Cidades

Polêmica

Redução da maioridade penal pode antecipar carteira de motorista aos 16 anos

Deputados e especialistas alertam para consequências da medida

r7

18/06/2015 - 10h30
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Deputados e especialistas na legislação criminal para adolescentes alertam para algumas consequências da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, medida que já passou na comissão especial da Câmara que trata do assunto e agora será discutida em plenário.

A medida pode ser votada ainda neste mês e, para ser aprovada na Câmara, precisa do voto de ao menos 308 dos 513 parlamentares. A redução é uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) e, por alterar a Constituição, foi discutida em comissão.

Entre os efeitos imediatos da eventual redução da maioridade penal estaria a permissão de dirigir para quem completa 16 anos, hoje proibida no País.

Na visão dos que se opõem à PEC, isso se dará porque se uma pessoa de 16 anos passa a responder judicialmente pelos seus crimes, ela não é mais considerada um adolescente que precisa da proteção do Estado ou alguém ainda incapaz de discernimento do que pratica, pois vira um adulto para o sistema jurídico e penal.

O artigo 140 do CTB (Código de Trânsito Brasileiro) traz como requisito para tirar habilitação o fato de a pessoa ser penalmente imputável. Caso a maioridade penal seja reduzida para 16 anos, o jovem poderá, a partir de então, habilitar-se para conduzir veículos automotores.

Segundo o professor de Direito e consultor do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) João Batista Costa Saraiva, a medida pode ter um impacto brutal sobre o número de acidentes de trânsito com morte já que o perfil etário majoritário do condutor criminoso atualmente está entre os 18 e os 25 anos.

— Dar acesso à carteira de motorista a condutores de 16 anos poderá ampliar a violência no trânsito. A fim de pretensamente resolver o problema da criminalidade, vamos criar outros.

Ele também vê implicações imediatas na permissão de viagens internacionais sem autorização dos pais para quem completar 16 anos.

— Assim como não haverá como impedir que o jovem de 16 anos tenha acesso às prerrogativas de um adulto, já que ele pode ser penalizado por um crime, não será possível proibi-lo de viajar sem a autorização de um responsável. O mesmo vale para o acesso a um motel e para o trabalho de adolescentes em casas noturnas.

O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) acredita que, ao tomar conhecimento dos efeitos da redução da maioridade penal, os que são favoráveis à medida podem mudar de opinião. Ele anda com relatórios sobre os impactos automáticos nas demais legislações debaixo do braço e se diz esperançoso de que a redução acabe rejeitada em plenário.

— O debate foi contaminado por um clamor pela redução. À medida que estudamos o assunto e suas implicações, vamos percebendo que a redução da maioridade penal causará um dano enorme ao País.

O deputado defende mudanças no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) com o aumento do teto do tempo sob reeducação do menor infrator, hoje de três anos.

Outro defensor de apenas se corrigir o ECA, Sergio Vidigal (PDT-ES) admite que convencer a maioria não será tarefa fácil em razão do apelo popular pela imputabilidade aos 16 anos. Ele critica o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de ter imposto o calendário para debate e votação da PEC.

— Dos 100 requerimentos aprovados de audiência com especialistas para debater o tema na comissão Especial que analisa a PEC, apenas 12 foram de fato cumpridos. Mesmo assim não vamos parar de convencer os colegas de que a redução da maioridade penal é um desastre para o Brasil, afirmou Vidigal.

Responsabilidade

O deputado Alberto Fraga (DEM-DF), por outro lado, minimiza os chamados efeitos colaterais da redução da maioridade. Ele considera que, ao ser responsável pelos seus atos, o adolescente tem os mesmos direitos que os adultos. Ele prefere chamar os reflexos nas demais leis como ampliação de direitos e não como efeitos eventualmente  prejudiciais à sociedade.

— A sociedade percebeu que não vivemos mais como há 20 anos. As coisas mudaram e uma pessoa de 16 pode responder pelos crimes que comete.

