Cidades

RECAPTURADOS

Com ajuda de helicóptero, policiais militares prendem criminosos foragidos

Policiamento aconteceu no Nova Lima, Estrela do Sul, Carandá Bosque e Noroeste

IZABELA JORNADA

05/05/2017 - 11h06
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Durante operação do programa de policiamento ostensivo e preventivo aéreo da Polícia Militar, o 9ª Batalhão recapturou criminosos com mandado de prisão em aberto. A operação, que aconteceu na tarde de ontem (4), abrangeu os bairros Nova Lima, Estrela do Sul, Carandá Bosque, Jardim Noroeste e região. 

Os foragidos com passagem por tráfico de drogas estavam em pontos distintos e, ao visualizarem as viaturas, tentaram fugir, porém, com apoio da aeronave Harpia 01, militares prenderam os suspeitos. 

Motocicleta que havia sido furtada foi recuperada durante os trabalhos.

O policiamento encerrou com abordagem de 84 pessoas, 19 veículos, cinco pessoa conduzidas à delegacia, três mandados de prisão cumpridos, dois autos de infração emitidos, um veículo encaminhado ao Departamento de Trânsito (Detran) e outro recuperado.

A operação da Polícia Militar acontece diariamente, desde o dia 20 de abril, e o helicóptero PT-GMS, conhecido como Harpia 01, é empregado no policiamento ostensivo, preventivo e repressivo de Campo Grande, atuando isolada ou conjuntamente com os batalhões. A aeronave e o efetivo permanecem em sua base durante todo o período do serviço acompanhando pela rede de rádio, telefone e outros canais as ocorrências em andamento e solicitações das viaturas.

De acordo com o piloto da aeronave, tenente coronel PM, Rosalino Gimenez Filho, a presença da aeronave nos locais de ocorrências gera nos policiais sensação de segurança e melhor respaldo para executar as atividades operacionais, pois em comunicação com a aeronave, o operador tem informações privilegiadas, onde helicóptero é ‘excelente plataforma de observação’ e tem raio de visão de 360º numa distância aproximada de 10 quilômetros.

 

Ludopatia

Restrição de bets pode ajudar viciados a mudar comportamento, diz especialista

Presidente Lula assinou, na sexta-feira, uma medida provisória que proíbe cassinos virtuais de operarem no Brasil

28/09/2026 08h15

A partir do dia 6 de outubro todos os aplicativos e site de bets deverão sair do ar, em todo o Brasil

A partir do dia 6 de outubro todos os aplicativos e site de bets deverão sair do ar, em todo o Brasil Foto: Paulo Ribas/arquivo

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A medida provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que pôs fim às casas de apostas em território nacional deve trazer uma nova vida aos dependentes do jogo virtual em Mato Grosso do Sul, especialmente aos diagnosticados com ludopatia (transtorno mental que se caracteriza pelo desejo incontrolável e compulsivo de jogar), que devem ter uma mudança de comportamento, segundo especialista.

No início deste mês, quando o debate em proibir ou não os cassinos virtuais ainda estava devagar, o Correio do Estado realizou uma série de reportagens que revelou 11 casos de ludopatas sul-mato-grossenses que, acumulados, investiram e movimentaram mais de R$ 22,7 milhões dentro dos sistemas das plataformas, além de terem perdido cerca de R$ 1,7 milhão desse montante total.

A análise consolidada e detalhada dos 11 processos revelou a magnitude de uma verdadeira engrenagem de esvaziamento patrimonial estruturada em ambiente digital. O valor perdido pelos apostadores representa o dinheiro de subsistência de famílias inteiras, economias de décadas e recursos obtidos por meio de empréstimos bancários desesperados.

A disparidade monumental entre o prejuízo líquido de bolso e o giro contábil do sistema ilustra com precisão o fenômeno da “reciclagem de capital”, sintoma clássico da ludopatia. Sob o efeito do sistema de recompensa do cérebro (sequestro dopaminérgico), o doente perde a capacidade de reter os seus ganhos transitórios. 

Cada prêmio obtido não retorna para a conta bancária do indivíduo; ele é reinserido de forma compulsiva e intradiária em novas e maiores jogadas, girando infinitamente na máquina até sua progressiva exaustão.

Os exemplos apresentados pelo Correio do Estado há semanas ajudam a entender o apelo do público e do governo federal pelo fim das bets, que chegou a sofrer resistência, especialmente dos clubes de futebol, que argumentaram que o “mercado clandestino vai continuar existindo em paralelo”, justificativa que não surtiu efeito na cúpula federal.

À reportagem, o psicólogo clínico Alexandre Zanirato Contini da Silva Vitoriano, especialista em Análise do Comportamento, disse que somente a proibição das casas de apostas esportivas não é o suficiente para mudar um comportamento cultural, que já estaria enraizado na população, mas que é o primeiro passo para se conquistar essa mudança.

