Domingo, 19 de Novembro de 2017

coisa de família

Apesar de crime, tradição das rinhas
de galo é mantida por apostadores

Neste ano, 68 pessoas foram autuadas em flagrante

13 NOV 2017Por RENAN NUCCI16h:51

A Polícia Militar Ambiental desarticulou desde o início do ano seis rinhas de galo que funcionavam em Mato Grosso do Sul.

O saldo foi de 68 pessoas autuadas em flagrante e 215 animais resgatados, muitos deles com ferimentos graves.

Segundo o tenente-coronel Ednilson Queiroz, apesar do risco de prisão, criadores e apostadores se arriscam nesta prática ilegal movidos pelo vício em jogos e, em alguns casos, pela “tradição em família”.

Na mais recente ocorrência, realizada no domingo, com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar, em uma chácara no município de Ribas do Rio Pardo, foram detidas 38 pessoas.

O grupo acompanhava as lutas entre galos em duas arenas, também conhecidas como rebolo. No local havia esporas e biqueiras artificias usadas para aumentar o poder perfuração, remédios, seringas, e capas. Nesse local, 48 animais foram resgatados.

Os infratores, incluindo o proprietário da rinha e da chácara, residentes em Campo Grande, Ribas do Rio Pardo, Três Lagoas e Água Clara, foram conduzidos à delegacia de Polícia Civil de Ribas do Rio Pardo e responderão por crime ambiental de maus-tratos a animais.

A pena é de três meses a um ano de detenção. A PMA também confeccionou autos de infração e aplicou multa de R$ 24 mil contra cada infrator, somando o total  R$ 840 mil.

Em outubro, em outra ocorrência, em Campo Grande, foram 21 autuados e R$ 630 mil em multas. Porém, Queiroz explica que nem mesmo a cadeia e o prejuízo financeiro são capazes de desestimular tais práticas.

“Muitas pessoas são viciadas nisso e vão continuar. Também há uma questão cultural por trás do esquema, que é geralmente passada de uma geração para outra. Ou seja, o pai estimula o filho, e assim por diante”, explicou Queiroz. 

FISCALIZAÇÕES

O tenente-coronel explica que a PMA dispõe de um setor de inteligência capaz de localizar a realização de rinhas, entretanto, o trabalho preventivo fica comprometido.

Ele explica, por exemplo, que uma pessoa não pode ser multada ou autuada apenas por criar galos índio, raça preferida dos apostadores - não é crime.

Mesmo que na propriedade haja indícios de rinha, a polícia fica com poder ação limitado se não houver flagrantes de maus-tratos.

Além disso, os envolvidos costumam agir de forma discreta, emitindo comunicados por meio de redes sociais e aplicativos como WhatsApp, o que dificulta ainda mais o monitoramento.

“É um trabalho delicado”, pontuou. Os animais resgatados são encaminhados ao Centro de Controles de Zoonoses (CCZ), ou ficam apreendidos aguardando destinação feita pela justiça, seja para devolução ou doação.

 

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