Segunda, 21 de Agosto de 2017

Saúde

Apenas dois postos contam com
pediatra, aponta escala médica

Déficit de médicos na rede pública afeta o atendimento diário a população

19 ABR 2017Por NATALIA YAHN09h:10

Cada vez mais evidente, o déficit de médicos na rede pública municipal de saúde afeta o atendimento diário a população. Nesta quarta-feira (19), de acordo com a escala dos profissionais na urgência e emergência nas seis Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e nos quatro Centros Regionais de Saúde (CRS) apenas dois postos estão com pediatras disponíveis no período da manhã. Cinco médicos devem atender na UPA do Bairro Coronel Antonino e outros cinco na UPA Vila Almeida.

Já no período da tarde serão 12 profissionais divididos em três grupos de quatro médicos cada, nas mesmas unidades onde estarão de manhã e ainda na UPA do Bairro Universitário. Somente a noite o atendimento pediátrico infantil terá reforço com médicos em oito das dez unidades. Na UPA Santa Mônica e no CRS do Aero Rancho não haverá pediatra durante todo o dia.

A situação da UPA Santa Mônica foi mostrada em reportagem do Portal Correio do Estado na sexta-feira (14). Sem médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde, falta de equipamentos, móveis e exames de diagnósticos, a unidade é investigada pelo Ministério Público do Estado (MPE-MS) por irregularidades no funcionamento. 

A presença de médicos no local é raridade. O problema é constante e nunca foi solucionado desde a inauguração do prédio, em julho de 2016. A unidade só começou a funcionar efetivamente semanas depois, e mesmo assim médico pediatra, por exemplo, nunca atendeu no local. 

A orientação dada às mães que vão ao local em busca de atendimento pediátrico para os filhos é de que devem se deslocar até a UPA Vila Almeida. “É sempre isso que nos falam, nunca tem pediatra nesta UPA (Santa Mônica)”, afirma a dona de casa Alice Espíndola, 37 anos, que é mãe de quatro filhos e não encontra horário disponível na Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) Serradinho para que o filho caçula de sete meses, Murilo, passe por consulta agendada com pediatra. “Ele tem que ir todo mês, mas não tem médico lá também para atender os moradores do Nova Campo Grande, o médico responsável pelo pessoal do Jardim Carioca é quem está atendendo todo mundo. Ele não dá conta, é muita gente”.

INVESTIGAÇÃO
Conduzida pela titular da 32ª Promotoria de Justiça de Saúde Pública de Campo Grande, Filomena Fluminhan, a investigação da UPA Santa Mônica é para apurar falta e insuficiência de profissionais para o preenchimento de todos os turnos de atendimento, principalmente médicos clínicos e pediatras, enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêuticos - o que resulta no fechamento da farmácia deixando os pacientes sem remédios - e técnico em radiologia. No local também existe falta e insuficiência de equipamentos, mobiliários e exames diagnósticos, principalmente para exame de raio-x. Com esta investigação aberta, todas as seis UPAs da cidade estão com procedimentos em andamento junto ao MPE para identificar falhas na prestação dos serviço de saúde.

Em Campo Grande, são mais de 200 procedimentos em andamento na Promotoria de Saúde - 143 inquéritos civis, 54 procedimentos administrativos e 14 notícias de fato. Entre janeiro de 2016 e fevereiro de 2017, foram arquivadas 139 notícias de fato, 73 notícias de fato finalizadas, 36 procedimentos administrativos, três inquéritos civis e quatro procedimentos preparatórios.

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) foi notificada para, no prazo de 30 dias úteis, informar a respeito da situação da unidade Santa Mônica. A escala médica de atendimento para adultos nas unidades 24 horas da Capital está regular e deverá ser normal nesta quarta-feira (19), em todos os períodos nas dez unidades.

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