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Monumentos e construções são resgate
à memória de Campo Grande

Monumentos e construções são resgate
à memória de Campo Grande

CASSIA MODENA

13/02/2017 - 15h17
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Imagine um campo grande e remoto, com uma pequena vila de casas e plantações, alinhado a um horizonte aberto. É 1889 na linha do tempo, você avançou um pouco e agora está na recém-fundada Campo Grande, um ponto estratégico de comunicação e serviços, localizado ao sul do velho Mato Grosso. 

Nesse “pulo”, aquele antigo campo abriu caminho para um centro de trabalho, comércio e moradia pleno – se bem que ainda dentro de um contexto predominantemente rural. Tente visualizar que, a essa altura, Campo Grande já é uma cidade que verticaliza casarões e hotéis, põe seus trens nos trilhos, ostenta o boi e cresce com a força do trabalho do migrante e do imigrante. Sobretudo, vai criando nesse percurso seus símbolos culturais de crescimento. Agora, volte ao presente.

ESQUECIMENTO

Na semana passada, a demolição de um conjunto de propriedades que ficava no final da Rua 14 de Julho, no Bairro São Francisco, despertou – e ao mesmo tempo apagou – parte do passado da Capital. Os imóveis, que ficavam em frente à Praça São Francisco, pertenceram ao comerciante Luziano Santos e, na década de 50, foram um grande armazém que abastecia as principais fazendas de Campo Grande. Depois, tornaram-se o bar Vai ou Racha, outro ponto que recebeu personalidades da cidade e rendeu histórias. Em 2017, o terreno dará espaço à filial de uma rede nacional de farmácias.

Mais de um século se passou desde que as primeiras comitivas de moradores chegaram por aqui. A preservação da memória desse período no tempo presente é uma das condições mais importantes para que o crescimento possa ser, então, chamado de desenvolvimento. No passado, está a identidade campo-grandense em suas raízes e singularidades, bem como uma série de acontecimentos que refletem erros e acertos. Mas que vestígios sobraram para que se mantenha a história viva? 

Dá para citar pontos como a Morada dos Baís, artigos presentes em museus da cidade, os paralelepípedos ainda não sobrepostos pelo asfalto e a Casa do Artesão, por exemplo. Vale destacar que, além deles, há outras dezenas de símbolos históricos escondidos ou esquecidos, que são recortes igualmente valiosos da memória da cidade.
 
ROTUNDA

Também na 14 de Julho, a Rotunda é um dos pontos de esquecimento na cidade. Tapado por um muro quebrado e algumas árvores, o local geralmente passa despercebido pelas pessoas. Faz parte do Complexo Ferroviário da Capital, patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). É administrada pela prefeitura, que pretende torná-la um centro cultural, mas por enquanto serve apenas como ponto de encontro para usuários de drogas. 

A linha férrea de Campo Grande serviu para transporte de passageiros que fugiam das cheias do Pantanal e para levar e trazer uma diversidade de produtos. Com sua desativação, os vagões ficaram abandonados na rotunda. Hoje, resta apenas uma estrutura depredada.

USINA

Até 1910, a Vila Campo Grande, como era chamada, vivia às escuras. A primeira rede de abastecimento de energia elétrica foi montada na Rua 26 de Agosto, quase esquina com a Rua Calógeras. O jornalista e escritor Edson Contar, pesquisador da história da Capital, conta que, no entanto, para atender ao ritmo de crescimento da vila e aumentar a capacidade de abastecimento, foi preciso montar uma usina hidrelétrica. Montada em 1924, ela atendia apenas a uma parte da cidade, especialmente os comércios e as residências de moradores com maiores condições financeiras.

Pouca gente sabe da existência da usina e que seus sinais continuam no mesmo lugar, mais de 90 anos depois. Ela fica no Córrego Ceroula, na saída para Rochedo. Atualmente, é ponto de passagem de grupos guiados pela agência de turismo Sopa de Pedra, da Capital, que explora trilhas e caminhadas rurais em Mato Grosso do Sul. Uma das guias e sócias da agência, Elijane Coelho, diz que o que sobrou da construção hidrelétrica são apenas engrenagens e outras partes mais pesadas do maquinário. Ela observa também que nas proximidades há muito lixo e, aparentemente, são realizadas festas no local.

