Domingo, 24 de Setembro de 2017

TERREMOTO

Região do tremor no México ainda
sofre com réplicas

13 SET 2017Por FolhaPress07h:48

Cidade mais próxima do epicentro do terremoto de magnitude 8,1 que atingiu o México na noite de quinta (7), Pijijiapan, no Estado de Chiapas, sofre com as constantes réplicas do abalo sísmico.

O chão treme pelo menos uma vez a cada hora, motivo pelo qual seus moradores, assim como outros do sul do país, dormem nas ruas.

Porém, os danos no município de 50 mil habitantes não passaram de rachaduras em casas, muros e outras construções mais antigas.

A única falha na rede de energia elétrica foi um pique de luz minutos depois do terremoto. Salvo pelo fechamento das escolas e por prédios interditados para avaliação, a população anda nas ruas quase que normalmente.

Enquanto isso, a situação é catastrófica ao norte do golfo de Tehuantepec.
Dos 96 mortos em decorrência do terremoto, mais de 60 pessoas morreram e 1.700 casas foram abaixo em Juchitán, em Oaxaca, a pouco mais de 100 km do epicentro, e outras 20 em cidades vizinhas.

Pijijiapan, por sua vez, não tem mortes a lamentar -as 16 vítimas perderam a vida em outras cidades do Estado.

Para a geofísica Xyoli Pérez, do Serviço Sismólogico Nacional da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), as situações das duas cidades são exemplo de que a maior parte da energia do tremor foi rumo ao norte.

"Às vezes os sismos pegam um sentido preferencial e afetam mais aqueles que se encontram nessa direção. Em um primeiro momento as informações indicam isso, mas estamos verificando para confirmar essa hipótese", disse.

Uma das evidências, afirma, vêm das mais de 1.400 réplicas registradas pelo Serviço Sismólogico Nacional em cinco dias. "Todas ocorrem na mesma região e têm a mesma tendência."
Ela ainda elenca como motivos a qualidade das construções e do solo, e, nisso, as duas cidades se diferenciam.

Juchitán possuía uma grande quantidade de prédios e casas feitas de adobe e pau-à-pique e prédios sem vigas de sustentação ou com puxadinhos que sobrecarregam suas fundações. No caso de Pijijiapan, as casas, mais modernas, são de tijolos de cimento e vergalhões.

Quanto ao solo, um exemplo é a Cidade do México, assentada sob o aterrado lago de Texcoco. No mapa sismólogico do tremor, a região da capital aparece atingida com maior intensidade que áreas mais próximas do epicentro.

TRABALHO

Assim como em Pijijiapan, os danos foram pequenos em Tonalá, a 80 km ao norte. Nesta terça (12), soldados do Exército e funcionários do governo federal tiravam escombros das casas de adobe caídas em três quadras.

Na praça principal, o coreto tornou-se um centro de arrecadação de alimentos para os desabrigados e dezenas formavam fila na prefeitura para dar entrada em seus pedidos de auxílio.

Os moradores afirmam que as ações em Tonalá começaram na segunda, quando o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, passou pela cidade. À tarde, um helicóptero com ajuda humanitária caiu no Estado de Chiapas. Não se sabia, porém, o número de vítimas até a conclusão desta edição.

Apesar de o número de mortes estar aparentemente estável, a rotina da região continua fortemente afetada pelo desastre. Segundo a secretaria da Educação, cerca de 100 mil alunos em Chiapas e Oaxaca estão sem aulas –136 escolas nos dois Estados foram gravemente danificadas, e outras 1.400 sofreram danos menores.

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