Cidades

"PÁTRIA EDUCADORA"

MEC perdeu R$ 10,5 bilhões em recursos no ano de 2015

As duas principais bandeiras de Dilma na área da educação, Pronatec e Fies, sofreram cortes

GP1

02/01/2016 - 17h46
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Em 2015, o Ministério da Educação (MEC) perdeu 10,5 bilhões de reais, que equivalem a 10% do orçamento. Neste mesmo ano, a presidente Dilma escolheu como slogan de seu segundo mandato “Pátria Educadora”. 
O ano da pasta foi marcado por cortes em programas, pagamentos atrasados e trocas de ministros. As duas principais bandeiras de Dilma na área da educação, Pronatec e Fies, sofreram cortes. 

Entre 2010 e 2014 o Fies expandiu seus financiamentos, mas ainda nos últimos dias de 2014, as regras do programa de financiamento foram alteradas. O acesso ao programa foi restringido e os pagamentos a empresas educacionais foram adiados. 

313 mil contratos foram fechados em 2015, 57% menos do que o registrado em 2014. Em 2014 o governo gastou 13,7 bilhões de reais com o programa de financiamento, 16% mais que os 12 bilhões ao longo de 2015.

O Pronatec também enfrentou problemas, o início das turmas foi adiado e houve atraso de pagamentos às escolas. Em 2015 foram registradas 1,1 milhão de novas matrículas, segundo o MEC. 

Ainda no ano de 2015 outras iniciativas educacionais sofreram com a escassez de recursos, como foi o caso do Mais Educação, que é voltado a escolas de tempo integral. O Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), que transfere verbas diretamente para as unidades, também sofreu com corte de gastos. 

Também tiveram verbas escassas e atraso de recursos às bolsas de iniciação à docência e de alfabetização. As universidades federais também tiveram problemas de caixa e o MEC teve que lidar com uma greve de cinco meses de greve dos professores universitários. 
Troca-troca no Ministério 

"Em um ano de mandato estamos no terceiro ministro. A educação é uma área com um imenso passivo motivado pelo acúmulo histórico de falta de prioridade e investimento e há uma pressão muito grande para que os resultados apareçam logo. No entanto, não há atalhos para a boa educação", analisou Luiz Carlos de Freitas, diretor da Unicamp. 

CAMPO GRANDE

Mulher trans morre após ser baleada durante abordagem da PM no Centro

Gabriela foi atingida por disparos na região da Praça Santo Antônio e não resistiu após ser levada à UPA; caso segue sob investigação

17/02/2026 07h45

Ação aconteceu no centro de Campo Grande

Ação aconteceu no centro de Campo Grande Gerson Oliveira

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A mulher trans de 27 anos, identificada pelo nome social de Gabriela, morreu após ser baleada durante uma abordagem da Polícia Militar na tarde desta segunda-feira (16), no cruzamento da Avenida Calógeras com a Rua 15 de Novembro, na região central de Campo Grande.

De acordo com o boletim de ocorrência, a equipe do 1º Batalhão da Polícia Militar foi acionada para averiguar denúncia de pessoas em atitude suspeita nas imediações da Praça Santo Antônio, que ao realizar a abordagem e a prisão de um dos envolvidos, houve tumulto.

Durante a ação, Gabriela teria entrado em confronto físico com os militares, quando a arma de um dos policiais caiu no chão e foi apanhada por ela, que a teria apontado em direção à equipe. Diante da situação, outro policial efetuou disparos para tentar contê-la.

A vítima foi atingida no peito, abdômen e perna. Ela recebeu atendimento do Corpo de Bombeiros e foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bairro Coronel Antonino, mas não resistiu aos ferimentos..

Conforme apurado pela equipe do Correio do Estado, populares afirmaram que Gabriela estaria sob efeito de drogas e teria partido pra cima de um dos policiais durante a abordagem. 

O caso foi registrado como morte decorrente de intervenção de agente do Estado e segue sob investigação. A perícia recolheu as armas dos policiais envolvidos para análise.

