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'Quero ele solto', diz mulher esfaqueada 8 vezes pelo marido

'Quero ele solto', diz mulher esfaqueada 8 vezes pelo marido

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Vanessa Lima tem 22 anos e vive em Tarauacá (AC), distante 400 quilômetros de Rio Branco. No dia 3 de agosto, ela foi esfaqueada 8 vezes pelo marido com quem vivia há 9 anos, enquanto tomava banho. O agressor foi preso, mas Vanessa pede que ele seja solto alegando que 'deu motivos' para que ele tomasse aquela atitude. O casal tem duas filhas, uma de 4 e outra de 7 anos.

"Eu me sinto culpada. Vou falar a verdade, se eu não tivesse dado motivos, ia pedir justiça, mas eu dei. Eu saía de casa, abandonava minhas filhas e voltava dias depois. Fui muito influenciada por amigos que diziam que a vida de solteiro era muito boa e eu acreditava nisso", explica.

Ao G1, a coordenadora do Centro de Referência para Mulheres Vítimas de Violência Domiciliar Casa Rosa Mulher, Vanessa Mota diz que mulheres nessa condição levam até dez anos para sair de uma relação violenta. "Muitas vezes elas acham que têm culpa, perdoam, mas o que temos visto é que quando não inseridos em algum programa, esses homens voltam a cometer agressões. Ela precisa de acompanhamento psicológico", afirma.

A coordenadora explica que com a Lei Maria da Penha independente das vítimas quererem a liberdade dos agressores o processo continua.

A conselheira tutelar de Rio Branco, Gorete Oliveira, diz que a atitude de Vanessa é anormal. "Muitas mulheres se calam porque dependem financeiramente do marido, mas o correto é manter a distância até para proteger os filhos e a ela mesma", diz.

Vanessa explica que o marido está preso desde a semana passada, mas garante que se reconciliaram três semanas após o ocorrido. "No dia que tudo aconteceu eu estava com muita raiva, não conseguia enxergar nada. Depois foi clareando as minhas ideias e vi que eu dei motivos e que ele não merece passar pelo o que está passando. Não é todo homem que aguenta o que ele suportou, inclusive traição", destaca.

Ela ficou internada no hospital de Tarauacá por 9 dias se recuperando dos ferimentos e não passou por qualquer acompanhamento psicológico após a violência que sofreu, mas faz questão de ressaltar que não ficou com traumas e nem está abalada. "Não estou abalada, é apenas a verdade. Não adianta eu jogar toda a culpa para cima dele porque Deus sabe da minha culpa", diz.

A mulher conta que vendeu a casa em que mora por R$ 15 mil para contratar um advogado para tirar o marido da cadeia. O comprador da casa permitiu que ela continuasse no imóvel por um tempo. "Ainda estou na casa, porque o novo dono deixou que eu ficasse", diz.

Vanessa diz que não trabalha e não tem condições de sustentar as filhas, além disso destaca que o marido sempre foi um bom pai e que as crianças sentem a falta dele. " A mais nova não consegue dormir e a mais velha não quer mais ir para a aula. Não é justo que minhas filhas paguem por um erro meu", diz.

Ela afirma que no Ministério Público foi informada que receberia uma cesta básica para ajudar no sustento das crianças, mas Vanessa exige que o marido pague a sentença em liberdade. "Eu não quero justiça, quero ele solto para trabalhar e criar as filhas dele. Porque as meninas não precisam apenas de comida, mas do amor do pai e da mãe", enfatiza.

Antes de ser preso, segundo Vanessa, o agressor, de 27 anos, lhe pediu perdão. "Foram só oito golpes", finaliza.

Entenda o caso
Vanessa estava em casa no dia 3 de agosto quando o marido chegou em casa, segundo ela, alcoolizado pedindo para reatar o relacionamento. Diante da negativa da esposa, ele pegou uma faca e desferiu oito golpes contra ela. Na semana passada, ele foi preso e Vanessa pede que ele responda o processo em liberdade.

Sobre os ferimentos, ela diz que já não sente mais nada. "O que tinha que acontecer já aconteceu. Eu tô bem, os ferimentos sararam e não sinto mais nada", diz.

