Cidades

DEPOIMENTO

Marcelo Odebrecht diz que doou
R$ 150 milhões à campanha de Dilma

Marcelo Odebrecht diz que doou
R$ 150 milhões à campanha de Dilma

G1

02/03/2017 - 07h50
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O empresário Marcelo Odebrecht confirmou, em depoimento ao TSE nesta quarta-feira (1º), a doação de R$ 150 milhões à chapa Dilma-Temer na eleição de 2014 como caixa dois. Parte desse valor foi contrapartida pela aprovação da medida provisória do Refis, que beneficiou o grupo. O ex-presidente da Odebrecht não precisou, porém, quanto do total repassado à campanha era propina.

Veja os principais pontos do depoimento:
- Empresário diz ter pago R$ 150 milhões em caixa 2 à chapa Dilma-Temer em 2014
- Parte do valor foi pago no exterior ao marqueteiro do PT, João Santana, com conhecimento de Dilma
- R$ 50 milhões foram contrapartida por uma medida provisória de 2009 que beneficiou o grupo, num repasse acertado com o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega
- Empresário confirma que se reuniu com Temer para tratar de doações ao PMDB em 2014, mas nega ter tratado de valores com o então vice-presidente

A audiência de Marcelo Odebrecht ocorreu na tarde de quarta-feira (1º) na sede do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), em Curitiba, e terminou por volta das 18h30. O conteúdo do depoimento será mantido sob sigilo.

O empresário, que está preso na carceram da PF em Curitiba, foi ouvido como testemunha nas ações que tramitam no tribunal pedindo a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer por suposto abuso de poder político e econômico na eleição presidencial de 2014.

Depoimento
Marcelo Odebrecht afirmou que parte dos R$ 150 milhões repassados à chapa Dilma-Temer em 2014 foi paga no exterior a João Santana, marqueteiro do PT, com conhecimento de Dilma.

Do total de repasses à campanha, R$ 50 milhões foram uma contrapartida pela aproação da MP do Refis, em 2009. Esse acerto foi feito com o ex-ministro Guido Mantega, segundo Odebrecht.

O empresário confirmou ter participado de um jantar com o então vice-presidente Michel Temer em 2014, onde tratou de doações para o PMDB. Odebrecht, entretanto, disse não ter tratado de valores com Temer, e que acredita que os valores foram discutidos entre o ex-executivo da Odebrecht Claudio Mello Filho e o atual ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Em delação premiada aos investigadores da Operação Lava Jato, Mello Filho  disse que repassou R$ 10 milhões de reais para campanhas do PMDB.

Depois do depoimento, o advogado Luciano Feldens, que defende Marcelo Odebrecht, informou que o empresário “falou o que deveria falar e o que poderia falar”. O advogado também informou que o depoimento de Odebrecht foi concluído nesta quarta-feira.

Renato Franco, que defende a ex-presidente Dilma Rousseff, declarou que o sigilo impede qualquer comentário sobre o depoimento.

O advogado Gustavo Guedes, que representa o presidente da República Michel Temer (PMDB), reafirmou que o depoimento está sob sigilo por conta da Operação Lava Jato e que outras testemunhas serão ouvidas para que fatos tratados nesta quinta sejam aprofundados. Por isso, a defesa disse que ainda é prematuro fazer uma avaliação do depoimento.

Guedes ainda contou que Marcelo Odebrecht respondeu a todas as perguntas e apresentou documentos, incluindo uma planilha que faz parte da investigação.

Delações Odebrecht
A determinação do TSE para que Marcelo Odebrecht fosse ouvido é do dia 22 de fevereiro.

Para o ministro, pelo que foi narrado das colaborações premiadas da Odebrecht, o empreiteiro pode ajudar com informações relevantes para as ações apresentadas pelo PSDB, nas quais o partido aponta uma série de irregularidades, entre elas o financiamento ilegal por empresas investigadas na Operação Lava Jato.

Outros dois executivos ligados a Odebrecht, que fecharam acordo de delação premiada, também prestarão depoimento na mesma ação que pede a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer. Eles vão ser ouvidos nesta quinta (2), no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.

São eles: Cláudio Melo Filho, ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, e o ex-dirigente da empresa Alexandrino de Salles Ramos. O depoimento deles estava marcado para quarta-feira, mas, foi remarcado.

Marcelo Odebrecht na Lava Jato
Marcelo Odebrecht  foi preso na 14 fase da Operação Lava Jato, em junho de 2015.

