99 militares femininas ficam em Campo Grande (Exército Brasileiro) e 9 em Ladário (Marinha do Brasil)
Forças Armadas brasileiras vivem um marco histórico nesta segunda-feira (2).
É a primeira vez, na história, que mulheres integram o serviço militar inicial, como soldados/recrutas, no Exército Brasileiro, Marinha do Brasil e Força Aérea Brasileira.
Ao todo, 108 soldados femininas integram, nesta segunda-feira (2), o serviço militar inicial das Forças Armadas em Mato Grosso do Sul, sendo 99 em Campo Grande (Exército Brasileiro) e 9 em Ladário (Marinha do Brasil).
Em Campo Grande, das 99 novas integrantes do Exército Brasileiro, 12 vão trabalhar no Hospital Militar de Campo Grande (HMilCG), 26 no Colégio Militar de Campo Grande (CMCG) e 61 no Comando Militar do Oeste (CMO).
Em Ladário, as 9 militares femininas farão parte do 6° Distrito Naval (6°DN). Elas vão integrar as áreas de administração, enfermaria, alimentação, intendência, manutenção e comunicação.
Cerimônia de incorporação das soldados ocorreu na manhã desta segunda-feira (2), simultaneamente, em várias cidades do Brasil. Em Campo Grande (MS), a solenidade aconteceu no Comando Militar do Oeste, localizado na avenida Duque de Caxias, em Campo Grande.
O evento teve marcha, desfile, revista a tropa, apresentação da tropa e execução do hino nacional, com participação dos familiares das soldados. O deputado federal Beto Pereira (PSDB) e a deputada estadual Gleice Jane (PT) marcaram presença no evento.

Soldado, Vitória Nogueira, de 18 anos. Foto: Marcelo Victor
Soldado, Vitória Nogueira, de 18 anos, sempre sonhou em ser militar.
"Resolvi servir por causa da escola e por causa do incentivo dos meus pais. Sempre quis servir e daí abriu oportunidade, aí eu me alistei. É muito gratificante. A gente sente muito honrada de poder estar aqui. Eu quero ser um major, um cabo, o mais alto possível. É algo incrível, né? A gente vê as mulheres no topo. A gente vê as mulheres se formando inclusive hoje", contou.
Manicure, Leiliane Cardoso Nogueira dos Anjos, mãe de Vitória, está muito orgulhosa da filha.
"Meu coração está muito muito acelerado, muito feliz, muito contente e admirada da coragem dela, é muito lindo. É muito lindo estar aqui, muito lindo poder sentir isso. Muito honrada", disse, emocionada.
Segundo a tenente Amanda, instrutora das novas soldados, as meninas passarão por uma adaptação da vida civil para a vida militar nos próximos dias.
“Elas vão ter um período pequeno de internato, em que elas vão vivenciar um pouco mais a rotina militar e após isso elas seguem tendo instruções aqui conosco e após isso elas vão ser distribuídas nas diversas organizações militares", explicou.
Cerimônia de incorporação das soldados femininas no CMO. Foto: Marcelo VictorAté então, apenas homens ingressavam como soldados no serviço militar inicial. A partir de 2026, mulheres também são incorporadas. A diferença é que as mulheres se candidatam voluntariamente e homens obrigatoriamente.
Até 2030, o Exército Brasileiro pretende alcançar 20% do público feminino no serviço militar inicial.
Antes, só era possível uma mulher ingressar nas Forças Armadas como militares de carreira, mediante aprovação em concurso público, ou como militares temporárias, por meio de seleção conduzida pelas Regiões Militares.
Ao todo, 586 moças se alistaram nas Forças Armadas, sendo 421 em Campo Grande (Exército Brasileiro), 132 em Corumbá (Marinha do Brasil) e 33 em Ladário (Marinha do Brasil).
As voluntárias passaram por diversas fases ao longo de oito meses:
- Alistamento (1° janeiro a 30 de junho de 2025)
- Seleção – exame de saúde, inspeção dentária e entrevista (1 a 11 de julho de 2025)
- Designação – resultado (2 de janeiro de 2026)
- Seleção complementar (primeira semana de fevereiro de 2026)
- Resultado final (6 de fevereiro de 2026)
- Incorporação – entrada nas Forças Armadas (2 de março de 2026)
A remuneração é equivalente a um salário-mínimo (R$ 1.621,00), acrescido de vale-transporte. Elas começam como soldados, mas podem crescer na carreira militar e chegar até a patente de 3° sargento.
As voluntárias não terão estabilidade no serviço militar e, após o desligamento do serviço ativo, integrarão a reserva não remunerada das Forças Armadas.
De acordo com o General de Brigada de Exército, Zanon, 1.010 mulheres de 38 organizações militares em 14 cidades brasileiras ingressam nas Forças Armadas como soldados/recrutas.
ALISTAMENTO FEMININO
Mulheres podem ingressar nas Forças Armadas de forma voluntária e permanecer na corporação por até 8 anos, sendo que o contrato deve ser renovado de 1 em 1 ano. É possível chegar até a patente de 3º Sargento, mediante realização de cursos de formação.
Os requisitos para conseguir uma vaga são:
- Ter nascido em 2007 e completar 18 anos em 2025
- Saúde em perfeito estado – exame médico e odontológico
O Governo Federal publicou, no dia 28 de agosto, o Decreto nº 12.154, de 27 de agosto de 2024, que regulamenta o Serviço Militar Inicial Feminino voluntário no Brasil.
Uma vez incorporadas, as militares estarão sujeitas aos direitos, deveres e penalidades estabelecidos pela Lei nº 4.375, de 17 de agosto de 1964, e pelo Decreto nº 57.654, de 20 de janeiro de 1966.
Até então, só era possível uma mulher ingressar nas Forças Armadas como militares de carreira, mediante aprovação em concurso público, ou como militares temporárias, por meio de seleção conduzida pelas Regiões Militares.
As voluntárias não terão estabilidade no serviço militar e, após o desligamento do serviço ativo, integrarão a reserva não remunerada das Forças Armadas.
Até 2030, o Exército Brasileiro pretende alcançar 20% do público feminino no serviço militar inicial.