Sábado, 24 de Junho de 2017

Brasil

Críticos da reforma da Previdência cobram deputados

20 MAR 2017Por FOLHAPRESS09h:02

"Se eu levar um soco, te conto." A frase do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) na véspera de um debate com críticos da reforma da Previdência ilustra um pouco do que defensores da principal bandeira do presidente Michel Temer em 2017 têm enfrentado Brasil afora.

Entre os percalços, pressão nas redes sociais e em locais públicos, como restaurantes e aeroportos, e até na porta de casa.

Um acampamento equipado com banheiro químico foi montado na frente do condomínio em que mora o presidente da comissão da Previdência, Carlos Marun (PMDB-MS), em Campo Grande. Segundo ele, o grupo chegou a contar com 500 pessoas.

A cobrança também chega por mensagem no celular e em ligações para o telefone pessoal, diz o peemedebista. "Várias mensagens são ofensivas, mencionam minha mãe", diz Marun.

Ele afirma que a resposta vai na mesma moeda: "De vez em quando escolho uma para responder para dar uma desopilada. Sou bem bruto na hora de responder a determinadas ofensas. Só não ofendo as mães, porque elas não têm culpa."

O deputado, que diz não se abalar na convicção de apoiar a reforma, negou o pedido da reportagem para ver uma troca de mensagens.

"As mais duras não podem ser publicadas."

Já o peemedebista gaúcho Mauro Pereira, também integrante da comissão, atribui as mensagens e ligações que recebe à falta de informação.

"Na sexta recebi uma mensagem: 'Votei no senhor e o senhor votou contra nós na Previdência'. Aí explico que ainda nem votamos", disse.

Para Pereira, que defende algumas alterações na proposta do Executivo, as mensagens não são agressivas e é natural receber questionamentos diários sobre o tema.

"Se quiser colocar o número do meu celular na reportagem, pode colocar. É normal as pessoas ligarem para saber", afirmou o deputado, portador do celular de número 99112-0087 (DDD 54).

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