O empreiteiro foi condenado a 19 anos e quatro meses de prisão por envolvimento no esquema de corrupção descoberto na Petrobras pela Lava Jato. Além disso, Marcelo Odebrecht responde a outras três ações penais oriundas da Operação Lava Jato, na Justiça Federal do Paraná.

Alexandrino de Salles Ramos de Alencar também já foi condenado pela Lava Jato, por lavagem de dinheiro e corrupção ativa. Assim como Marcelo Odebrecht, ele foi preso na 14ª etapa da operação, mas deixou a cadeia meses depois por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Cláudio Melo Filho chegou a ser investigado na Lava Jato, sendo alvo de condução coercititva – quando a pessoa é obrigada a prestar depoimento  – , mas não responde a nenhum processo.

Delação
A presidente do STF, a ministra Cármen Lúcia, homologou as 77 delações de executivos e ex-executivos da construtora Odebrecht no dia 30 de janeiro.

Com a decisão da ministra, o material foi encaminhado para a Procuradoria-Geral da República (PGR), que vai analisar os documentos para decidir sobre quais pontos irá pedir abertura de investigação.

TRAMA OCULTA

Gaeco investiga fraude em 15 licitações e cumpre mandados em 7 municípios

Ao todo, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e medidas cautelares, em Anastácio, Caarapó, Campo Grande, Dourados, Mundo Novo, Jardim e Sidrolândia

28/10/2026 09h35

O Ministério Público Estadual afirma que a organização criminosa movimentou R$ 3 milhões nas licitações fraudulentas

O Ministério Público Estadual afirma que a organização criminosa movimentou R$ 3 milhões nas licitações fraudulentas FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, nesta quarta-feira (28), a Operação Trama Oculta. Foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão e 14 mandados de medidas cautelares diversas da prisão. Os alvos foram localizados nos municípios de Anastácio, Caarapó, Campo Grande, Dourados, Mundo Novo, Jardim e Sidrolândia.

Um grupo de empresários do ramo de confeccções atuava em uma espécie de cartel, ajustando previamente os preços das propostas apresentadas nos pregões para simular a competição e elevar artificialmente os valores das contratações públicas. Em alguns casos, valiam-se também da cooptação de servidores públicos para viabilizar as fraudes e favorecer o superfaturamento.

Até o momento, foram identificadas 15 licitações fraudadas pela organização criminosa em contratos que alcançam cerca de R$ 3 milhões.

Em Sidrolândia, de acordo com o Região News, uma das equipes do Gaeco esteve na Priscila Malhas, que pertence à empresária Priscilla Depiné, esposa do ex-secretário municipal de administração e atual secretário especial, Welbet José Biaggi de Amorim. Outros agentes estiveram na residência do casal, localizada no Eco Parque Fratelli, na manhã desta quarta-feira.

As investigações tiveram início a partir de provas extraídas de um celular apreendido durante a Operação Malebolge. O material revelou indícios de um esquema criminoso paralelo envolvendo empresários do ramo de confecções.

“Trama Oculta”, termo que dá nome à operação, remete tanto ao produto negociado pelos empresários (ramo de confecções) quantos às articulações entre efetivadas entre eles, que ajustavam previamente as propostas para simular a competição nos pregões e viabilizar o superfaturamento das contratações públicas. 

Operação Malebolge

A Malebolge cumpriu 11 mandados de prisão preventiva e 39 de busca e apreensão e apurava fraudes em licitações que somam mais de R$ 10 milhões, envolvendo servidores e empresários. Os mandados foram cumpridos em Água Clara, Campo Grande, Rochedo e Terenos. 

O esquema envolvia licitações fraudulentas para compra de uniformes e outros materiais, com um empresário no centro, cooptando servidores e contando com outros empresários. Uma das buscas foi em uma empresa de vestuário em Campo Grande. Um celular apreendido na Malebolge levou o Gaeco a um grupo do ramo de confecções. 

O Gaeco chegou aos suspeitos da Malebolge por provas extraídas de celulares apreendidos na Operação Turn Off. A Trama Oculta seria, portanto, mais um desdobramento dessa cadeia de apreensões de celulares. 

Dez pessoas foram denunciadas por organização criminosa e pediu indenização de, no mínimo, R$ 22 milhões. Além disso, a denúncia do MPMS aponta crimes de fraude em licitação, peculato e corrupção entre os anos de 2022 e 2025. 

