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Lula critica PT e prepara afastamento do governo

O ex-presidente está exacerbando as críticas ao seu partido e à sua sucessora

infomoney

23/06/2015 - 09h41
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Estão causando enormes surpresas as críticas cada vez mais diretas do ex-presidente Lula ao PT e cada vez menos indiretas também à presidente Dilma Rousseff. A pergunta que se faz depois dessa nova postura de Lula é: aonde o ex-presidente que chegar. Na segunda-feira, num debate promovido por seu instituto, Lula disse que o PT perdeu a utopia, só pensa em cargos, precisa de uma revolução.

Lula bateu duro, sem dó nem piedade no partido do qual é o presidente de honra: “Eu acho que o PT perdeu um pouco a utopia. Eu lembro como é que a gente acreditava nos sonhos, como a gente chorava quando a gente mesmo falava, tal era a crença. Hoje nós precisamos construir isso porque hoje a gente só pensa em cargo, a gente só pensa em emprego, a gente só pensa em ser eleito e ninguém hoje mais trabalha de graça.”

Foi ontem num evento promovido pelo Instituto Lula, com o presidente do ex-primeiro-ministro socialista da Espanha, Felipe Gonzáles. Para se ter uma idéia de como Lula estava inquieto para falar é que ele ficou calado o tempo todo durante o seminário, de fone de ouvido e nenhuma fala sua estava prevista. Falou e popularmente “soltou o verbo”.

Na semana passada, diante de um grupo de religiosos, Lula já havia feito críticas a seu partido, sem se preocupar com o vazamento da informação. Agora, foi de público. E foi mais longe: o partido precisa decidir se quer salvar “a pele” ou o projeto, registrou a reportagem do “Valor Econômico”.

Lula não poupou Dilma em nenhuma das duas ocasiões. Para os religiosos foi mais critico, dizendo que ela não ouve suas orientações e, principalmente, insinuando que ela mentiu na campanha eleitoral quando disse que não prejudicaria os trabalhadores e nem reajustaria determinadas tarifas e depois de eleita fez o contrário. Desta segunda vez a referência foi mais indireta, quase um recado, com críticas ao ajuste fiscal – europeu.

Esse comportamento de Lula não pode ser visto apenas como um desabafo de quem está preocupado com a situação de seu partido e do governo de marca petista e de quem vê sua popularidade ameaçada e o sonho de 2018 subir no  telhado (o DataFolha mostrou que numa eleição hoje ele perderia para Aécio Neves por 35% a 25% e que o PSDB tem o mesmo índice de aceitação que o PT).

Lula tem um método nessas críticas, segundo analistas. É caso pensado.

Massacre eleitoral

O ex-presidente, avalia-se, está preparando o caminho, já desenhado pelo partido, para ir descolando sutilmente o PT e ele próprio do governo Dilma Rousseff, exatamente para não ser mais contaminado pela má avaliação presidencial. Lula e os petistas parecem ter perdido a esperança de que o governo Dilma possa se recuperar totalmente até as eleições do ano que vem e que consiga colocar a economia brasileira em céu de brigadeiro até 2018. Se os dois ficaram juntos, avaliam, será um abraço de afogados e o PT poderá sofrer dois massacres eleitorais em 2016 e 2018.

Lula também destila alguma mágoa da presidente Dilma Rousseff – e não apenas pela visível perda de influência dele mesmo e do PT no Dilma II. O ex-presidente e os petistas desconfiam de movimentos da presidente e de alguns de seus auxiliares ( petistas não muito ligados ao comando partidário e ao grupo lulista), também para se livrarem das questões ligadas à Operação Lava-Jato, que ficaria apenas como coisa do PT e de responsabilidade do governo passado.

Diz a jornalista Vera Magalhães, na coluna “Painel” da “Folha de S. Paulo”, que o ex-presidente Lula comenta com interlocutores que se sente “órfão” e que a ex-presidente não protege quem a colocou lá. As prisões de sexta-feira dos presidentes da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e da Andrade Gutierres, Otávio de Azevedo, exacerbaram esse sentimento.

Mas Dilma também tem queixas do PT e de Lula. Ela não está gostando das últimas manobras do ex-presidente, pelos mesmos motivos que Lula reclama dela: pensa que os petistas querem que todas as dificuldades atuais sejam debitadas na conta do atual governo. E que ninguém criticou a estratégia de campanha, que hoje Lula dá como responsável por parte da impopularidade recorde de Dilma.

Há um mal querer mútuo entre Dilma e Lula e o PT que não vai levar à ruptura entre a presidente e seu criador, mas que torna o ambiente político cada vez mais delicado. Não é à toa que já começam a surgir em ambientes petistas, com reflexos em notas e comentários nos jornais, ataques mais explícitos ao ministro Joaquim Levy. Cada um querendo salvar sua face, eles se empurram mutuamente para mais confusões e mais dificuldades para o governo.

O grande desafio de Lula e do PT, se prosseguirem nesta escalada, será como explicar que não têm nenhuma responsabilidade sobre Dilma e sobre tudo que está aí.

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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