Fraga acredita que a redução da maioridade penal pode passar, mas por meio de um acordo limitando-a aos chamados crimes hediondos como latrocínio, homicídio e tráfico de drogas. Porém, ele defende que o crime de lesão corporal grave cometido por adolescentes também esteja contemplado na PEC. O jovem agressor passaria a responder como um adulto pela invalidez causada na vítima de um ferimento a bala, por exemplo.

O deputado Major Olímpio (PDT-SP) vai além. Ele é contra limitar a redução da maioridade penal aos crimes hediondos e acha que até adolescentes que explodem caixas eletrônicos devem passar a ser responsabilizados.  Quanto à condução de veículos, o deputado admite que alguma alteração na lei tenha de ser feita para salvaguardar a segurança da sociedade.

— Não podemos encarar esses efeitos como um salvo-conduto para outros crimes. Há regras que ordenam a sociedade. O que o Brasil majoritariamente condena é que uma pessoa com entendimento e discernimento do que faz permaneça impune.

Ele defende a PEC da maioridade penal como  uma forma de refrear os ânimos dos adolescentes infratores e repudia qualquer acordo ou ideia que inviabilize a proposta, como a de reformar o ECA ampliando o tempo de internação dos jovens infratores em até nove anos em vez de reduzir a maioridade penal. A alternativa é defendida pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin que tenta convencer a bancada do PSDB na Câmara a apoiar a ideia, também defendida por setores do PT.

— É o casamento do jacaré com a cobra, disse ele sobre um suposto acordo entre o PT e o PSDB para mudar o ECA e deixar a maioridade como está.

Consumo

Fronteira de MS vira epicentro de impasse regulatório sobre vapes e nicotina

Enquanto Paraguai e Argentina criam regras e tributação a cigarros eletrônicos, veto da Anvisa estimula rota ilícita de R$ 7,8 bilhões

12/10/2026 07h30

Executivo da indústria do tabaco apresenta formas de consumo de nicotina sem fumaça e combustão em Buenos Aires, na Argentina, durante a Technovation

Executivo da indústria do tabaco apresenta formas de consumo de nicotina sem fumaça e combustão em Buenos Aires, na Argentina, durante a Technovation Eduardo Miranda

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A recente decisão do Paraguai e da Argentina de regulamentar a comercialização de alternativas ao tabaco tradicional, como bolsas de nicotina, cigarros eletrônicos e tabaco aquecido, criou um intenso contraste regulatório na América Latina e aumentou a pressão sobre o Brasil. Enquanto os países vizinhos estabelecem marcos sanitários com limites de nicotina, controle de qualidade e arrecadação de impostos, o Brasil mantém a proibição total fixada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Para Mato Grosso do Sul, que compartilha centenas de quilômetros de fronteira com o Paraguai, o descompasso tem impacto direto, e poderá consolidar a região como a principal rota de entrada do contrabando desses dispositivos para o mercado brasileiro.

Executivo da indústria do tabaco apresenta formas de consumo de nicotina sem fumaça e combustão em Buenos Aires, na Argentina, durante a TechnovationBolsas de nicotina, que têm sabores diversos, assim como pastilhas e chicletes, foram liberadas no Paraguai e na Argentina / foto: Eduardo Miranda

No início deste mês de outubro, a Dirección Nacional de Vigilancia Sanitaria (Dinavisa), do Paraguai, aprovou a resolução que autoriza e fixa regras para a fabricação, importação e venda de bolsas de nicotina. 

Tratam-se de produtos que têm sabores de menta, cereja, entre outros, como chicletes e balas para adultos, mas que por terem nicotina em sua composição, podem causar dependência. 

A norma estabelece o limite máximo de 16,7 mg de nicotina por bolsa, exige advertência sanitária ocupando 10% da embalagem, proíbe vendas a menores de 18 anos e restringe a publicidade. Uma das marcas mais famosas no mundo é a Zyn, vendida em embalagens parecidas com a de pastilhas, e que agora será comercializada no País vizinho ao Brasil. 

