Terça, 21 de Novembro de 2017

CORREIO B

Lenços: pacientes com câncer
e a vaidade da redescoberta

8 ABR 2016Por EDUARDO FREGATTO16h:18

Hoje é celebrado o Dia Mundial de Combate ao Câncer. A data foi criada para conscientizar a população sobre os cuidados de prevenção da segunda doença que mais mata pessoas em todo o mundo. Em Campo Grande, a Rede Feminina de Combate ao Câncer e o Hospital de Cân­cer de Campo Grande – Alfredo Abrão promovem uma campanha intitulada “Doe Cor”, com o objetivo de arrecadar lenços para as pacientes em tratamento contra o câncer.

Hoje, em um espaço criado no Shopping Pátio Central (Rua Marechal Rondon, 1.380, Centro), é possível realizar doações e receber material explicativo, com informações sobre a prevenção ainda nos primeiros sinais da doença. Também será realizada a venda de canecas personalizadas e de artesanato.

AUTOESTIMA

Os lenços representam autoestima e confiança para a autônoma Edna Duarte Aguiar, 36 anos, que realiza tratamento para combater um câncer que começou no útero e se espalhou pelos seus órgãos.

“Eu perdi todo o meu cabelo e o Hospital de Câncer deu um lenço para mim”, diz Edna. “As pessoas falam que eu estou bonita careca, mas quando você se olha no espelho é outra sensação”.

No transporte público, a paciente relata que uma criança chorou ao vê-la sem cabelo. “As crianças se assustam”, lamenta.

Com o lenço, Edna sente-se mais segura para sair às ruas e levar sua vida normalmente, como fazia antes do diagnóstico.

É a mesma situação da costureira Tereza Maria Alves, 57 anos, que termina um tratamento de quimioterapia contra um câncer de mama.

“Eu sou um pouco vaidosa, não me sinto bem andando careca”, justifica Tereza. “Então eu coloco lenço na cabeça e me sinto melhor, mais confiante”.

Já a peruca é deixada de lado pela costureira. “É muito quente, incomoda demais”.

De acordo com a presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer, Rosana Macedo, os lenços são os principais acessórios para auxiliar as mulheres que perdem os cabelos. “O cabelo para uma mulher é tudo, não é? Então, o lenço levanta a autoestima, elas saem superalegres”.

De acordo com Rosana, a doença fragiliza o emocional das pacientes. Por isso, é importante oferecer suporte e assistência. “Nós as ensinamos a colocar os lenços, fazemos de tudo para dar alegria para elas”.

A Rede Feminina de Combate ao Câncer também presta assistência visitando as pacientes regularmente, com equipe multiprofissional.

PREVENÇÃO

A data Mundial de Combate ao Câncer também é usada para lembrar a população da importância de se prevenir e cuidar da saúde.

Edna sabe muito bem que negligenciar exames pode trazer consequências graves.

Por cerca de cinco anos, ela realizava os exames ginecológicos preventivos, mas jamais buscava os resultados.

“Foi descuido meu. Na hora de fazer o exame, o médico via uma lesão e me passava pomada e comprimido para aliviar a dor. Como a dor sumia, eu achava que não precisava pegar o resultado do preventivo”, relata, com arrependimento.

Por conta da negligência, a lesão evoluiu para o câncer que Edna enfrenta desde o ano passado.

A doença, que apareceu primeiro no útero, se espalhou. Ela já fez uma cirurgia de alto risco e, agora, terá de passar por sessões de quimioterapia e radioterapia.

“Se eu tivesse ficado mais atenta, talvez seria sido só um caso de tomar algum remedinho e não teria chegado ao ponto que chegou”, reflete Edna.

O presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Gustavo dos Santos Fernandes, ressalta a importância de realizar exames de rotina e ter um médico com atendimento frequente. “É importante que o paciente tenha o seu médico, é para isso que existe o clínico geral e o médico da família”, afirma.

Além disso, Gustavo destaca a importância de levar a sério qualquer sintoma, especialmente dores. “Qualquer queixa persistente tem que ser levada para o consultório médico. É preciso valorizar o sintoma. Uma tosse que dura 20 ou 30 dias é motivo de ir ao médico. Não pode negligenciar a dor”, explica.

AJUDA

O Hospital de Câncer de Campo Grande – Alfredo Abrão é o único totalmente especializado em oncologia em Mato Grosso do Sul, cujo atendimento é 97% voltado ao tratamento da população carente e usuária do Sistema Único de Saúde (SUS).

A instituição recebe doações para manter os atendimentos. Os doadores recebem devolutivas esclarecendo como suas doações foram aplicadas pela entidade. Quem quiser colaborar com o hospital e com a Rede Feminina de Combate ao Câncer pode entrar em contato pelo número de telefone: 0800-600-6313.

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