Cidades

Denúncia

Empreiteiras terão que devolver R$ 7 bi aos cofres públicos

Empreiteiras terão que devolver R$ 7 bi aos cofres públicos

G1

25/07/2015 - 20h29
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A denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra executivos da construtora Odebrecht e da Andrade Gutierrez, na sexta-feira (24), aponta que as duas empresas terão de ressarcir mais de R$ 7 bilhões aos cofres públicos. Desse total, R$ 486.468.755,21 são referentes à Andrade Gutierrez e R$ 6.766.022.202,30 referem-se à Odebrecht. As empresas são as duas maiores construtoras do Brasil.

Ao todo, 22 pessoas foram denunciadas. Na lista aparecem ainda os nomes do doleiro Alberto Youssef, do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, do ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque e do ex-gerente de Serviços Pedro Barusco.

De acordo com o MPF e a Polícia Federal, a Odebrecht e a Andrade Gutierrez agiam de forma mais sofisticada no esquema de corrupção e fraudes de licitações da Petrobras. Elas formavam um cartel, obtendo preços favoráveis e, com isso, lucros extraordinários. Parte desse lucro excedente era usada para pagar propina a agentes públicos e partidos políticos, conforme os procuradores.

A denúncia também aponta que as duas empresas pagaram mais de R$ 600 milhões em propina em onze contratos que firmaram com a Petrobras.

Do montante total devido pela Odebrecht, R$ 5.987.800.000,00 referem-se aos danos causados por contratos com a Braskem na compra de nafta, um produto essencial para fazer plástico, segundo a denúncia.

A Braskem é uma empresa petroquímica do Grupo Odebrecht que atua em participação com a Petrobras.

Nesta transação, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que cumpre prisão domiciliar no Rio de Janeiro, teria recebido propinas de R$ 5 milhões por ano. Parte desse dinheiro era direcionada ao ex-deputado José Janene (PP), já falecido, e posteriormente ao próprio Partido Progressista, afirmou o procurador Deltan Dallagnol.

Desde o início da Operação Lava Jato, deflagrada em março de 2014, R$ 840 milhões já foram recuperados, segundo Dallagnol. Além desse valor, mais de R$ 2 bilhões estão bloqueados em contas no Brasil e no exterior.

Lista dos denunciados por processo

Odebrecht

- Alberto Youssef, doleiro
- Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, ex-diretor da Odebrecht
- Bernardo Schiller Freiburghaus, suspeito de lavar dinheiro de propina da Odebrecht
- Celso Araripe d’Oliveira, funcionário da Petrobras
- Cesar Ramos Rocha, ex-diretor da Odebrecht
- Eduardo de Oliveira Freitas Filho, sócio-gerente da empreiteira Freitas Filho Construções Limitada
- Marcelo Bahia Odebrecht, presidente da Odebrecht S.A.
- Márcio Faria da Silva, ex-diretor da Odebrecht
- Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras
- Paulo Sérgio Boghossian, ex-diretor da Odebrecht
- Pedro José Barusco Filho, ex-gerente de Serviços da Petrobras
- Renato de Souza Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras
- Rogério Santos de Araújo, ex-diretor da Odebrecht

Andrade Gutierrez

- Alberto Youssef, doleiro
- Antônio Pedro Campello de Souza Dias, ex-diretor da Andrade Gutierrez
- Armando Furlan Júnior, sócio de Fernando Soares
- Elton Negrão de Azevedo Júnior, diretor-executivo da Andrade Gutierrez
- Fernando Falcão Soares, lobista conhecido como Fernando Baiano
- Flávio Gomes Machado Filho, filho de Mário Góes e suspeito de operar propina
- Lucélio Roberto von Lechten Góes, lobista suspeito de atuar para a Odebrecht
- Mario Frederico Mendonça Góes, lobista suspeito de atuar para a Odebrecht
- Otávio Marques de Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez
- Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras
- Pedro José Barusco Filho, ex-gerente de Serviços da Petrobras
- Renato de Souza Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras
- Rogério Santos de Araújo, ex-diretor da Odebrecht

Contas no exterior
Segundo Dallagnol, documentação obtida nas investigações mostra que a Odebrecht e denunciados no esquema tinham contas e valores em empresas offshore, fora do país.