Durante as trilhas, Elijane e o marido e sócio, Nilson Young, procuram estimular os trilheiros a viajarem até a Campo Grande do século passado. “Valorizamos bastante a construção. As pessoas sentem dificuldade de chegar até lá e, então, durante o caminho, pedimos que elas imaginem como foi construir aquilo naquela época e como foi o funcionamento da usina por 50 anos”, diz Elijane.

CABEÇA DE BOI

Outro símbolo histórico que é desconhecido por muitos é a cabeça de boi. Hoje é representada por um monumento que fica em frente à Praça das Araras, no Bairro Amambaí. De fato, antes havia a ossada de um crânio de boi.

Edson Contar diz que ela foi fixada por um açougueiro, para orientar o caminho das fazendas da antiga Campo Grande, e só mais tarde foi retirada e substituída pelo monumento alto que se vê próximo à Orla Morena.

O escritor lamenta que a história não seja contada pelos passeios turísticos da cidade. “Passam por aqui, falam que é a Praça Cuiabá, mostram as araras esculpidas e dizem que ao lado está a cabeça de boi, muito rapidamente. A própria cabeça estava plantada lá, é uma história interessante que precisa ser contada.”

Projeto social

Com mais de 400 assistidos, Moinho Cultural promove campanha para doações via Imposto de Renda

Os contribuintes têm a oportunidade de destinar até 6% do imposto devido para causas sociais, sendo 3% para o Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente

19/04/2024 13h30

O projeto Moinho Cultural atende 400 crianças em Corumbá. Divulgação/Assessoria

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O Moinho Cultural está lançando a campanha "Leão, amigo das crianças" para incentivar doações através da Declaração de Imposto de Renda. O objetivo é aumentar o suporte a projetos sociais destinados a crianças e adolescentes, reforçando o compromisso da organização com o desenvolvimento humano e a inclusão social.

Durante o processo de declaração do Imposto de Renda, os contribuintes têm a oportunidade de destinar até 6% do imposto devido para causas sociais, sendo 3% para o Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente e 3% para o Fundo dos Direitos da Pessoa Idosa. Essa destinação não acarreta em nenhum custo adicional para o contribuinte e está disponível apenas para aqueles que optam pelo modelo completo de declaração.

De acordo com Márcia Rolon, diretora executiva do Moinho Cultural, "a campanha é uma chance para que cada cidadão brasileiro contribua diretamente para a construção de uma sociedade mais justa e solidária. Ao destinar parte do seu imposto de renda para o Moinho Cultural, você está investindo no futuro de crianças e adolescentes, garantindo acesso à cultura, educação e assistência social."

O procedimento para realizar a doação é simples e pode ser feito durante o preenchimento da declaração do Imposto de Renda. Após inserir todas as informações necessárias, o próprio sistema calcula automaticamente o valor do imposto devido. Em seguida, basta acessar a opção de doações diretamente na declaração, selecionar o fundo desejado e indicar o valor a ser destinado, dentro do limite permitido.

Dentro do programa da Receita Federal, na seção de Doações, os contribuintes podem selecionar a aba Criança e Adolescente e, em seguida, clicar em Novo para escolher o fundo ao qual desejam destinar a doação: nacional, estadual ou municipal.

Os contribuintes têm a possibilidade de acompanhar o valor disponível para destinação, decidir quanto desejam destinar ao fundo e emitir o Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) referente ao valor da doação. É importante destacar que o pagamento do Darf deve ser feito até o dia 31 de maio.

Se não houver imposto a pagar, mas sim a restituir, será gerado um Darf para cada fundo escolhido pelo contribuinte, que também deverá ser pago até o dia 31 de maio.

Após o pagamento do Darf, os contribuintes que optaram por ajudar o Moinho Cultural devem enviar uma cópia da destinação para o e-mail [email protected]. A partir disso, a instituição encaminhará ao CMDCA (Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente) para ter acesso aos recursos.