“A proibição em si atua mais como ferramenta de controle do que como tratamento. Porém, reduzindo o acesso a contextos onde os comportamentos de apostar sejam possíveis, cria-se mais oportunidades para outros comportamentos ocorrerem e serem mantidos com o passar do tempo”, destaca.

Além disso, o especialista evitou afirmar que as pessoas viciadas continuarão jogando no mercado clandestino – argumento apresentado pelos favoráveis à manutenção do mundo das bets. Por outro lado, ele declara que é muito importante que haja um acompanhamento de outras formas de acesso nas plataformas.

“É esperado que ocorra o fenômeno da resistência comportamental, algo natural em qualquer tentativa de mudança. Podemos observar a busca por outras formas de acesso, mas também por formas diferentes de entrar em contato com aquela mesma consequência gerada a partir dos comportamentos de apostar”, sustenta o psicólogo.

DADOS ESTADUAIS

Há alguns anos, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento presencial especializado em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e em outros serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps).

Em março deste ano o Ministério da Saúde lançou o mesmo atendimento de forma virtual, por meio do aplicativo Meu SUS Digital, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, visando ampliar a acessibilidade. 

De acordo com a Pasta, 27.701 pacientes já se cadastraram no serviço on-line, desses, 304 pacientes estão em Mato Grosso do Sul. 

A alta procura fez com que o Ministério da Saúde ampliasse o serviço de forma significativa no mês passado, passando de 600 atendimentos mensais para 100 mil teleconsultas.

Outro levantamento, desta vez do Ministério da Fazenda, aponta que 3,35% dos campo-grandenses estão envolvidos em jogos de azar on-line, o que corresponde a aproximadamente 32,5 mil pessoas. 

Esse número é superior à população de 79,75% dos municípios de Mato Grosso do Sul, ou seja, 63 municípios dos 79 municípios, de acordo com a última estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

A título de comparação, o número de apostadores na Capital é praticamente igual ao da população de São Gabriel do Oeste e maior que o da população de Ivinhema, de Aparecida do Taboado, de Costa Rica e de Miranda. 

Mesmo com esse panorama estadual que assusta, Campo Grande é uma das capitais com o menor porcentual de apostadores em seu território. Para efeito de comparação, quem lidera essa lista é o Rio de Janeiro (RJ), com 26,89% da população sendo apostadores, portanto, um a cada quatro cariocas está no mundo das apostas esportivas.

MP

A assinatura da medida provisória ocorreu na noite da sexta-feira, em São Paulo, em evento chamado de Apresentação de Novas Medidas de Proteção às Famílias e à Economia Popular. De acordo com o que foi apresentado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, apostadores terão até o dia 5 de outubro, às 23h59min, para retirar o saldo restante nas plataformas de cassino.

Esse mesmo prazo deverá ser seguido para a retirada de todas as peças e ações de publicidade, propaganda e marketing de bets, tanto em meios físicos como digitais, que também acompanha a retirada de marcas oriundas de contratos de patrocínio.

“Então, a partir da publicação desta medida provisória, as contas onde as plataformas de apostas recebem os aportes dos apostadores não serão mais admitidas nenhum novo aporte a partir da publicação da medida provisória”, disse Durigan.

A partir do dia 6 de outubro, os sites e aplicativos saem do ar. Entre os dias 7 e 8 do mesmo mês, as bets devem informar aos bancos que operam os valores que estão nas contas por Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), que devem ser devolvidos via bancos até dia 14 de outubro. Por fim, do dia 15 em diante, a Caixa Econômica Federal intermediará a devolução aos apostadores em caso de impedimento.

“Virou uma espécie de jogatina sem controle. Me lembrou o começo do ‘crack’ neste País. As pessoas perderam o limite de qualquer responsabilidade e estava acontecendo a mesma coisa com as bets, com um grau muito maior por ser digital. É preciso ter um controle, não é brincadeira, é uma coisa muito séria. Ou a gente tira esse tumor, ou esse tumor mata a gente”, disse o presidente Lula depois de assinar a MP.

Apuração do G1 revelou ainda que, além da proibição das bets, o governo deve mandar ao Congresso Nacional a proposta de que explorar ou operar as chamadas “apostas de quota fixa”, por qualquer meio, passará a ser crime punido com reclusão de quatro a seis anos, além de multa.

LUDOPATIA

A ludopatia, ou Transtorno do Jogo (CID-10 F63.0/CID-11 6C50), é um transtorno mental crônico e progressivo de base neurobiológica que afeta diretamente o sistema mesolímbico dopaminérgico – os circuitos de recompensa cerebral responsáveis pelas noções de motivação, prazer e avaliação de risco. 

Cientificamente equiparável à dependência química de substâncias psicotrópicas, a doença compromete a capacidade de julgamento crítico e controle de impulsos do indivíduo. (Colaborou Eduardo Miranda).