Cabe ressaltar que desde o início de 2026, essa já é a 13° ocorrência onde houve confronto policial em Mato Grosso do Sul. 

Nota pública

A Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul (ATTMS) divulgou nota pública lamentando a morte de Gabriela e cobrando apuração rigorosa dos fatos.

No texto, a entidade afirma receber “com profundo pesar” a notícia do falecimento e destaca que Gabriela foi “alvejada por quatro disparos de arma de fogo efetuados por um policial militar”.

A associação também defende que “eventuais excessos não podem ser silenciados ou relativizados, devendo ser apurados com rigor, transparência e responsabilidade, pois a farda não pode servir de escudo para abusos”.

Em outro trecho, a ATTMS sustenta que, “ainda que Gabriella estivesse errada em sua conduta, o uso desproporcional da força precisa ser rigorosamente apurado”, ressaltando que o caso exige investigação “séria, técnica e imediata” por parte dos órgãos competentes.

A entidade afirma que acompanhará o caso e cobrará esclarecimentos das autoridades.

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editorial

Equilíbrio ameaçado no Pantanal de MS

A riqueza do Pantanal depende de um equilíbrio construído ao longo de milhares de anos. A introdução de espécies exóticas rompe esse ciclo e cria uma competição desigual

17/02/2026 07h30

Arquivo

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A chegada de uma espécie exótica de cervos ao Pantanal acende um alerta que vai muito além da curiosidade científica. Trata-se de uma ameaça concreta a um dos símbolos da biodiversidade regional: o cervo-do-pantanal. Ao ocupar o mesmo habitat e disputar alimento e espaço, o invasor coloca em risco o equilíbrio de um ecossistema já pressionado por queimadas, mudanças climáticas e expansão econômica.

O novo cervo não surgiu por acaso. Foi introduzido no continente sul-americano por caçadores no Uruguai e, sem barreiras naturais que limitassem sua expansão, espalhou-se por diferentes territórios. Agora, sua presença avança em direção a Mato Grosso do Sul, trazendo consigo uma lição conhecida: quando o ser humano interfere de maneira irresponsável na dinâmica ambiental, os efeitos tendem a ser duradouros e difíceis de reverter.

Casos semelhantes não faltam. Os javalis, também exóticos, transformaram-se em verdadeira praga, devastando lavouras e causando prejuízos milionários. Nos rios, espécies como o tucunaré alteraram cadeias alimentares e impactaram populações nativas. Em comum, todos esses episódios revelam a ausência – ou a falha – de um controle biológico eficiente no momento certo. Depois que a espécie invasora se estabelece, o custo ambiental e financeiro para contê-la se multiplica.

No caso do cervo exótico, ainda não há consenso sobre quais medidas adotar. Liberar a caça direcionada apenas a essa espécie? Incentivar o aumento de predadores naturais, como a onça-pintada? Intensificar políticas de proteção ao cervo nativo? Cada alternativa envolve riscos, debates técnicos e decisões políticas delicadas. O que não se pode admitir é a inércia.

O Pantanal é patrimônio natural do Brasil e do mundo. Sua riqueza depende de um equilíbrio construído ao longo de milhares de anos. A introdução de espécies exóticas rompe esse ciclo e cria uma competição desigual, muitas vezes fatal para os animais nativos. Permitir que o avanço ocorra sem planejamento é repetir erros já conhecidos.

É urgente que órgãos ambientais, pesquisadores e governos estaduais e federal atuem de forma coordenada. O controle biológico não é uma opção ideológica, mas uma necessidade prática. Prevenir, monitorar e agir rapidamente são estratégias menos custosas do que remediar.

O avanço do cervo exótico é um sinal claro de que a vigilância ambiental precisa ser permanente. O preço da omissão pode ser a perda de um dos maiores tesouros naturais do País. E, quando se trata do Pantanal, não há espaço para improvisos. 

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