Em Mato Grosso do Sul, a Receita Federal espera receber 623 mil declarações de imposto de renda até 31 de maio, data limite para a entrega. No país, espera-se um total de 43 milhões de declarações até o prazo final.

Para mais informações sobre como fazer uma doação através da Declaração de Imposto de Renda, entre em contato com o Moinho Cultural pelo e-mail [email protected].

 

*Com informações da assessoria.

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Eventos literários, série filosófica, cinema para autistas, shows diversos e muito mais

Eventos literários em Campo Grande e Corumbá, série filosófica no Teatro do Mundo e cinema para autistas estão na programação, que tem ainda show dos 27 anos de carreira da banda Naip

19/04/2024 10h00

A apresentadora Thais Umar e o filósofo Jô pilotam os cinco episódios da série, que serão exibidos, com debate, neste sábado, a partir das 16h, no Teatro do Mundo, grátis Divulgação

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Neste ano, a banda Naip completa 27 anos, com uma trajetória que inclui músicas autorais, participação em eventos e shows nacionais e internacionais, além do lançamento de duas canções inéditas em breve.

O grupo realizará amanhã um show no Sunset Growler Station, em Campo Grande, em uma apresentação repleta de rock e sucessos atemporais.

“Nosso repertório transita pelo pop-rock nacional e internacional, incluindo os clássicos e sucessos atuais e, para essa noite especial, estamos preparando as músicas que o público sempre nos pede, aquelas que fazem parte da história e da memória afetiva de cada um”, adianta o baterista Alexandre Lacorte.

O show conta ainda com a presença do DJ Marquinhos Morais, convidado para animar o público na abertura e no intervalo da Naip. Entre as fãs está a jornalista Vanessa Amin, que tem a Naip como uma de suas bandas favoritas.

“Acompanho os meninos desde antes da formação da Naip, quando parte dos integrantes faziam parte dabanda Inverno Russo, nos anos 90. Fui em shows com todas as formações. Acabei me tornando amiga de todos e fui até a alguns ensaios deles na casa do André e do Rafael. Sou fã e admiro a todos pelo profissionalismo, talento e amizade que cultivam entre eles”, conta Vanessa.

Na década de 1990, Guga Borba, Guilherme Cruz, Alexandre Lacorte, André Coelho, Leonardo Maciel e Rafael Coelho deram início ao percurso da Naip, que, ao longo dos anos, participou de shows de artistas como: Jota Quest, Nando Reis, Raimundos, Ira, Capital Inicial, Supla, Ivete Sangalo, Tihuana, O Rappa, Scalene, Maskavo, Armandinho, Tico Santa Cruz e o astro internacional do cinema e da música Peter Fonda. Foram mais de 400 shows até hoje.

Algumas mudanças ocorreram ao longo do tempo e novos nomes se juntaram aos fundadores da Naip, que hoje conta com Alexandre Lacorte (bateria), André Coelho (teclado) e Rafael Coelho (baixo), da formação original, e ainda com Caio Dutra (guitarra) e Carlos Eduardo (vocais), que completam a nova fase.

O Sunset funciona a partir das 18h, no endereço Avenida Afonso Pena, nº 5.668, Chácara Cachoeira. Ingressos: https://www.sympla.com.br/evento/naip-no-sunset-growler/2413304.]

 

Kung Fu Panda 4CINEMA “Kung Fu Panda 4” - A animação será exibida amanhã, às 15h30min, no Cinépolis Norte Sul; sessão especial para pessoas autistas

MIOLO

Hoje, a partir das 18h30min, o escritor e artista educador carioca Caio Zero é o convidado do primeiro encontro do projeto Miolo: Circuito de Leituras Integrais, com entrada franca, no Bar Copo.

Autor de obras finalistas do prêmio HQ Mix, um dos mais disputados do mundo dos quadrinhos, Caio vem a Campo Grande para mediar uma leitura integral, em grupo, do livro “Azul Dentro do Banheiro” de Marlene Mourão, a Marzinha.

