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Pesquisadores descobrem drogas que previnem e curam malária em roedor

Pesquisadores descobrem drogas que previnem e curam malária em roedor

Agência Brasil

07/09/2016 - 21h00
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Uma nova geração de drogas promete revolucionar a prevenção e o tratamento da malária. Depois de vasculhar cerca de 100 mil compostos, uma equipe internacional descobriu uma série deles capaz de prevenir e curar a doença em camundongos com apenas uma dose baixa.

Apesar de que entre 2000 e 2015 a incidência de malária entre populações de risco caiu 37% globalmente, cerca de 3,2 bilhões de pessoas vivem áreas onde a doença é transmitida. Em 2015, houve aproximadamente 214 milhões de casos de malária que resultaram em 438 000 mortes em todo o mundo.

A doença é transmitida por picadas de mosquitos e é causada por um parasita, o plasmódio, que afeta células do sangue e do fígado. O risco de morte é maior quando o cérebro também é atacado.

"Estratégias de erradicação eficazes têm sido difíceis, principalmente devido ao ciclo de vida complexo do Plasmodium e ao surgimento de linhagens resistentes a droga do Plasmodium falciparum, a espécie de Plasmodium mais letal", escreveram os quase cinquenta autores do estudo, de instituições de sete países, em artigo divulgado pela revista científica "Nature".

A pesquisa foi coordenada por Nobutaka Kato, Eamon Comer e Stuart L. Schreiber1, do Instituto Broad, ligado à Universidade Harvard e ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA).

A transmissão é feita por fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles. Os parasitas introduzidos com a picada vão do sangue ao fígado, onde por alguns dias ficam se reproduzindo alucinadamente, mas sem produzir os sintomas da doença, como febre.

Ao literalmente explodir para fora do fígado, os parasitas invadem glóbulos vermelhos e alguns se transformam em formas masculinas e femininas que podem ser captadas por outra picada de mosquito.

Os tratamentos existentes em geral atacam o parasita em apenas uma das fases do seu ciclo de vida dentro do corpo humano, na maior parte das vezes no sangue. Mas a equipe coordenada pelo Instituto Broad descobriu tanto uma série de drogas capazes de atacar o plasmódio nas várias fases do seu ciclo, como um novo alvo para as drogas conhecidas como azetidinas bicíclicas, como a BRD3316 e a BRD7929.

O novo alvo é uma enzima, a -Fenilalanila-tRNA sintase- fundamental para a vida do parasita. "É uma enzima que tem um dos papéis essenciais na síntese de proteínas. Sem essa enzima, o parasita não pode fazer novas proteínas, e por isso não pode sobreviver", disse Nobutaka Kato.

As drogas antimaláricas existentes hoje são derivadas principalmente de produtos naturais -caso da mais antiga delas, o quinino- ou compostos sintéticos "com forma de droga". Os autores do estudo partiram da hipótese de que agentes antimaláricos com novos mecanismos de ação poderiam ser descobertos usando uma coleção mais diversa de compostos sintéticos com formas tridimensionais lembrando produtos naturais que não estava sendo pesquisadas nas coleções de compostos em geral usadas nas "varreduras" farmacêuticas.

"Uma frase que é muitas vezes pronunciada em nosso laboratório é: 'Será que uma química diferente vai render resultados diferentes?' Estes resultados, para nós, provam que este é o caso", diz outro coautor, Eamon Comer; "com a nova química temos um mecanismo de ação que ninguém viu antes."

"Este composto ataca todos os estágios em vertebrados da infecção pelo Plasmodium falciparum" afirma Kato; "algo muito raro no processo terapêutico".

"A descoberta e o desenvolvimento de drogas é um longo processo. Geralmente se leva de doze a quinze anos da descoberta à aprovação. Nossos compostos ainda estão a alguns anos de distância de ensaios clínicos em humanos e quase uma década até a aprovação, mesmo se tudo correr bem", declara Kato.

O fato de os compostos terem agido em doses orais únicas e baixas em camundongos abre a possibilidade de produção de remédios relativamente baratos e de fácil utilização em países pobres, nos quais a doença é mais prevalente.

As drogas também demonstraram potencial preventivo. "No nosso estudo animal, os camundongos tratados com nosso composto mesmo três dias antes de serem infectados não desenvolveram malária. Isso quer dizer que tomar o composto duas vezes por semana protegerá contra malária. Mas lembre-se que esses resultados com estudos em animais podem não se traduzir em seres humanos", diz o pesquisador.