No Paraguai, os cigarros eletrônicos já contavam com regulação, limitando a nicotina nos líquidos a 2%. Pouco antes, em maio deste ano, a Argentina adotou medida semelhante com a Resolução 549/2026 do Ministério da Saúde e a Disposição 2543/2026 da Anmat, encerrando proibições históricas e fixando limites de 20 mg/ml para e-liquids e restrição de sabores a tabaco e mentol.

GUINADA

A guinada dos vizinhos expõe a vulnerabilidade de Mato Grosso do Sul. Cidades fronteiriças como Ponta Porã, vizinha a Pedro Juan Caballero, enfrentam rotineiramente a entrada ilegal de mercadorias. 

Segundo dados apresentados pela Philip Morris International (PMI) no evento Technovation 2026, em Buenos Aires, ao qual o Correio do Estado participou como convidado, 35% dos cigarros convencionais consumidos no Brasil já são ilícitos, vindos majoritariamente do Paraguai. 

Com a legalização dos novos produtos do outro lado da fronteira, a tendência é de que haja o fortalecimento do fluxo ilegal em direção a MS. Levantamento da Escola de Segurança Multidimensional da USP com o Instituto Ipsos, publicada em primeira mão pelo Correio do Estado, aponta que 10 milhões de brasileiros consomem dispositivos eletrônicos e bolsas de nicotina em um mercado informal de R$ 7,81 bilhões por ano, sem qualquer fiscalização ou recolhimento de tributos.

No encontro em Buenos Aires, executivos da PMI criticaram a postura brasileira. A fala mais contundente veio de Can Kuterdem, presidente da PMI para a América Latina e Canadá, que classificou o posicionamento da Anvisa como dogmático.

“A Anvisa tem uma ideologia, não ciência. A FDA dos Estados Unidos aprovou nossos produtos após três anos de análise científica rigorosa, mas no Brasil não podemos sequer solicitar formalmente uma revisão porque tudo é proibido”, afirmou Kuterdem. 

O executivo apontou a contradição da política nacional: “No Brasil, infelizmente, o produto mais prejudicial, que é o cigarro tradicional, é legal, enquanto alternativas melhores são banidas. Muitos oficiais de saúde lutam contra as empresas de tabaco há anos e acham difícil aceitar que a solução possa vir do próprio problema. Mas investimos US$ 16 bilhões em tecnologia para oferecer alternativas. As regras de proibição só abordam a oferta, não a demanda. Os brasileiros são espertos, vão até a fronteira e compram os produtos”, declarou.

O vice-presidente da PMI para a América Latina, Matias O’Farrell, ressaltou que a proibição alimenta o mercado clandestino nas fronteiras. 

“O consumidor já está lá, quer queiramos ou não. A ideia das regulamentações na Argentina e no Paraguai é saber exatamente o que está entrando no País”, explicou o executivo, que ainda afirmou que os dispositivos eletrônicos da empresa (Veev, a marca de Vape, e Iqos, a marca de tabaco aquecido) são rastreáveis e, ao contrário dos cigarros, são imunes (até agora) à falsificações. 
“Eu não acredito em proibições. O Brasil é o mercado mais importante da América Latina e eu nunca vou discutir o País desistindo dele. Continuaremos mostrando as evidências científicas”, declarou O’Farrell.

A crítica ao atraso regulatório foi endossada por Christos Harpantidis, diretor global de Assuntos Corporativos da PMI: “Quando os governos ficam presos ao passado e não investem tempo para entender as novas tecnologias, eles não progridem. Quando analisam a ciência, percebem que regular é melhor para a saúde pública, a economia e a arrecadação”. 

Tommaso di Giovanni, vice-presidente de Comunicação e Engajamento, destacou os riscos da falta de regras: “Se você proíbe, deixa apenas uma escolha ao consumidor, a mais perigosa, que é o cigarro. No Brasil, há dezenas de milhões de fumantes de fumantes e quase 10 milhões de usuários de cigarros eletrônicos consumindo produtos ilegais sem controle de qualidade”, explicou.