Discord

Jovem que levou Lívia à morte já havia sido apreendido em SP

Um dos adolescentes que participava do grupo extremista que atuou na morte da menina de Mato Grosso do Sul já havia sido investigado anteriormente

28/09/2026 08h05

Michele Prado, durante painel sobre o ECA Digital, no Congresso de Jornalismo de Educação

Michele Prado, durante painel sobre o ECA Digital, no Congresso de Jornalismo de Educação Foto: Daiany Albuquerque

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Um dos adolescentes que foi apreendido por participar da morte de Lívia, de apenas 13 anos, durante uma live em redes sociais, já havia sido preso tempos antes de a menina de Mato Grosso do Sul ter sido induzida à morte por um grupo extremista.

Segundo apurou reportagem do Correio do Estado, pelo menos um dos adolescentes que foram apreendidos por participar do crime já havia sido identificado pela delegada Lisandrea Salvariego, da Polícia Civil de São Paulo.

O jovem foi identificado em investigação por participar de grupos extremistas que realizavam violência contra animais e pessoas em eventos pela internet. Na época, a delegada, que é chefe do Núcleo de

Observação e Análise Digital (Noad) da Polícia Civil de São Paulo, apreendeu o jovem, porém, ele foi solto após passado um período.

Depois de ser colocado em liberdade, ele retornou para os grupos e seria um dos que incentivou a adolescente de Naviraí a tirar a própria vida durante transmissão nas redes sociais.

O caso desse jovem não é isolado, já que 5 dos 11 adolescentes que foram apreendidos até hoje em operações relacionadas à morte de Lívia foram colocados em liberdade pela Justiça.

Os jovens que foram liberados são os cinco que haviam sido apreendidos na primeira operação relacionada à morte de Lívia, realizada no dia 4 de agosto deste ano. Na ocasião, além dos cinco adolescentes, um jovem de 18 anos foi preso por participação na morte da adolescente.

Lívia morreu no dia 22 de julho deste ano. No início, o caso chegou a ser tratado como suicídio, porém, foi descoberto que a morte dela foi transmitida em plataformas digitais, o que gerou uma investigação que descobriu que a adolescente foi, na verdade, vítima de um grupo e de violência extrema, que a levou à morte.

De acordo com a investigação, o “evento”, forma como os grupos extremistas chamam as lives, havia sido marcado pelo Discord, entretanto, a morte de Lívia foi transmitida pelo Telegram e pelo TikTok.

Desde o fato, duas operações foram feitas, coordenadas pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) de Campo Grande, que cumpriram mandados em nove estados: Rio de Janeiro, Ceará, Minas Gerais, Pará, Mato Grosso do Sul, Bahia, Distrito Federal, Rio Grande do Sul e São Paulo.

EXTREMISTAS

Segundo a especialista em Extremismo e Terrorismo On-line e assessora especial do Núcleo de Prevenção à Violência Extrema (Nupve) do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), Michele Prado, esse tipo de prática começou a ser mais frequente no Brasil a partir de 2021. De lá para cá, diversas operações foram realizadas e jovens de todo o País foram apreendidos, porém, os grupos são recriados após serem tirados do ar.

Conforme Michele Prado, o perfil desses jovens não está ligado à classe social, mas sim a aspectos muito além desse.

“A maioria tem algum tipo de vulnerabilidade, ou psicológica, ou social, algum tipo de sofrimento, alguma depressão, ou já tem ideação suicida, ou já estava inserido antes em subculturas on-line violentas, mas todos, sem exceção, têm excesso de telas”, avalia a especialista ouvida pelo Correio do Estado durante o 10º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação 2026 (Jeduca).

O uso indiscriminado do celular ou do computador, inclusive, é tido como o principal problema e pode levar os jovens para esses grupos.

“Eles são hiperconectados, porém, extremamente solitários. Então, eles querem amigos, eles querem se sentir ‘o máximo’, eles querem ter status, notoriedade, influência ali dentro. É o capital social deles. A mobilização principal é essa, é o sadismo para ter o status. Quanto mais sádico você é, mais status você tem. E vira um ciclo vicioso”, explica Michele Prado, que atua, com o procurador de Justiça Fábio Costa Pereira, na identificação desses grupos, não só no Rio Grande do Sul, mas em todo o País.

Para Michele, a conversa e o monitoramento são os principais caminhos que os pais devem seguir para evitar que seus filhos entrem nesses grupos extremistas.

“Primeiro, é olhar para os filhos e conversar com eles. Verificar se existe algum tipo de sofrimento mental ou psíquico acontecendo. Se ele tem amigos. Os pais pararam de conversar com os filhos. Não é só as crianças que estão on-line, os pais também”, alerta.

* Saiba 

Até agora, 12 pessoas foram identificadas pela Polícia Civil por atuarem diretamente na morte da menina Lívia, de 13 anos, que ocorreu no dia 22 de julho deste ano, em Naviraí. No total, são 11 adolescentes entre 14 e 17 anos e um jovem de 18 anos.

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