Categoria não abre mão do reajuste de 5,4%, tendo recusado a proposta de 3,4% dividido em duas parcelas oferecido pela prefeitura
A prefeitura de Campo Grande se comprometeu a apresentar uma nova proposta aos professores municipais sobre o reajuste salarial da categoria.
Os magistrados pediram, inicialmente, o rejauste de 5,4% de acordo com o Piso Nacional de 20h. A proposta foi negada pela Prefeitura, que propôs um reajuste de 3,4% dividido em duas parcelas de 1,7% cada, que foi recusado pela classe.
Após reunião nesta sexta-feira (10), o Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP) afirmou que o Executivo Municipal se comprometeu a apresentar uma nova proposta.
"Durante a reunião, a ACP reafirmou a posição construída coletivamente pela categoria: o cumprimento do reajuste de 5,4% previsto na política de valorização do magistério permanece como pauta central da negociação. A administração municipal informou que apresentará um novo texto com alterações em relação às propostas anteriormente debatidas", afirmou o Sindicato.
O encontro entre representantes da prefeitura, da ACP e da Comissão Permanente de Educação da Câmara Municipal aconteceu das 10h às 12h30 dessa sexta-feira, de portas fechadas.
Segundo o presidente da ACP, Gilvano Bronzoni, essa foi a sexta reunião envolvendo a categoria e a prefeitura desde a paralisação dos professores da rede municipal de ensino no dia 12 de junho.
"No encontro de hoje, a prefeitura atendeu três pontos da assembleia: a publicação da tabela, um calendário mensal de reuniões da comissão para acompanhar os recursos e políticas de educação para que a gente não seja pego de surpresa novamente e a inserção dos 3% de setembro em um calendário em janeiro", explicou.
O presidente da Comissão Permanente de Educação, o vereador Professor Juari, afirmou que um dos pontos abordados foi a possibilidade de demissão para que haja o aumento salarial.
"Nós levamos essa discussão para garantir o emprego dos três mil convocados, para garantir o emprego desses servidores, sem serem prejudicados".
Agora, a classe deve se reunir em uma nova Assembleia Geral Extraordinária, a ser realizada na próxima segunda-feira (13), às 18h, no auditório da Fetems, quando a proposta será apresentada na íntegra, debatida e submetida à votação.
"A ACP reforça que todas as decisões relacionadas à campanha de valorização profissional continuam sendo tomadas de forma democrática, transparente e coletiva, respeitando a vontade da categoria e reafirmando o compromisso do sindicato com a defesa dos direitos dos profissionais da educação pública e com o cumprimento da política de valorização do magistério", ressaltou o Sindicato.
Reajuste
O pedido de reajuste salarial acontece após o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sancionar a Lei 15.437/2026, que estabelece o valor de R$ 5.130,63 para o novo piso salarial profissional nacional dos professores da educação básica.
Com o novo valor, o piso salarial dos professores terá aumento de 5,4% em relação ao valor anterior, que era de R$ 4.867,77. O ganho representa 1,5 ponto percentual acima da inflação.
A nova legislação estabelece critérios para a atualização anual do piso salarial profissional nacional e determina que o valor não poderá ser corrigido abaixo da inflação acumulada no período anterior. A norma também prevê a divulgação, pelo Ministério da Educação, da memória de cálculo utilizada para a atualização do piso, ampliando a transparência do processo.
Outra mudança é a inclusão dos profissionais contratados por tempo determinado entre os beneficiários do piso salarial nacional, garantindo a esses trabalhadores os mesmos direitos assegurados aos demais profissionais do magistério público da educação básica.
Rede Municipal
A Rede Municipal de Ensino conta com aproximadamente 8,9 mil professores e é considerada uma das maiores do Estado.
Nos últimos anos, a administração da prefeita Adriane Lopes promoveu a convocação de mais de mil professores concursados, avançou no pagamento de progressões funcionais e realizou investimentos em climatização, reformas e ampliação da estrutura das unidades escolares.
Em 2025, a categoria recebeu reajuste de 6,27%, além da continuidade do acordo para implementação gradual do piso salarial dos profissionais do magistério.
Em declarações recentes, a prefeita Adriane Lopes afirmou que a discussão sobre o reajuste referente a 2026 precisaria ser reavaliada em razão das mudanças promovidas pelo Governo Federal em relação ao percentual do piso nacional e da necessidade de análise do impacto financeiro nas contas do município.
Levantamento divulgado pelo portal PEBSP aponta que Campo Grande ocupa a primeira colocação nacional em vencimento-base dos professores municipais entre as capitais brasileiras.
Segundo o estudo, a remuneração inicial dos profissionais da rede municipal da Capital sul-mato-grossense supera o piso nacional do magistério, colocando a cidade na liderança do ranking nacional.