Saúde

Anvisa tem maioria para manter proibição de cigarros eletrônicos

Medida está em vigor desde 2009

19/04/2024 20h00

Sarahjohnson/ Pixabay

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A maioria dos diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) votou nesta sexta-feira (19) por manter a proibição aos cigarros eletrônicos no Brasil. Com esse placar, continua proibida a comercialização, fabricação e importação, transporte, armazenamento, bem como de publicidade ou divulgação desses produtos por qualquer meio, em vigor desde 2009. 

Dos cinco diretores, três votaram a favor da proibição. Faltam os votos de dois diretores.

Os dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), conhecidos como cigarros eletrônicos, são chamados de vape, pod, e-cigarette, e-ciggy, e-pipe, e-cigar e heat not burn (tabaco aquecido). Dados do Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis em Tempos de Pandemia (Covitel 2023) revelam que 4 milhões de pessoas já usaram cigarro eletrônico no Brasil, apesar de a venda não ser autorizada.

O diretor-presidente da Anvisa e relator da matéria, Antonio Barra Torres, votou favorável à manutenção da proibição desses dispositivos.

“O que estamos tratando, tanto é do impacto à saúde como sempre fazemos, e em relação às questões de produção, de comercialização, armazenamento, transporte, referem-se, então, à questão da produção de um produto que, por enquanto, pela votação, que vamos registrando aqui vai mantendo a proibição”.

Antonio Barra Torres leu por cerca de duas horas pareceres de 32 associações científicas brasileiras, os posicionamentos dos Ministérios da Saúde, da Justiça e Segurança Pública e da Fazenda e saudou a participação popular na consulta pública realizada entre dezembro de 2023 e fevereiro deste ano, mesmo que os argumentos apresentados não tenham alterado as evidências já ratificadas pelos diretoras em 2022.
Em seu relatório, Barra Torres se baseou em documentos da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da União Europeia, em decisões do governo da Bélgica de proibir a comercialização de todos os produtos de tabaco aquecido com aditivos que alteram o cheiro e sabor do produto. Ele citou que, nesta semana, o Reino Unido aprovou um projeto de lei que veda aos nascidos após 1º de janeiro de 2009, portanto, menores de 15 anos de idade, comprarem cigarros.

Ele mencionou ainda que a agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (U.S Food and Drug Administration) aponta que, mesmo com a fiscalização, há comércio ilícito desses produtos.

O diretor ainda apresentou proposições de ações para fortalecimento do combate ao uso e circulação dos dispositivos eletrônicos de fumo no Brasil. 
 

Cidades

Justiça recusou 6 pedidos de tratamento para réu que morreu na prisão, diz advogado

José Roberto de Souza, acusado de matar o empresário Antônio Caetano de Carvalho durante audiência no Procon, morreu de complicações causadas por uma pneumonia

19/04/2024 18h30

Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Defesa do ex-policial militar reformado, José Roberto de Souza, que morreu nesta manhã em decorrência de complicações causadas pela Influenza tipo A, alega que a Justiça recusou seis pedidos de atendimento médico ao réu nos últimos oito meses.

O ex-pm está preso desde o dia 16 de fevereiro de 2023, três dias após o crime que resultou na morte do empresário Antônio Caetano de Carvalho, de 67 anos, no Procon/MS.

A defesa foi informada da morte por volta das 11 horas da manhã desta sexta-feira (19). O último pedido para tratamento médico havia sido feito pouco antes da morte de José, às 8h.

"Este caso deixa tanto a mim quanto a minha equipe, em uma situação extremamente triste, até com uma sensação de impotência. Porque eu e o doutor Jackson, que foi quem manuseou grande parte dos pedidos desde que aconteceu aquele fatídico problema no Procon, temos informado ao juiz da segunda vara do tribunal do júri as complicações físicas da doença que o nosso cliente possuía", declarou o advogado de defesa, José Roberto da Rosa.

Segundo o advogado, além de problemas psiquiátricos, o réu possuía doença renal crônica e diabetes, além de complicações cardíacas. O primeiro pedido para atendimento médico de José foi feito em setembro do ano passado, mas recusado, já que o Ministério Público teria alegado que a defesa não teria conseguido provar que o cliente estava doente.