"Os parasitas da malária desenvolveram resistência a todos os antimaláricos até agora. Mas alguns antimaláricos são mais suscetíveis de criar resistência do que outros. Nosso estudo mostrou que nossos compostos têm uma propensão baixa a induzir resistência in vitro", acrescenta Kato.

180 dias

Intervenção no Consórcio Guaicurus não afetará usuários do transporte coletivo

Foco será em diagnosticar problemas e decisão que pode trazer mudanças só ocorrerá no fim do prazo de 180 dias

16/06/2026 18h19

Serviço continuará funcionamento normalmente, sem alteração em linhas e horários

Serviço continuará funcionamento normalmente, sem alteração em linhas e horários Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A intervenção na concessão do transporte coletivo de Campo Grande, executado pelo Consórcio Guaicurus, decretada nesta terça-feira (16) pela prefeita Adriane Lopes (PP) não irá trazer alterações para usuários e funcionários durante o período de 180 dias.

Segundo Aléxandre Adriano Lisandro de Oliveira, nomeado como interventor, explicou que o primeiro passo será fazer um diagnóstico mais aprofundado sobre a situação do Consórcio Guaicurus e a prestação do serviço, para que ao fim do prazo a prefeitura possa tomar uma decisão "correta e acertada".

"Se tiver algo muito discrepante, que esteja afetando diretamente a população, isso vai ser analisado, não haverá negligência com relação a isso, mas não é esse o objetivo. Nesse primeiro momento, principalmente, [o objetivo] é a manutenção e a continuidade do serviço", disse, explicando que não haverá mudanças nos serviços oferecidos aos usuários, como número e horário de linhas, entre outros.

O mesmo se aplica aos funcionários. Oliveira explicou que não haverá demissões ou alterações de funções e que uma reunião será feita com todos os funcionários para colocá-los a par dos trabalhos.

A prefeita também ressaltou que o serviço continuará funcionando normalmente.

"Eu quero deixar bem claro que o serviço não será interrompido, quero acalmar os mais de mil funcionários que trabalham no Consórcio Guaicurus que não terá demissão. A gente está trabalhando pacificamente para uma mudança necessária, mas não se consegue mudanças, transformar um problema dessa magnitude sem mudar a forma de agir. Historicamente era um problema e nós estamos mudando a forma de agir para buscar a resposta e a mudança que a população tem cobrado", disse Adriane.

Além de Aléxandro, que já ocupou o cargo de diretor de regulação e fiscalização da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Cuiabá (MT), também fazem parte da equipe de intervenção o economista e consultor empresarial Rodolfo Bahiense Fernandes, como interventor administrativo-financeiro; Alexandre Souza Moreira será o interventor jurídico, ele ocupa cargo de confiança na Agetran e é chefe da Junta Administrativa de Recursos de Infrações e Transportes; e Robson Tadeu Pereira, como interventor operacional.

Como irá funcionar

De acordo com Adriane, como foi proposta uma intervenção pacífica, a equipe nomeada irá atuar promovendo a troca da diretoria das empresas que formam o Consórcio para uma avaliação financeira e orçamentária e para entender se houve e quais os problemas surgiram no decorrer dos anos de concessão.

"Hoje, a empresa cobra que o Poder Público Municipal e Estadual aporte mais recursos, mas quando o Poder Público cobra a mudança, que é a troca dos ônibus, que hoje já passa de 235 ônibus a serem trocados, não há uma contrapartida da empresa. Então essa intervenção acontece para uma mudança real no transporte da Capital", disse a prefeita.

Oliveira explicou que a intervenção é um procedimento legal, previsto para contratos de concessão de serviços públicos em crise e que, no caso do Consórcio Guaicurus, foi feito um levantamento que concluiu que havia a necessidade de entrar com a intervenção para buscar informações dentro de dentro da empresa.

Ele acrescentou que a intervenção funciona como uma nova gestão, com novos diretores entrando de forma temporária. Essa equipe terá acesso a documentos e poderá avaliar todos os dados, sem restrições. 

No período, toda a gestão ficará a cargo dos interventores, que também serão responsáveis pela folha de pagamento, manutenção do sistema, diesel, dentre outros.

"Estaremos lá acompanhando, fazendo todo o levantamento. E durante esse período, um tempo máximo de 180 dias, mas que pode acontecer antes, tem um desfecho, que é o que a lei prevê, se devolvea concessão ou se rescinde ao contrato", salientou.

