Quarta, 22 de Novembro de 2017

Carne Fraca

PF 'errou grandemente' ao criminalizar carne brasileira, classifica Azambuja

Governador falou pela primeira vez sobre a Operação Carne Fraca

19 MAR 2017Por ALINY MARY DIAS16h:00

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) fez a primeira declaração pública, na manhã deste domingo, sobre a operação Carne Fraca, deflagrada na sexta-feira (17) pela Polícia Federal. Azambuja classificou que a PF “errou grandemente” ao “criminalizar a carne brasileira”.

Para o governador, que se reúne amanhã com representantes do setor produtivo da carne, o esquema descoberto pela PF revela um “problema pontual” em três frigoríficos do país, localizados em Goiás, Santa Catarina e no Paraná.

“Nós tivemos um problema pontual em três fábricas e quiseram criminalizar a carne brasileira, como se toda carne produzida no Brasil fosse carne de péssima qualidade. Isso é um erro da Polícia Federal, me desculpe, mas erraram grandemente. É um erro do Ministério Público e da Justiça”, disse o governador.

A declaração em tom de indignação de Azambuja foi dada durante evento realizado nesta manhã, em Guia Lopes da Laguna. Na cidade, o governador inaugurou duas pontes e assinou ordem de serviço para construção de outra, que substituirá a que caiu em efeito dominó, em janeiro do ano passado.

“Esse estardalhaço que fizeram tem pano de fundo: prejudicar o setor produtivo brasileiro. Já perdemos muito com questões pirotécnicas. Não estou fazendo defesa de funcionário ou mercado, mas quando joga carne brasileira como carne sem qualidade, tem um pano de fundo nisso”, afirmou Azambuja, que ainda disse que nenhum outro país tem carne como a produzida no Brasil e que essa condição começou a “incomodar” alguns países como Austrália, Estados Unidos e outros europeus.

Amanhã, equipe do Governo recebe representantes de associações de criadores de gado e de outros setores ligado à pecuária, o encontro será na Capital. Na terça-feira, o titular da da Secretaria Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, vai até Brasília para reunião no Ministério da Agricultura.

OPERAÇÃO

A operação apura o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos.

Em dois anos de investigação, detectou-se que as Superintendências Regionais de Paraná, Minas Gerais e Goiás atuavam diretamente para proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público.

Mediante pagamento de propina, eles facilitavam a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva. Pela manhã, funcionários do ministério foram detidos.

Foram investigadas grandes empresas do setor, como a BRF Brasil, que controla marcas como Sadia e Perdigão, e também a JBS, que detém Friboi, Seara, Swift, entre outras marcas. Também há envolvimento, segundo a PF, de frigoríficos menores, como Mastercarnes, Souza Ramos e Peccin, do Paraná, e Larissa, que tem unidades no Paraná e em São Paulo.

 

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