Uma investigação das autoridades suíças apontou que empresas do Grupo Odebrecht utilizaram contas bancárias naquele país para pagar propina a ex-diretores da Petrobras.

Conforme relatado pelo MPF, a Suíça informou que os pagamentos foram feitos a Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento; Renato Duque, ex-diretor de Serviços; Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços; Jorge Zelada e Nestor Cerveró, ambos ex-diretores da área Internacional da estatal.

No caso da Andrade Gutierrez, o delegado da PF Eduardo Mauat da Silva citou um documento de uma auditoria interna feita pela empresa, para apurar todos os pagamentos feitos durante os anos da investigação da Lava Jato. "A própria Andrade Gutierrez estava preocupada com a Operação Lava Jato", afirmou.

Já na Odebrecht, o delegado lembrou que Marcelo Odebrecht era o responsável pelos principais decisões da empresa. "Ele tinha perfil bastante centralizador, ele tomava as decisões mais importantes, ele fazia os contatos políticos para que a empresa fosse beneficiada", disse.

Defesas
Por meio de nota, a Odebrecht disse discordar dos ressarcimentos pedidos pelo MPF. "A Construtora Norberto Odebrecht considera que o ressarcimento pedido pelo Ministério Público Federal, calculado com base em ilações e afirmações de criminosos confessos, é totalmente infundado e será devidamente contestado pela defesa no curso do processo, caso a denúncia seja aceita pela Justiça."

O advogado de Alberto Youssef afirma que vai continuar colaborando com a Justiça. O advogado de Paulo Roberto Costa alega que “todos os fatos que foram objeto de colaboração premiada, quase 120 depoimentos, foram importantes em todas as investigações, inclusive esta”.

A defesa de Fernando Soares, o Fernando Baiano, diz que “isso [a denúncia] revela excesso acusatório, o que não surpreende, diante de tudo que tem acontecido até agora em violação da lei e da Constituição da República." A defesa de Mário Góes afirmou que só se manifestará depois de ter acesso à denúncia.

O advogado de Bernardo Freiburghaus ressalta que ele jamais intermediou o pagamento de propinas, tampouco tem poderes para abrir contas no exterior ou aceitar depósitos e transferências. O advogado também afirma que “as autoridades suíças sequer mencionam o nome do Bernardo nas contas das empresas offshores investigadas”.

A Andrade Gutierrez informa que os advogados ainda estão estudando a peça apresentada pelo Ministério Público Federal. "Infelizmente, até o momento, os devidos esclarecimentos e provas juntadas não foram levados em consideração. A empresa entende que o campo adequado para as discussões, a partir desse momento, é o processo judicial, onde concentrará essa discussão, buscando a liberdade dos executivos e a conclusão pela improcedência das acusações. A empresa reitera que não pretende participar dessas discussões através da mídia", diz trecho da nota.

Transferências
Oito presos da 14ª fase da Operação Lava Jato, que estavam detidos na carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba, foram transferidospara o Complexo Médico-Penal, em Pinhais, na região metropolitana da capital paranaense, por volta das10h deste sábado (25).

O pedido de transferência foi feito à Justiça pelo delegado Igor Romário de Paula.

Ele alegou dificuldades de espaço para manter os detentos na carceragem. O complexo é uma penitenciária de regime fechado e com finalidades médicas.

Ao acatar o pedido, Sérgio Moro disse que "de fato, a carceragem da Polícia Federal, apesar de suas relativas boas condições, não comporta, por seu espaço reduzido, a manutenção de número significativo de presos".

Foram transferidos
Marcelo Bahia Odebrecht, presidente da holding Odebrecht S.A.
Alexandrino de Alencar, ex-diretor da Odebrecht
César Ramos Rocha, ex-diretor da Odebrecht
Elton Negrão de Azevedo Júnior - executivo da Andrade Gutierrez
João Antônio Bernardi Filho, ex-funcionário da Odebrecht
Márcio Faria da Silva, ex-diretor da Odebrecht
Otávio Marques de Azevedo - presidente da Andrade Gutierrez
Rogério Santos de Araújo, ex-diretor da Odebrecht.