A intervenção não terá aporte de recursos, além dos que já são repassados mensalmente ao consórcio. Caso seja dianosticado que há necessidade de um repasse maior, a situação também será apresentado ao fim da intervenção para que o Executivo decida a esse respeito.

"O que está se buscando aqui é elementos e informações para que, ao final, se tome uma decisão que realmente resulte na melhora do serviço de transporte dentro de Campo Grande", concluiu Oliveira.

Ao término da intervenção, a prefeita, em vista do relatório final dos interventores e do resultado do procedimento administrativo, decidirá sobre: o encerramento da intervenção e a devolução do serviço à atual gestão do Consórcio, com ou sem condicionantes; a aplicação de sanções contratuais cabíveis; a decretação da caducidade da concessão, mediante processo administrativo específico; e a adoção de outras medidas administrativas e judiciais pertinentes.

Crescimento

MS atinge 77% de cobertura de esgoto, mas universalização segue distante

Mesmo com avanço recente, estado ainda busca ampliar o acesso ao serviço em diferentes regiões

16/06/2026 18h01

Foto: Divulgação

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Mato Grosso do Sul ampliou a cobertura de esgoto para 77,04% em maio de 2026, consolidando um avanço de 4,7 pontos percentuais em menos de um ano. Em agosto de 2025, o índice era de 72,34%. O crescimento coloca o estado entre os que mais expandiram o serviço recentemente no país.

Os dados nacionais utilizados para comparação são do Instituto Trata Brasil, organização que monitora indicadores de saneamento básico no país a partir de informações oficiais.

O levantamento aponta que cerca de 90 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à coleta e ao tratamento de esgoto, evidenciando o contraste entre os avanços registrados em Mato Grosso do Sul e a realidade enfrentada em grande parte do Brasil.

Apesar dos números expressivos, o avanço não elimina distorções históricas no acesso ao saneamento. A leitura dos dados por município revela um cenário desigual: enquanto algumas cidades já se aproximam da universalização, outras ainda avançam em ritmo mais lento, com cobertura aquém do necessário para garantir atendimento pleno à população.

Pelo menos 30 municípios atendidos pela rede estadual superam 90% de cobertura, incluindo Três Lagoas, Dourados, Ponta Porã e Bonito. Em localidades como Bataguassu, Brasilândia e Ribas do Rio Pardo, os índices chegam a 99%.

Na prática, porém, vale alertam que atingir esse percentual não significa, necessariamente, que todo o esgoto gerado esteja sendo coletado e tratado de forma adequada.

Isso porque indicadores de cobertura não detalham problemas recorrentes, como ligações irregulares, redes subutilizadas ou falhas operacionais no tratamento. Também não evidenciam a situação de áreas periféricas e comunidades mais vulneráveis, onde o acesso costuma ser mais limitado.

O avanço está relacionado à ampliação da infraestrutura nos últimos anos, com a implantação de redes coletoras, estações elevatórias, unidades de tratamento e novas ligações domiciliares. 

Ainda assim, o histórico do setor mostra que expansão física não garante, por si só, eficiência nem qualidade no serviço prestado.

Outro desafio está na sustentabilidade desse crescimento. A ampliação da cobertura exige investimentos contínuos não apenas na construção, mas também na manutenção e operação dos sistemas. Sem isso, há risco de deterioração das estruturas e queda na qualidade do atendimento ao longo do tempo.

Novo Marco Legal do Saneamento

A meta estabelecida pelo Novo Marco Legal do Saneamento prevê que 90% da população tenha acesso à coleta e tratamento de esgoto até 2033.

Mato Grosso do Sul aparece em posição avançada nessa corrida, mas ainda precisa enfrentar gargalos importantes para transformar índices em universalização real.

Entre eles estão a ampliação do serviço em áreas rurais, a regularização de ligações domiciliares e a garantia de tratamento efetivo de todo o volume coletado. Sem esses avanços, o crescimento percentual pode não se traduzir em melhoria concreta nas condições de saúde e qualidade de vida da população.

O desempenho recente coloca Mato Grosso do Sul em destaque, mas também amplia a cobrança por resultados mais consistentes.

Mais do que expandir a rede, o desafio agora é garantir que o serviço funcione de forma eficiente, alcance todas as regiões e cumpra o papel essencial do saneamento: reduzir desigualdades e promover saúde pública.

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