Sábado, 10 de Dezembro de 2016

CORREIO B

Projetos de apadrinhamento garantem Natal mais solidário

1 DEZ 2016Por CASSIA MODENA15h:35

Além do significado religioso, a palavra apadrinhar remete à ideia de criar vínculo de forma voluntária e desinteressada com o outro. Nesta época do ano, ela ganha sentido prático nas ações de solidariedade voltadas a alguém especial, que esteja precisando de ajuda e pode ser um “afilhado” por um dia ou uma temporada. O que não faltam são projetos que divulgam oportunidades de ser um padrinho e presentear com  generosidade.

Um creme hidratante suave, um chinelo preto, um vestido florido e uma almofada de pescoço são alguns dos presentes de Natal que querem ganhar os quase 80 velhinhos abrigados no Asilo São João Bosco, em Campo Grande. Os pedidos, que surpreendem pela simplicidade, foram conhecidos e apadrinhados porque circularam nas redes sociais em fotos feitas pelo empresário Wagner Takamori. 

Nas imagens, os idosos aparecem segurando quadros nas mãos, onde foram escritos à caneta seu nome e o presente que esperam ganhar. “Muitas pessoas sentem vontade de ajudar, mas não sabem como. É muito simples, basta ir até lá. O que eu fiz foi divulgar e facilitar isso”, diz o empresário. 

Em pouco tempo, o número de candidatos a padrinhos até superou o número de idosos do asilo. Mais de 2 mil pessoas se voluntariaram para presenteá-los. 

Para estender essa ação e buscar apoio a outras iniciativas, Wagner pretende criar um site com dados de projetos sociais de Mato Grosso do Sul e que funcionará como um guia de solidariedade. Ele explica que “o objetivo é criar uma rede de projetos para unir, o ano inteiro, três segmentos: quem precisa ser ajudado, projetos que já dão assistência e pessoas que querem começar a colaborar de alguma forma”.

NO ESPORTE

Cerca de 80 crianças e adolescentes que fazem aulas de judô no centro comunitário do Bairro Vila Saraiva – que fica próximo à comunidade quilombola Tia Eva, na Capital – precisam de quimonos novos para continuar praticando o esporte. Os que eles usam atualmente foram doados no início do projeto, em 2013, e já estão rasgados e desgastados, tendo de ser substituídos o quanto antes.

As famílias dos alunos pagam uma taxa mensal pelas aulas, mas muitas não têm condições financeiras de arcar também com a compra dos trajes. Para estimulá-los a continuar no projeto, a presidente do bairro, Lucimeire Rocha, teve a ideia de lançar uma campanha de apadrinhamento nas redes sociais, em que destaca a importância do esporte no presente e no futuro dos moradores, e pede ajuda para garantir as peças novas.

Os interessados precisam entrar em contato com ela por telefone, no número (67) 9-9290-8490, para escolher qual aluno será presenteado e perguntar o tamanho de quimono que ele veste. Os preços variam de R$ 124 a R$ 164, de acordo com pesquisa de preços feita pela presidente do bairro. 

PRESENTE E FESTA

Há mais de 20 anos, o Posto de Assistência Espírita São Francisco de Assis realiza projeto social  e de evangelização com famílias de bairros periféricos de Campo Grande e, neste ano, promoverá uma festa de Natal com crianças que moram na comunidade Linhão e nas proximidades,  no Jardim Noroeste, em Campo Grande. 

Para deixar a celebração completa, os voluntários também pediram às crianças que escrevessem cartinhas com pedidos de brinquedos que gostariam de ganhar no Natal. Junto a uma foto e informações como nome, idade, número que calçam e tamanho que vestem, as cartas circularam entre amigos e, em apenas uma semana, foram todas adotadas por padrinhos.

O advogado Anselmo Marasco, um dos voluntários, explica que ser espírita ou ter alguma religião não é requisito para colaborar com a ação e fazer a alegria das crianças. Ele, que já foi morador de rua quando adolescente, valoriza as ações de solidariedade. 

“Essa maneira de mostrar que você se importa faz diferença na vida de alguém. Pode levar uma criança a dar um passo adiante.”

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