Quarta, 28 de Junho de 2017

CORREIO B

Práticas alternativas passam a ser oferecidas gratuitamente pelo SUS

30 MAR 2017Por CASSIA MODENA16h:00

A medicina convencional não é a única via de tratamento e prevenção reconhecida e utilizada dentro do sistema de saúde público. Opções como acupuntura e homeopatia são oferecidas desde 2006, quando o Sistema Único de Saúde (SUS) se alinhou ao preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), passando a adotar e estimular o uso de cinco terapias complementares e alternativas. Nesta terça-feira, outras 14 foram acrescidas a elas pelo Ministério da Saúde.

Meditação, yoga e reiki são três das novas terapias incluídas. Apesar de já difundidas e praticadas por parte da população, não estão disponíveis gratuitamente na rede pública – e, mesmo agora, não há um prazo para que sejam incorporadas. 

A homeopatia e a acupuntura, reconhecidas oficialmente como práticas há mais de uma década, estão entre as mais populares dessas opções. São atualmente ofertadas pelo SUS em Campo Grande. 

Além delas, também é opção na Capital a arteterapia, inclusa na lista mais recente. Ela é um dos tratamentos utilizados nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que atende pessoas com disfunções mentais e dependentes químicos.

PRIMEIRO PASSO

O integrante do Conselho Municipal de Saúde da Capital, Sebastião Júnior Arinos, afirma que o mais provável é que as demais práticas sejam inseridas pouco a pouco no atendimento do SUS, tanto na Capital quanto nas demais localidades do País. 

O reconhecimento das 19 terapias integrativas e complementares no atendimento do SUS é, por hora, o primeiro passo para estender à população opções de tratamentos menos invasivos e mais adequados a cada organismo, na opinião do professor doutor do curso de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Joaquim Longo. 

“É importante, agora, que isso se traduza em ações concretas, com abertura de vagas para profissionais especializados em cada área e ainda com a formação dos profissionais da alopatia para saberem encaminhar pacientes a tratamentos alternativos. Enquanto isso não acontecer, essas opções continuarão restritas a somente uma parcela da população, aquela que pode pagar sessões ou consultas particulares integralmente ou ter acesso a elas por meio do plano de saúde”, comenta.

Joaquim também é coordenador da residência e do centro ambulatorial de Homeopatia do Hospital Universitário (HU) da UFMS. Em breve, ele adianta, a oferta desse tipo de tratamento será ampliada na unidade de saúde. Atualmente, é uma opção oferecida em pequena escala por lá. 

Ainda segundo Joaquim, as pessoas têm se mostrado mais abertas a essas opções, de maneira geral. “São comuns casos em que o paciente tenta diversos tratamentos dentro da medicina convencional e, quando não obtém a cura, encontra a solução na medicina alternativa, em última instância. Isso é possível porque ela trata do ser humano de forma integral e permite que se avaliem questões emocionais e a própria rotina do paciente, que podem estar relacionadas ao problema que ele apresenta”, descreve.

YOGA

Professora de yoga há 12 anos, Tatiane Fernandes afirma que a prática tem recebido cada vez mais adeptos em Campo Grande.

Os novos praticantes a procuram como alternativa principalmente para ampliar os cuidados em relação à própria saúde e para afastar o estresse do dia a dia, segundo a professora. “E a yoga auxilia tanto na saúde física quanto na saúde mental da pessoa que traz essas e outras queixas. Em longo prazo, ela funciona como um tratamento complementar a problemas como artrite e bursite, por exemplo”, explica.

Algumas pessoas limitam a prática oriental a uma vertente do esoterismo. Tatiane esclarece que isso acontece por causa dos benefícios emocionais que a yoga traz. “Além de ajudar na postura do corpo e dar mais flexibilidade, ela também ajuda o praticante a ter uma postura diferente em relação à vida dele. O corpo presente e a respiração mais consciente vão diminuindo a ansiedade, a depressão a baixa estima. Mas só se veem esses resultados em longo prazo, é preciso ser paciente”, finaliza.

A yoga é oferecida como prática integrativa em hospitais particulares, mas ainda não está amplamente disponível. Na opinião da professora, esse é um começo, mas o acesso gratuito é o ideal. 

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