa. Ele garante que a operação ''surpresa'', desencadeada apenas em duas das oito unidades penais, foi planejada em caráter preventivo, não por ter havido denúncia pontual. “Nosso objetivo é sempre coibir a entrada de materiais ilícitos. Muitos entram arremessados por muros e outros por visitantes, já que sem aparelho raio-x, não temos capacidade plena de barrar”, justificou.

Questionado sobre a possibilidade de servidores facilitarem o ingresso de celulares, por exemplo, o diretor-presidente da Agepen foi taxativo. “Sem flagrantes não tenho como dizer se facilitam ou não”, pontuou.

PRESOS DA CAPITAL

Conforme Stropa, a massa carcerária de Campo Grande é composta por cerca de 6,1 mil presos, entre os regimes semiaberto, aberto e fechado. 2,2 mil deles estão no Presídio de Segurança Máxima, tido como o mais problemático para a segurança pública, uma vez que são de lá que partem ordens para crimes graves como roubos e assassinatos.

Ao redor dele, foi instalado pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), em 2014, bloqueadores de sinais, mas que nunca funcionaram plenamente. Desde a época da ativação, crimes comandados por presos continuaram ocorrendo. Hoje, a justificativa para o acesso ao serviço de telefonia que permanece dentro da unidade é a tecnologia. “Os equipamentos barram sinal 3G e a tecnologia dos aparelhos de hoje evoluíram. Mesmo assim, constantemente, são feitas manutenções”, defendeu Stropa.

 

TRÁFICO DE DROGAS

Operação da Polícia Federal desarticula facção criminosa em 3 cidades de MS

Ação cumpre 41 ordens judiciais em quatro estados contra organização criminosa baseada em Ponta Porã

19/05/2026 07h55

A ofensiva da PF teve como ponto de partida a apreensão de 551,9 kg de cocaína em dezembro de 2024, na cidade de Ponta Porã

A ofensiva da PF teve como ponto de partida a apreensão de 551,9 kg de cocaína em dezembro de 2024, na cidade de Ponta Porã Divulgação: Polícia Federal

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Na manhã desta terça-feira (19), a Polícia Federal deflagrou a Operação Lucis para desarticular uma organização criminosa voltada ao tráfico internacional de drogas, lavagem de capitais e delitos correlatos.

Ao todo, são cumpridos nove mandados de prisão preventiva e 32 mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro de bens, valores e imóveis em desfavor de pessoas físicas e jurídicas investigadas.

Em Mato Grosso do Sul, as ordens judiciais são cumpridas nos municípios de Ponta Porã, Dourados e Campo Grande, além de outras cidades em três estados: São Paulo (SP), Guarulhos (SP), Peixoto de Azevedo (MT) e Porto Seguro (BA).

A operação conta com a participação de policiais federais lotados nos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Mato Grosso e Bahia, além do apoio do TOR/MS e do BOPE/MT.

A investigação teve início a partir da apreensão de 551,9 kg de cocaína, realizada no dia 19 dezembro de 2024 pelo Tático Ostensivo Rodoviário da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (TOR/MS), na MS-164, em Ponta Porã. A droga foi encontrada em um depósito após uma denúncia anônima. O valor estimado dos entorpecentes apreendidos é de R$ 41.392.500,00.

A ofensiva da PF teve como ponto de partida a apreensão de 551,9 kg de cocaína em dezembro de 2024, na cidade de Ponta Porã

A equipe do TOR recebeu informações sobre um veículo Citroen/C3 que estaria transportando drogas. No local indicado, os policiais avistaram o carro e avistaram um casal de passageiros fugir para o interior de um depósito. O motorista do veículo tentou escapar em direção ao Paraguai, mas não conseguiu.

Um homem, de 39 anos, e uma mulher, de 29, ambos de Avaré (SP), foram detidos e informaram que haviam sido contratados para embalar e transportar a droga, mas não sabiam o destino final.

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Levantamento

Segurança pública: apenas 32% se sentem seguros na cidade onde vivem

Pesquisa aponta ainda que 82% apoiam câmeras corporais em policiais

18/05/2026 23h00

Divulgação / PMMS

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Pesquisa do Instituto Sou da Paz sobre segurança pública mostra que a maioria da população brasileira defende propostas que priorizam eficiência, prevenção, uso de tecnologia e respeito à lei. O estudo mostra ainda que os a maior parte dos entrevistados não se sente segura na cidade onde, especialmente as mulheres. 

A pesquisa revela, por exemplo, que a frase “bandido bom é bandido morto” não encontra adesão ampla na sociedade – apenas 20% concordam com ela. No entanto, 73% acreditam que os criminosos devem ser julgados e presos pelos seus crimes.

“A sociedade brasileira está cansada de promessas antiquadas e deseja outras formas de pensar esse tema, para além dos radicalismos cristalizados que não têm trazido resultados reais no dia a dia das pessoas. Há uma maioria silenciosa que busca resultados e eficácia, por isso apoia novas ideias sobre a segurança pública”, destacou a diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo.

Realizado pela Oma Pesquisa, o estudo divulgado nesta segunda-feira (18) foi realizado de novembro a dezembro de 2025, com abrangência nacional e contou com 1.115 entrevistas presenciais, pessoais e domiciliares. 

De acordo com o estudo, a maior parte da população (55%) acredita que o país precisa aplicar as leis já existentes a todos os criminosos, enquanto apenas uma parcela (39%) acredita na necessidade do aumento das penas. 

A pesquisa revela também que 77% da população entendem que armas legalmente compradas também podem ser utilizadas em atos violentos quando são roubadas; e 73% afirmam que ter mais armas em circulação gera mais violência. 

Sobre atuação policial, 82% são favoráveis ao uso de câmeras corporais como tecnologias protetivas e 65% acreditam que é preciso uma polícia melhor e mais preparada.

Mulheres
A pesquisa demonstra ainda que apenas 32% das pessoas se sentem seguras na cidade onde moram, índice que cai para 26% entre as mulheres. O levantamento mostra também que 83% das pessoas identificaram a violência contra a mulher presente em suas cidades.

Para transformar a segurança pública nos próximos anos, o Instituto Sou da Paz recomenda cinco prioridades: proteger meninas e mulheres, fortalecer polícias mais preparadas e valorizadas, enfrentar o crime organizado, reduzir roubos e retirar armas ilegais de circulação.

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