O que são as alternativas ao cigarro?

O vape (cigarro eletrônico), o tabaco aquecido e o sachê de nicotina (bolsa de nicotina) são alternativas ao cigarro convencional, projetadas para entregar nicotina por diferentes métodos, mas com uma característica em comum: a ausência total de combustão.

O vape consiste em um dispositivo eletrônico que vaporiza um líquido (e-liquid), composto por propilenoglicol, glicerina, aromatizantes e nicotina. 

Executivo da indústria do tabaco apresenta formas de consumo de nicotina sem fumaça e combustão em Buenos Aires, na Argentina, durante a TechnovationDispositivo eletrônico para aquecer tabaco, alternativa ao fumo, pois não gera combustão / foto: Eduardo Miranda

O tabaco aquecido utiliza tecnologia de indução ou resistência elétrica para aquecer o tabaco prensado em temperaturas controladas, liberando um aerossol com nicotina sem queimar a matéria vegetal.

Já o sachê de nicotina é uma pequena bolsa de fibra vegetal para uso oral, colocada entre o lábio e a gengiva, na qual a nicotina é absorvida diretamente pela mucosa sem conter folhas de tabaco e sem gerar vapor ou fumaça.

Quanto aos impactos na saúde, a eliminação da combustão faz com que esses produtos liberem cerca de 90% a 95% menos compostos tóxicos e substâncias cancerígenas do que a fumaça do cigarro tradicional, representando uma estratégia de redução de danos para fumantes. Porém, esses dispositivos não são isentos de riscos à saúde. 

Por conterem nicotina, todos eles continuam sendo produtos altamente adictivos que causam dependência química e podem provocar efeitos no sistema cardiovascular. 

Por esse motivo, a comunidade científica e as autoridades regulatórias enfatizam que essas alternativas não devem ser iniciadas por não fumantes ou jovens, destinando-se exclusivamente a adultos que já consomem tabaco e buscam uma alternativa de menor risco ao cigarro comum.

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El niño

Governo ajudou assim que Amazonas decretou emergência, diz ministro

Piora da qualidade do ar suspende eventos ao ar livre em Manaus

11/10/2026 21h00

Foto: Vinícius Mendonça / Ibama

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A decretação do estado de emergência em 36 municípios pelo governo do Amazonas foi essencial para permitir a ajuda federal ao estado, que enfrenta uma onda de queimadas ligada ao fenômeno climático El Niño. A avaliação é do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, que concedeu entrevista coletiva à imprensa neste domingo (11) para detalhar a força-tarefa para combater os incêndios no estado.

A operação reúne diferentes ministérios, brigadistas, Forças Armadas e equipes de saúde, além de contar com 11 aeronaves. Na capital, Manaus, a piora da qualidade do ar levou à suspensão de eventos ao ar livre previstos para domingo (11) e segunda-feira (12).

Durante a coletiva, Góes destacou que, seguindo a legislação, o apoio federal só pôde ser formalizado após o governo do Amazonas ter decretado situação de emergência nos municípios afetados.

Segundo o ministro, o reconhecimento sumário da medida pela União ocorreu no mesmo dia, com publicação no Diário Oficial da União (DOU), permitindo a mobilização de recursos, equipamentos e profissionais para atender à população.

Antes da entrevista, Góes e o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, sobrevoariam algumas áreas afetadas pelos incêndios na Região Metropolitana de Manaus. A falta de visibilidade, no entanto, adiou a operação, e o helicóptero decolou por volta das 13h.

Força-tarefa federal

A operação envolve o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a Defesa Civil Nacional, a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério de Minas e Energia e as Forças Armadas.

Entre os recursos mobilizados estão 11 aeronaves, incluindo dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), que chegaram ao estado neste domingo, com início das operações previsto para segunda. A estrutura também conta com brigadistas em campo e apoio logístico para o transporte de equipes, insumos e pacientes.

A Força Nacional do SUS foi deslocada para reforçar o atendimento à população afetada pela fumaça e pelos incêndios. O Ministério de Minas e Energia atua para garantir o abastecimento de combustível em comunidades isoladas.