"Chegou em um ponto que nós interpusemos um habeas corpus junto ao tribunal, não obtivemos a prestação jurisdicional, e antes da saída para o final do ano [2023], nós ingressamos com outro habeas corpus, mais precisamente no dia 22 de dezembro, onde havíamos dito que o nosso cliente estava doente e precisava de tratamento", acrescentou Rosa.

A única medida tomada pela Justiça, segundo o advogado, foi retirar o réu do presídio militar, onde ele não estava recebendo os tratamentos adequados - por falta de escolta e por falta de médicos -, para transferí-lo a outra unidade penal "comum", onde ele poderia receber atendimento médico especializado.

"Ao invés de determinar que ele fosse tratado, o Tribunal de Justiça tirou a condição dele de policial militar e o direito de estar no presídio militar, e o mandou para um presídio comum. Aí ele ficou no Centro de Triagem, com o atendimento dos médicos", explicou o advogado. 

Na última semana, os advogados foram visitar José, que pediu por socorro. Ele teria pedido "doutor, eu preciso de atendimento médico".

"E todos os pedidos rechaçados pelo juiz da segunda vara do tribunal do júri. O habeas corpus, que nós entramos em dezembro do ano passado, até hoje não foi posto em mesa para julgamento. Então, é uma decepção enquanto advogado", afirmou Rosa.

Segundo o advogado, a morte de José pode ser colocada na conta do Poder Judiciário.

"A  conta sobre a morte desse homem é exclusivamente debitada ao Poder Judiciário. Talvez agora, com a certidão de óbito, a gente consiga provar que o nosso cliente estava doente, porque foram oito meses de peticionamento em que promotor disse que nós não conseguimos provar que o nosso cliente estava doente, onde todos os pedidos que foram encaminhados, o juiz de direito, que oficia perante a segunda vaga do Tribunal do Júri, disse que não ia liberar ele para tratamento. Então agora eu vou juntar a certidão de óbito para mostrar que nós tínhamos razão", disse o advogado.

O advogado quer que a família da vítima entre com um processo para culpabilizar o Estado.

"Infelizmente, agora não adianta mais autorizar o tratamento. Ele morreu hoje em decorrência do quadro agravado pelo problema renal crônico. Ele foi contaminado com influenza dentro do presídio, porque o sistema imunológico dele estava muito comprometido, o tratamento que ele precisava receber, ele não recebeu, e infelizmente hoje ele não aguentou", finalizou.

O Crime

No dia 13 de fevereiro deste ano, o empresário Antônio Caetano de Carvalho, de 67 anos, foi morto a tiros pelo policial militar reformado, José Roberto de Souza, durante audiência de conciliação realizada no Procon.

A vítima era proprietária da empresa Aliança Só Hilux, especializada em peças de Hilux e SW4, que havia realizado a troca do motor de uma SW4 para José Roberto.

Durante a primeira audiência de conciliação, realizada na sexta-feira anterior, dia 10 de fevereiro, José Roberto pediu que Caetano entregasse as notas fiscais referentes aos serviços prestados pela empresa para a troca do motor de seu veículo blindado, trabalho avaliado em quase R$ 30 mil.

Aproveitando as tratativas, Caetano cobrou do cliente R$ 630 reais devidos, referentes a uma troca de óleo realizada no ano anterior. Na segunda audiência, então, Caetano levaria as notas fiscais e José Roberto o dinheiro que devia.

No entanto, após uma desavença logo no início da audiência de conciliação, José Roberto efetuou três disparos contra Caetano, dois na cabeça e um na nuca. A vítima morreu no local.

Três dias após o crime, José Roberto de Souza se apresentou à polícia.

primeira audiência que investiga o caso foi realizada no dia 3 de julho do ano passado, e ouviu testemunhas de acusação e defesa. Oito pessoas prestaram depoimento, sendo duas delas funcionárias do Procon, uma advogada que presenciou o crime, um funcionário da vítima, o investigador da 1ª Delegacia de Polícia de Campo Grande, responsável pelo caso, o filho da vítima e dois conhecidos de longa data do acusado.

Valéria Christina, a conciliadora que trabalhava com o caso, não compareceu para prestar depoimento. Segundo informado durante a audiência, a servidora foi transferida para outro órgão após o ocorrido, e segue afastada desde então por questões de saúde.

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