Sexta, 22 de Setembro de 2017

Chapecoense

Neto relata pesadelo com avião dias antes de acidente da Chapecoense

23 AGO 2017Por FolhaPress13h:29

Sobreviventes do acidente aéreo com o avião da Chapecoense no ano passado, Neto, Jackson Follman e Alan Ruschel contaram a traumática experiência ao site americano "Players Tribune". Em texto escrito em primeira pessoa, Neto relatou que o roteiro repetiu o de pesadelo que teve poucos dias antes da tragédia.

"Eu sonhei que iria acontecer. Poucos dias antes de nós partirmos para a primeira das finais da Copa Sul-Americana na Colômbia, eu tive um pesadelo terrível. Quando eu acordei, contei para a minha mulher que eu estava em um acidente de avião. Eu estava na aeronave à noite e chovia bastante. Então o avião desligou. E caiu dos céus. Mas, de alguma forma, eu consegui me levantar dos destroços. Eu saí e estava numa montanha à noite. Estava tudo escuro. É tudo que eu me lembrei", disse Neto.

"No dia da viagem para o jogo final, eu não consegui tirar o pesadelo da minha cabeça. O sonho era tão vívido. Estava martelando na minha mente. Então eu enviei uma mensagem para a minha mulher do avião. Eu disse a ela para orar a Deus e pedir para Ele me proteger daquele pesadelo. Eu não queria acreditar que aquilo iria acontecer. Mas eu pedi para que ela orasse por mim. Então eu vi todas as coisas daquele sonho se tornarem realidade. O avião desligou. A força caiu completamente. Eu estava completamente acordado... E o avião caiu dos céus. Estava além de nossa compreensão como humanos", completou.

Follman afirma que os passageiros do avião estavam orando em voz alta entre o momento em que foram informados de que o voo estava com problemas e a queda. Sobre o resgate, o ex-goleiro lembrou de vozes que pediam socorro e que foram se silenciando com o passar do tempo.

"A parte mais difícil foi ouvir os meus amigos pedindo por ajuda, e eu não podendo fazer nada a respeito. Eu não podia me levantar. Estava tão escuro que eu não podia ver ninguém. Agora, eu só agradeço a Deus porque eu não consegui ver ninguém", afirmou.

"Quando a polícia chegou lá, algumas pessoas que estavam gritando por ajuda antes eles não estavam gritando mais. Ou suas vozes estavam muito fracas. Foi um momento muito, muito triste", complementou.

 

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