De acordo com o ministro, o governo federal também havia realizado, há mais de 30 dias, oficinas de preparação com autoridades estaduais e municipais para discutir os efeitos das mudanças climáticas, os riscos associados ao El Niño, a estiagem e os incêndios florestais.

Segundo a página Painel do Clima, mantida pelo governo amazonense, o estado acumula 6.901 focos de queimadas de 1º de outubro até este domingo (11), alta de 91,38% em relação ao mesmo período do ano passado.

As regiões mais afetadas são o sul do estado, com 3.485 ocorrências, e a região metropolitana de Manaus, com 1.655.

Ministro rebate críticas

Durante a coletiva, Waldez Góes também respondeu às declarações do comandante do Corpo de Bombeiros do Amazonas, que havia afirmado, em entrevista a uma emissora de televisão, que o governo federal estaria negando ajuda ao estado.

O ministro argumentou que a atuação direta da União dependia da formalização da situação de emergência pelo governo estadual, procedimento que, segundo ele, foi cumprido e reconhecido no mesmo dia.

Ao defender a integração entre as autoridades, Góes criticou a politização da crise e cobrou a união dos órgãos responsáveis pelo enfrentamento dos incêndios.

“Seria prudente que o comandante do Corpo de Bombeiros, em vez de tocar fogo, apagasse fogo, se juntasse aos brigadistas e às equipes da Defesa Civil Nacional, das Defesas Civis Municipais e Estadual”, declarou.

O ministro acrescentou que, em momentos de crise, as autoridades devem priorizar as necessidades da população e atuar de forma coordenada.

Qualidade do ar preocupa

Em Manaus, a concentração de material particulado fino (MP2,5), um dos indicadores utilizados para avaliar a poluição atmosférica, atingiu níveis considerados críticos no sábado (10).

Segundo os dados apresentados no briefing, a média registrada às 6h foi de 196,4 microgramas por metro cúbico (µg/m³), índice classificado como “péssimo” e igual ao constatado na sexta-feira (9). No início da noite, a concentração recuou para 46,4 µg/m³, faixa considerada moderada.

Apesar da redução, o boletim técnico da Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil Municipal (Sepdec) apontou risco de novos episódios de fumaça. A previsão indicava a possibilidade de concentração de 169 µg/m³ na madrugada de segunda-feira (12).

A exposição à fumaça pode agravar problemas respiratórios e provocar irritação nos olhos e nas vias aéreas, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes.

Eventos são suspensos

Diante do cenário de poluição atmosférica, a Prefeitura de Manaus determinou a suspensão dos eventos ao ar livre promovidos pela administração municipal no domingo (11) e na segunda-feira (12).

A medida atinge atividades nas Faixas Liberadas, a programação do Parque Cidade da Criança, eventos na Orla da Glória e no Parque Gigantes da Floresta, além da Feirinha do Boi Manaus, prevista para o Sambódromo e a Avenida do Samba.

Segundo a prefeitura, a retomada das atividades dependerá da evolução das condições ambientais e dos indicadores de qualidade do ar monitorados pelos órgãos técnicos.

A administração municipal informou que continuará acompanhando a situação e que a prioridade é preservar a saúde da população.

Apoio depende de integração

Ao defender a resposta conjunta aos incêndios, Waldez Góes ressaltou que o reconhecimento federal da emergência permite aos órgãos da União empregar recursos humanos, financeiros e materiais no atendimento aos municípios atingidos.

“Quando o governo do estado do Amazonas decreta [a emergência] e a gente reconhece sumariamente, no mesmo dia, e faz publicar no Diário Oficial da União, todo o governo federal que for necessário atuar na resposta passa a ter legitimidade e legalidade”, afirmou o ministro.

A mobilização ocorre em meio à combinação de incêndios florestais, estiagem e deterioração da qualidade do ar, com impactos tanto nas comunidades do interior quanto na população da capital amazonense.

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