O livro foi celebrado pelo poeta Manoel de Barros, que escreveu uma carta à autora elogiando sua obra. Além de Caio, participarão da leitura a atelierista Ana Espinosa Horn e a psicanalista Ligia Burton.

O escritor conduzirá os presentes a um bate-papo sobre a obra de maneira colaborativa. Para participar, é necessário levar um quilo de alimento não perecível. Endereço: Rua 14 de Julho, nº 2.530, Centro.

Amanhã, Caio realizará uma oficina literária, na sede da Central Única das Favelas (Cufa) de Campo Grande, no Bairro São Conrado, que será destinada ao público jovem e adulto e tem como objetivo experimentar a linguagem dos quadrinhos a partir de exercícios de criação e de uma conversa sobre processo criativo na produção das histórias em quadrinhos, temáticas, pensamento e narrativa. 

“Estou animado para oferecer a oficina. Sempre dá um frio na barriga, mas, ao mesmo, tempo é animador, principalmente por estar trabalhando com literatura e arte. São coisas que me empolgam bastante. Além disso, estou curioso para conhecer mais o pessoal que fomenta a produção literária local e também os participantes dessa experimentação”, revela Caio.

A oficina terá duração de uma hora e meia e os participantes deverão levar papéis em branco sem pauta, lápis, borracha, apontador e uma caneta preta ou azul. As vagas são limitadas e os interessados deverão se inscrever pelo link na bio do Instagram: www.instagram.com/hamorlivraria.

POLCA PARAGUAIA

Nascida em Corumbá e vivendo fora do País há 38 anos, Bernadete Piassa lança hoje seu primeiro livro, “Polca Paraguaia”, em Corumbá, a partir das 18h, no Museu Casa Dr. Gabi. Na terça-feira, o lançamento será em Campo Grande, a partir das 19h, na Livraria Leitura (Shopping Campo Grande).

“Seu coração nunca se esquece de seu lugar de origem. Você pode viajar, mas aquilo que ficou em você da sua infância tem um impacto muito profundo. Aquela Corumbá que ficou na minha lembrança existe para mim muito forte. A partir do momento que você fica mais velha, você se volta para o passado, então, mais do que nunca, as lembranças se fazem presentes”, diz Bernadete, dando pistas do seu romance de estreia.

LITERATURA “Polca Paraguaia” - Bernadete Piassa lança seu primeiro romance hoje, a partir das 18h, no Museu Casa Dr. Gabi, em Corumbá

VAN FILOSOFIA

Exibida recentemente nas manhãs de domingo, em rede nacional, pela TV Brasil, a série “Van Filosofia” ganha exibição na íntegra, neste sábado, das 16h às 20h, no Teatro do Mundo (Rua Barão do Melgaço, nº 177, Centro), com entrada franca.

A proposta da sessão é fazer uma imersão filosófica, com a exibição dos cinco episódios da produção, seguidos de debate com presença de entrevistados, equipe e filósofos.

A série Van Filosofia propõe um diálogo sobre as relações humanas a partir de alguns dos grandes temas da humanidade, mostrando o que há de comum no nosso dia a dia com o pensamento de filósofos em uma viagem pelo tempo e pelas ruas da cidade. 

Embarcados em uma van, pessoas comuns da sociedade com diferentes perfis e opiniões compartilham suas experiências de vida. O filósofo Josemar Maciel, o Jô, e a apresentadora Thais Umar fazem a ponte das questões colocadas pelos passageiros com a filosofia. A direção é de Lú Bigatão.

PARA AUTISTAS

Amanhã, a Cinépolis Norte Sul terá uma sessão inclusiva e adaptada às pessoas com autismo e outras síndromes, transtornos ou doenças que acarretam hipersensibilidade sensorial. Desta vez, será exibido o filme “Kung Fu Panda 4”, às 15h30min.

Na sessão inclusiva e adaptada, o filme é exibido com o volume de som reduzido, 50% das luzes permanecem acesas, não há exibição de publicidades e trailers e também é permitido entrar e sair da sessão a qualquer momento. A sala inclusiva adaptada é aberta para todo o público.

 

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