OPERAÇÃO MOEGA

Organização criminosa com braço em MS mandava drogas para Europa

Ação da PF cumpriu 15 mandados de busca e apreensão nos estados de Goiás, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal

25/08/2026 09h15

Operação foi realizada pela Polícia Federal

Operação foi realizada pela Polícia Federal Foto: Divulgação / Governo Federal

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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (25), a Operação Moega, que tem como objetivo investigar a atuação de uma organização criminosa envolvida com o tráfico internacional de entorpecentes.

Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça em endereços localizados nos estados de Goiás, São Paulo e Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.

As drogas teriam como destino estados brasileiros e países da Europa, por meio de pessoas aliciadas para realização do transporte físico do material, conhecidas popularmente como "mulas". As investigações apontam que os criminosos usavam uma estrutura para aquisição, armazenamento e transporte dos entorpecentes.

Os agentes federais apreenderam objetos e documentos durante as buscas, os quais passarão por análise e poderão subsidiar a continuidade do inquérito policial. Os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas e por associação para o tráfico.

A reportagem procurou a Polícia Federal para saber quais municípios do Estado foram alvos dos mandados, se estes eram usados como rota/origem das drogas e qual era a participação dos indivíduos investigados em MS. 

CRIME

Polícia investiga se jovem foi morto por engano em garagem de Dourados

Investigação aponta que o empresário Claudio Henrique procurou a garagem demonstrando interesse na compra de uma Toyota SW4, para atrair o verdadeiro alvo da execução

25/08/2026 08h10

Jovem foi executado com três tiros na cabeça, na garagem do pai, em Dourados

Jovem foi executado com três tiros na cabeça, na garagem do pai, em Dourados Reprodução

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A Polícia Civil de Dourados trabalha em uma nova linha de investigação sobre o homicídio de Vitor Orsini, de 19 anos. As autoridades investigam se o crime pode ter sido ocorrido por engano durante uma emboscada que teria como alvo outro homem.

Informações preliminares apontam que o jovem foi confundido pelos pistoleiros com a pessoa que deveria ser executada na tarde de 7 de agosto, dentro da garagem de veículos da família, na Avenida Hayel Bon Faker.

Claudio Henrique de Arruda, de 43 anos, dono de uma academia e preso preventivamente no decorrer das investigações, é suspeito de ter participado da preparação da armadilha. O alvo seria um homem com quem ele já havia sido preso por tráfico de drogas anos atrás.

Ainda conforme as informações sobre a investigação, Claudio procurou a garagem demonstrando interesse na compra de uma Toyota SW4. Conversas encontradas no telefone celular de Vítor indicam que o empresário informou que uma pessoa (o alvo) iria ao estabelecimento por volta das 14h para avaliar a caminhonete.

A negociação, porém, teria servido apenas como estratégia para levar o verdadeiro alvo ao endereço justamente no horário em que os pistoleiros pela execução chegariam.

O homem esperado pelos criminosos não apareceu no momento combinado. Quando os autores chegaram à garagem, encontraram o jovem de 19 anos próximo aos veículos. A suspeita é de que, por ele estar de costas, os pistoleiros tenham acreditado que estavam diante da pessoa indicada para morrer.

Até o momento, não há indício que aponte a participação de Vitor na disputa que motivou o suposto plano de execução.

O homem que seria o alvo original mora na região sul de Dourados e, até o momento, não é apontado como participante da morte de Vítor.

Presos

As primeiras prisões ocorreram no dia 11 de agosto, quando Denis Barbosa de Mello, de 25 anos, foi localizado em um hotel no distrito de Nova Itamarati, em Ponta Porã. Ele é apontado pelas investigações como autor dos disparos contra Vitor. Um adolescente de 17 anos também foi apreendido por suspeita de participação no crime.

No dia 17 de agosto, Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos, foi preso em Ponta Porã. Conforme a apuração, ele teria pilotado a motocicleta utilizada para levar o suspeito dos disparos até a garagem e auxiliado na fuga após o crime.

Já no dia 21, a Polícia Civil prendeu preventivamente Cláudio Henrique de Arruda, de 43 anos, empresário e proprietário de uma academia em Ponta Porã. Ele foi o quarto investigado detido no caso, durante operação que também cumpriu cinco mandados de busca e apreensão na região de fronteira. A participação dele no homicídio ainda é investigada.

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul divulgou, nesta segunda-feira (24), as imagens de mais dois investigados que permanecem foragidos. São eles: Jeferson Lopes, de 31 anos, e Marcos Antônio Olmedo Vera, de 23. 

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