Os alvos chegaram a ganhar liberdade com tornozeleira eletrônica. Depois, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), contra o voto do relator, os manteve presos após recurso do MPMS. Mais tarde, o tribunal revogou a liberdade provisória e determinou a prisão dos réus. 

A 2ª fase foi deflagrada em 24 de julho de 2025. Já em 2026, o Gaeco prendeu quatro pessoas em Água Clara, entre elas a ex-secretária de Educação e um empresário. Segundo as investigações, ele pagava propina para aumentar as ordens de compra, e só parte dos produtos era entregue.

CRISE NO ASFALTO

Rua de Campo Grande tem mais de 100 buracos em uma quadra

Placas foram colocadas sobre os buracos e moradores estenderam faixas para cobrar medidas da Prefeitura

28/10/2026 09h15

Placa alerta motoristas sobre buraco na via pública

Placa alerta motoristas sobre buraco na via pública Foto: Marcelo Vitor / Correio do Estado

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A Rua São Félix, entre a Avenida Bom Pastor e a Rua Santana, sofre com o problema crônico de Campo Grande: os buracos. A reportagem do Correio do Estado esteve no local e constatou que em um trecho de 120 metros, há 107 buracos no asfalto. 

Os moradores do bairro Jardim Mansur colocaram placas sobre estas 'crateras' para avisar os motoristas que por ali passam. Além disso, a população também expôs faixas, as quais cobram a gestão da Prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), sobre a situação e exigem que os impostos pagos tenham retorno.

Na região, a Rua Santana é uma das poucas onde é possível encontrar asfalto com boas condições. Ela, inclusive, foi recapeada em 2021, na gestão de Marquinhos Trad. Na parte final da avenida gastronômica Bom Pastor, também há buracos. 

Na região do Vilas Boas, próxima a avenida Bom Pastor, a situação segue crítica em frente ao condomínio de alto padrão Amantini Residence, onde casas e sobrados costumam ser comercializados entre R$ 2,6 milhões e R$ 3,9 milhões. Nas proximidades do residencial, há uma placa indicando a presença de buracos, esta em cima de uma calçada.

Marisa, moradora da rua do Sucre, relatou à reportagem que, para entrar na sua garagem, precisa desviar o carro de um buraco, mas cai em outro. Além disso, um segundo problema relatado foi a alta velocidade que os ônibus passam, levantando poeira e jogando barro nos veículos e residências. Para minimizar isso, os populares colocaram placa e pedaços de madeira para o transporte diminuir a velocidade.

Ela também conta que a Prefeitura fez reparos em outras ruas na proximidade, porém a de sua casa continua com a buraqueira. Só em meia quadra da Sucre, foram contabilizados cerca de 40 buracos, segundo a moradora.

"Aqui não tem como só tampar os buracos, teria que arrancar este asfalto e refazer inteiro. Onde está afundado, está cheio de pedrinhas com areia e eles [Prefeitura] não fazem [os reparos necessários]. E fica muito fundo quando chove, vira uma verdadeira lagoa, é como se tivesse uma lagoa na frente da minha casa", conta Marisa. 

Plano Emergencial de Recuperação Viária

a Câmara Municipal entregou, nesta terça-feira (27), um Plano Emergencial de Recuperação Viária à Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).

O documento cobra a apresentação de um planejamento em até 72 horas e estabelece medidas para enfrentar a deterioração do asfalto, incluindo cronogramas de atendimento, fiscalização da qualidade dos reparos e prestação de contas à população.

A entrega ocorreu durante a sabatina do secretário municipal de Infraestrutura, André de Moura Brandão, convocado a prestar esclarecimentos sobre as condições das ruas e avenidas da Capital.

Questionado pelos vereadores sobre quando os buracos seriam eliminados, o titular da pasta reconheceu a dificuldade de estabelecer uma previsão para solucionar o problema.

"É difícil estimar uma data: o quando é o mais breve possível", afirmou o secretário, ao justificar que a Prefeitura trabalha para ampliar as frentes de serviço e acelerar os reparos.

O documento foi entregue pelo presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy, em um momento de crescente pressão sobre a administração municipal.

Paralelamente, os 29 vereadores já assinaram o requerimento de abertura da CPI do Tapa-Buracos, apresentado pela vereadora Luiza Ribeiro.

O pedido está sob análise da Procuradoria Jurídica da Casa e ainda depende dos procedimentos necessários à instalação da comissão, mas deve ser oficializado até sexta-feira (30), de acordo com Papy.

(Colaboração de Welyson Lucas)

 

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